Diretor-executivo revela sondagens e condiciona permanência a ousado projeto de reestruturação para Libertadores

Quando chegou ao Vasco , em janeiro de 2009, Rodrigo Caetano era uma aposta. Novidade no ramo executivo, o homem-forte do futebol do Grêmio , responsável pela reestrutura do clube gaúcho que lhe valeu o título da Série B e um vice-campeonato da Libertadores, foi trazido para o futebol carioca para a mesma função. Veio, devolveu o Vasco ao grupo de elite e acaba de colocá-lo na Libertadores com a conquista da Copa do Brasil . Missão cumprida. Agora é discutir o futuro. E aí reside o ponto de interrogação.

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Rodrigo Caetano entre Dinamite e Mandarino
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Rodrigo Caetano entre Dinamite e Mandarino
Em entrevista ao iG , o valorizado diretor-executivo fala do seu futuro. Fala sem saber o desfecho. Admitindo assédio de alguns dos principais clubes do país ( Fluminense , Grêmio e o futebol paulista o sondaram), está aberto a conversas agora que o Vasco encerrou – e com chave de ouro – sua participação no torneio nacional. Isto, no entanto, não significa que seu ciclo esteja encerrado em São Januário.

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Pelo contrário, a prioridade é a permanência no clube cruzmaltino. Mas a valorização profissional lhe proporciona o interesse da concorrência. E ele se sente no direito de ouvir as propostas, dando a entender que continua na Colina se algo de diferente for feito a partir de agora.

“Quando cheguei, eu, o Roberto (Dinamite, presidente) e o Mandarino (José Hamilton, vice de futebol) traçamos objetivos. Eram: trazer o time para a Série A e, aos poucos, ir colocando o Vasco na Libertadores. No primeiro ano, vencemos a Série B. No segundo, conseguimos a Sul-Americana. E no terceiro vencemos a Copa do Brasil. Agora é planejar a Libertadores”, conta o dirigente, de 41 anos, cujo contrato termina no fim de 2012 e não há multa rescisória. No fim de 2010, sua renovação ganhou as manchetes, com cifras compatíveis como a de jogadores.

Para Rodrigo, planejar Libertadores não pode ser da boca para fora. Ele avisa que não quer fazer figuração na cobiçada competição sul-americana do ano que vem. Seus poderes no Vasco se limitam ao departamento de futebol. No modelo de gestão do clube cruzmaltino, ele funciona como uma espécie de presidente. Dinamite cuida da instituição, delegando poderes a ele dentro e fora das quatro linhas. Mas sua força não chega às vice-presidências de marketing e patrimônio - as mais importantes para um ousado projeto de reestruturação. A exemplo do que fizeram Grêmio e Internacional , que quadruplicaram seu quadro de sócios na última década, Rodrigo sugere que o Vasco cresça do vestiário para fora.

“Não é meu departamento, mas fica a minha sugestão. Estamos a sete meses da Libertadores. É para começar hoje a se planejar. O clube deve aproveitar este momento para aumentar suas receitas. Hoje, parece que há 15 mil sócios. Internacional deve ter quase 100 mil e o Grêmio mais de 50 mil. São sócios com uma contribuição ordinária fixa. Pagamento em débito. Não é uma receita que depende de o clube estar bem ou não”, adverte.

O diretor-executivo cita o exemplo dos estádios lotados nos dois clubes gaúchos.

“O torcedor tem prioridade na compra do ingresso. Com isso, os estádios estão quase sempre cheios. São Januário tem hoje capacidade para 25 lugares. Imagina se o Vasco dobra o número de associados. Vai lotar sempre. É preciso um projeto de fidelização”.

Com o título do torneio nacional, a marca Vasco volta a ficar valorizada, uma vez que há oito anos o clube não era campeão na Série A. Novamente, sem que seja especialista no ramo, o “presidente” do futebol vascaíno lembra que é hora de se conseguir novos patrocínios.

“Tudo isso vai gerar mais receita para o clube. Por isso eu digo, temos que começar a pensar na Libertadores agora. Não podemos fazer como Flamengo e Fluminense, que foram campeões brasileiros e decepcionaram depois”.

Para dizer que Rodrigo Caetano não dá apenas pitaco no departamento alheio, ele avalia também o que tem de ser mudado no futebol para o clube estar grande o bastante na luta pelo bicampeonato – o clube conquistou a competição sul-americana em 1998. Time por time, o diretor-executivo considera o Vasco um dos cinco melhores do Brasileiro. Fora das quatro linhas, o principal reforço seria mais um campo para treinamento.

São Januário tem hoje, atrás das cabines de rádio, dois campos de grama sintética. Rodrigo criou um projeto para transformá-los em um campo-anexo.

“Isso resolveria muito os nossos problemas. Hoje, temos um vestiário moderno, uma sala de musculação com tecnologia de ponta, refeitório e estamos finalizando a obra de uma área de descanso. Pronto, com mais um campo a gente consegue dar aos atletas as condições adequadas para um bom treinamento”.

Quanto ao elenco, ele cita o Santos , que não foi campeão Brasileiro em 2010 e está na final este ano. “Nas últimas edições, as equipes brasileiras têm se destacado bastante. Você necessariamente não precisa ser campeão brasileiro para ser finalista da Libertadores”.

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