Mobilização faz parte do movimento “Eu abro mão” e 1.923 torcedores também terão suas mãos gravadas

O Vasco iniciou nesta terça-feira a impressão das mãos de torcedores espalhados por todo o país nos muros do estádio de São Januário, em homenagem aos campeões de 1923. A mobilização faz parte do movimento “Eu abro mão”, que além de ser tema da camisa 3 do Vasco, revive um marco da história do futebol brasileiro, quando o time carioca se recusou a atender a exigência da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos de demitir seus 12 jogadores negros, mulatos e pobres para participar do campeonato de 1924 ao lado de Fluminense , Flamengo , Botafogo , América e Bangu..

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Um dos maiores ídolos de todos os tempos e atual presidente do clube, Roberto Dinamite foi a primeira pessoa a ter a palma de sua mão gravada. Após posar para fotos, ele falou sobre a importância que o Vasco teve na inclusão dos negros no esporte brasileiro.

“Aquele ato simbolizou a igualdade e democracia, coisas que nós buscamos em nosso dia a dia. Esse movimento é um marco que simboliza a história do Vasco de paz, igualdade social, democracia e luta contra o preconceito racial. Até hoje os grandes jogadores saem quase na totalidade de famílias humildes. Imaginem o futebol atual sem os negros. As pessoas têm que lembrar que o maior de todos os tempos foi o Pelé, e ele era negro”, afirmou o presidente.

Roberto Dinamite lamentou ainda que em pleno Século 21 o preconceito ainda esteja presente nos estádios de futebol.

“Espero que essa iniciativa seja um pontapé inicial para acabarmos de uma vez com a descriminação racial nos estádios. Infelizmente até hoje ainda existem jogadores que são xingados em algumas das principais competições do mundo, Aconteceu recentemente no Brasil”, lembrou Roberto Dinamite.

Além dos jogadores e da comissão técnica de 1923, outros 1.923 felizardos terão suas mãos gravadas em 42 muros de São Januário. Para se candidatar, os torcedores deverão gravar a imagem de suas mãos usando um aplicativo tecnológico que fica na página da Penalty no Facebook. Já a máquina usada para gravar as mãos no muro do estádio foi criada pela designer canadense Vanessa Carpenter e pelo engenheiro dinamarquês Nikolaj Mobius. Ela é conhecido como Dzl e configura numa iniciativa inédita.

“Essa é a primeira vez fazemos um movimento com um time de futebol e que gravamos imagens em um muro de concreto como esse de São Januário”, disse Dzl, que recebeu um agradecimento especial do presidente Roberto Dinamite.

Quando mais cedo os vascaínos de cadastrarem, mais chances eles terão de ver suas mãos na fachada de São Januário, já que os sorteios, que começaram dia 16 de maio, serão feitos a cada dois dias até o dia 27 de maio.

Confira o hino dos Camisas Negras:

Eu vou torcer
Aqui eu ergui meu templo para vencer
Eu já lutei por negros e operários
Te enfrentei, venci, fiz São Januário
Camisas Negras que guardo na memória
Glórias, lutas, vitórias
Esta é minha história

Que honra ser
saiba eu sou vascaíno, muito prazer
Jamais terás a cruz, este é o meu batismo
Eu tive que lutar contra o teu racismo
Veja como é grande meu sentimento
E por amor ergui este monumento

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