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Futebol
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Vaias viram moda entre torcidas do Brasil até em vitórias

Quase todos os times da primeira divisão já foram hostilizados em 2011. O brasileiro é o torcedor mais chato do mundo?

Marcel Rizzo e Paulo Passos, iG São Paulo |

Do Flamengo invicto no ano, passando pelo Cruzeiro sensação e o último campeão do Brasileiro, Fluminense, ninguém se livra da vaia do torcedor brasileiro. Em três meses de competições em 2011 a maioria dos times da primeira divisão já foi hostilizada por seus torcedores. Seja por um centroavante que erra um gol, por um técnico que “inventa” numa substituição ou um time apagado em campo, nada foge da corneta de quem paga ingresso para ir ao estádio.

[]Melhor campanha na Libertadores da América, praticamente classificado para a final do Mineiro, após a goleada de 8 a 1 no final de semana, o Cruzeiro já ouviu o ruído mais famoso dos estádios brasileiros. Foi no primeiro jogo do time no ano, em janeiro, e direcionadas ao lateral e meia Gilberto. A torcida queria que Roger fosse o titular.

“Ali não foi legal. Porque afunda o Gilberto. Ele não está num bom momento técnico, mas vai ficar”, afirmou o técnico do Cruzeiro, Cuca, na época. Gilberto acabou indo para a reserva, de onde não saiu mais e Roger virou titular.

O último a sofrer com as vaias foi o Vasco. Na vitória contra o Olaria, pela semifinal da Taça Rio, no última sábado, os torcedores do clube não perdoaram o meia Allan e o técnico Ricardo Gomes. Apesar da classificação, o treinador foi chamado de burro por alguns vascaínos que foram ao Engenhão.

AE
Mesmo classificado para a final do segundo turno do Carioca, o Vasco, de Ricardo Gomes, foi vaiado no último sábado

“A torcida quer sempre o melhor futebol. O importante foi o comparecimento, não a reação durante o jogo. Não tem que inventar, falar que deve incentivar o tempo todo. A torcida também sente o jogo, fica tensa. No nosso melhor momento, ela veio junto. É uma via de mão dupla”, afirmou Ricardo Gomes, que não perder há 11 jogos à frente do Vasco.

“Na Argentina não é assim”
Quando chegou ao Boca Juniors em 2003, Iarley logo se surpreendeu com o comportamento da torcida na Argentina. “Lá é diferente daqui, o torcedor nunca vaia durante os noventa minutos”, lembra o atacante, ex-Inter e Corinthians, e que hoje joga no Ceará.

“Eles até cobram bastante, vão aos treinos reclamar, mas durante os noventa minutos, só apóiam o time. É uma coisa que poderia ser copiada aqui”, diz Iarley. A passagem por Buenos Aires durou dois anos.

AFP
"Durante os noventa minutos, ele só apóiam o time. É uma coisa que poderia ser copiada aqui", diz Iarley
O atacante conta que já na primeira temporada no clube participou de uma reunião com integrantes da maior torcida organizada do Boca. No encontro, eles fizeram exigências e se comprometeram a apoiar o time todo tempo durante a partida. “Exigiam, por exemplo, que os jogadores não tirassem a camisa na hora dos gols, já que, segundo eles o gol era do Boca e o distintivo tinha que aparecer. Em troca, nunca vaiam o time, nem quando esta mal”, afirma.

Saídas pós-vaias
Segundo Iarley, o pior da vaia é que ele acaba deixando quem está mal ainda pior. “É impressionante, mas tem cara que se apaga quando isso acontece”, diz.

Mesmo tendo marcado mais de 70 gols em 2010 com a camisa do Grêmio, Jonas foi alvo dos torcedores nos primeiros jogos do clube em janeiro. Vaiado durante uma vitória em que marcou dois gols, o atacante xingou a torcida durante a comemoração. Três dias depois, deixou o clube e foi para o Valencia, da Espanha.

Já no Internacional, Celso Roth foi o principal foco da torcida. A queda nas semifinais do Mundial em 2010 para o Mazembe azedou a relação entre os colorados e o técnico, que foi vaiado até mesmo em vitórias do clube no Beira-Rio.

A insatisfação só terminou com a queda do técnico. Campeão do última Libertadores, Roth assistirá o torneio de casa. Sem vaias, pelo menos.
 

Clubes Vaias
ATLÉTICO-MG Em 24 de março, empate contra o Uberaba e muitas vaias, principalmente para Werley. E time já havia vencido o Cruzeiro no primeiro clássico.
BOTAFOGO Joel Santana reclamou de vaia para ele, para Somália, isso tudo em fevereiro ainda. Acabou deixando o clube, mas Caio Júnior assumiu e também é vaiado.
CORINTHIANS Vaias no terceiro jogo do ano, empate em casa contra o Noroeste, em fevereiro. Três dias depois empate contra o Tolima, no Pacaembu. E muita vaia.                                                                                                                         
CRUZEIRO      Melhor time da Libertadores teve Gilberto vaiado em vitória sobre a Caldense. Cuca reclamou de perseguição da torcida.
FLAMENGO Não perdeu na temporada, pode ser campeão estadual antecipado. Mas não gahhou do Horizonte e recebeu sonora vaia. Até Ronaldinho foi xingado...
FLUMINENSE O campeão brasileiro sofreu com vaias desde o começo do ano, com má campanha na Libertadores e eliminação para o Boavista na Taça Guanabara.
GRÊMIO Jonas foi o artilheiro do Brasileiro de 2010 e foi vaiado pela torcida do Grêmio desde o início de 2011, antes de ser vendido. Até quando fazia dois gols em um jogo.         
INTERNACIONAL Derrota para o Mazembe no Mundial, ainda em 2010, fez torcida não perdoar Celso Roth nem nas vitórias da Libertadores. Vaias e demissão.
PALMEIRAS Primeiro jogo do ano, o ídolo Felipão no banco, e vaias, muitas vaias no empate sem gol contra o Botafogo no Pacaembu. Treinador detonou a torcida.
SANTOS Em 26 de fevereiro, empate contra o São Bernardo e Adilson Batista e o time foram vaiados. Padaria foi "ponto" para críticas e demissão.
SÃO PAULO Carpegiani tem apelido de "professor Pardal", por mudanças estranhas, e torcida o vaia por disso. Ele sacou Lucas, colocou Marlos, e foi xingado.
VASCO DA GAMA Não adiantou mudar de técnico. PC Gusmão foi vaiado desde o primeiro jogo e time com Ricardo Gomes também é. Até vencendo semi da Taça Rio.

 

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