iG levanta razões para se ter fé ou descrença em ver o estádio do Corinthians na Copa de 2014

Terreno onde o Corinthians pretende construir o estádio em Itaquera
AE
Terreno onde o Corinthians pretende construir o estádio em Itaquera
De acordo com o Corinthians , as obras do estádio do clube em Itaquera começam nesta segunda-feira. Após alguns desencontros, faltas de garantias, datas jogadas ao vento , é natural apontar-se algumas dúvidas em relação a real situação do único estádio em São Paulo candidato a sediar jogos da Copa de 2014.

Parece que enfim, nesta semana, após longa data e das mais variadas previsões, o estádio do Corinthians começará a ser construído. Na sexta-feira, o clube anunciou que nesta segunda a terraplanagem em Itaquera será iniciada. Os céticos ainda levarão um tempo para acreditar que este passo prometido garantirá um final satisfatório para a obra. Para os otimistas, é a garantia

O iG aponta cinco motivos para se acreditar no “Fielzão” como palco paulista na Copa do Mundo e outros cinco para duvidar.

Por que acreditar no Fielzão?

Aliado de Ricardo Teixeira, Andrés Sanchez quer estádio
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Aliado de Ricardo Teixeira, Andrés Sanchez quer estádio
1 - A parceria Andrés Sanchez e Ricardo Teixeira

Desde que se aproximou do presidente da CBF, o presidente corintiano não perdeu nenhuma briga. Venceu queda de braço no Clube dos 13, ajudou a derrubar o projeto Morumbi e ainda arranjou uma boquinha na delegação da seleção brasileira na Copa de 2010. Andrés confia que se a corda apertar, o amigo Teixeira “dará um jeito” de levantar a obra.

2 - Força econômica de São Paulo para ser sede da Copa

Com o Morumbi fora, o estádio do Corinthians é a única aposta do Comitê para sediar jogos em São Paulo. Governos federal, estadual e municipal não admitiriam não ter a cidade no Mundial.

3 - Vergonha de um eventual fracasso fortalece intervenção do poder público

Governos municipal e federal já se manifestaram favoráveis à construção do estádio e até o presente momento deram todos os incentivos fiscais possíveis. A burocracia para a liberação de grandes construções em São Paulo também já foi solucionada com todos alvarás e licenças necessários publicados.

4 - Área vasta para expansão permite construções de infraestrutura no entorno

São mais de 200 mil metros quadrados de área a ser explorada. Com espaço para trabalho, é possível construir com folga todas as exigências da Fifa no que se refere à infraestrutura. Prefeitura e Estado podem desenvolver o entorno com obras que serão úteis também para após da Copa, o que justificaria o gasto de dinheiro público na região, uma das mais carentes da cidade.

5 - Após 100 anos de desilusões, o estádio do Corinthians nunca esteve tão real

Andrés Sanchez encerra seu mandato neste ano com a intenção de ser lembrado como um dos maiores presidentes da história do clube. A construção do estádio corintiano seria a “cereja do bolo”. Frustrar a torcida mais uma vez é o último dos pesadelos de Andrés, que promete a obra, mesmo que ela não fique pronta para a Copa.

Por que duvidar do Fielzão?

Maquete do estádio que deverá ser construído em Itaquera
Divulgação/Werner Sobek
Maquete do estádio que deverá ser construído em Itaquera
1 - Odebrecht nunca quis se envolver na obra

Empreiteira foi convencida por Lula a abraçar a causa de dar um estádio ao time do coração do ex-presidente. Sem as garantias financeiras do Corinthians, só entrou no barco por pressão do então mandatário. As obras iniciam com a Odebrecht, mas podem não terminar com ela. O Corinthians já procurou outras empreiteiras dispostas a continuar a obra por um valor inferior ao previsto pela Odebrecht.

2 - Dutos da Petrobrás. Quem vai pagar para tirá-los?
Ainda não está definido qual será o destino dos dutos que passam abaixo do terreno de Itaquera. Segundo o Corinthians, a retirada desses dutos custará R$ 2 milhões. Na estimativa do ministro dos Esportes, o custo será de R$ 30 milhões.

3 - A conta que não fecha. Em quanto vai ficar a construção total?

Inicialmente projetado para 48 mil lugares, o estádio sairia por R$335 milhões. Com status de estádio da Copa, ganhou mais 17 mil lugares e teve o orçamento aumentado para R$ 600 milhões. Porém, após estudos da Odebrecht para atender às demandas da Fifa, o estádio sairia por mais de R$ 1 bilhão.

4 - Sonho de Naming Rights inédito no mundo do futebol

Para dar as garantias bancárias de que poderá pagar o financiamento que pretende fazer junto ao BNDES, via Caixa e Odebrecht, o Corinthians sonha em vender o nome do estádio por um contrato de mais de 15 anos por R$ 30 milhões por ano. O valor, se conseguido, seria o maior de um clube no mundo. O Arsenal fatura R$ 18 milhões por ano da Emirates. Algo inimaginável no Brasil.

5 - Pressão da Fifa por resultados imediatos

A entidade não tolerará mais atrasos na obra. Previsto para ficar pronto em 30 meses, o estádio está no limite para ficar pronto sem comprometer sua utilização no Mundial. Qualquer desvio de percurso será visto pela Fifa como um passo atrás, o que comprometeria o andamento sem traumas das obras

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