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Recurso conta com profissional dedicado só para edição e gravação. Jogadores aprovam dicas passadas

Satiro Sodré/Divulgação AGIF
Técnico Caio Júnior acredita que trabalho com vídeos tem feito a diferença no Botafogo
No noite do dia 26 de agosto, uma sexta-feira, véspera do clássico contra o Fluminense , o técnico Caio Júnior reuniu todo o elenco do Botafogo para uma conversa. Preocupado com as investidas do lateral-direito Mariano , uma das principais armas do adversário, o treinador passou uma série de vídeos na qual os cruzamentos do jogador resultavam em gols. Para anular as jogadas do adversário, o meia Maicosuel foi designado para uma difícil função. Teria que acompanhar Mariano na defesa e ainda atacar quando tivesse a posse de bola.

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A estratégia deu certo. Mariano fez uma partida muito discreta e Maicosuel criou várias jogadas de perigo para o time de General Severiano, que venceu de virada, por 2 a 1 . Não foi a primeira, nem a última vez que o auxílio das imagens colaborou para uma vitória do Botafogo. O recurso, que é usado por muitos técnicos do futebol brasileiro, se tornou parte obrigatória nas preleções da equipe carioca e conta até com um profissional exclusivo para a gravação e edição das mais variadas situações, o auxiliar técnico Thiago Larghi, que já foi observador técnico da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2006.

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O técnico Caio Júnior acredita que a imagem faz com que os jogadores assimilem melhor a parte tática, diminuindo as dúvidas. “Hoje eu acredito totalmente no trabalho do vídeo, pois ele é didático. O jogador enxerga o que fez de bom ou de mau. A gente também coloca referências de equipes. Já usamos muito o Barcelona. O Messi é um dos maiores exemplos de jogador que cumprem a função tática defensiva. Quando você tem referências de jogadores 'tops' tecnicamente e que ainda marcam, fica fácil de você cobrar da sua equipe”, explica o técnico do Botafogo.

As palestras são realizadas na sala de imprensa do clube, na sede de General Severiano. Com um projetor, um telão e um computador, Caio Júnior vai 'puxando a orelha' dos atletas que não ocuparam determinado espaço, marcaram o jogador errado ou não cumpriram a parte tática pedida. Os acertos também são elogiados e incentivados, servindo de exemplo para o resto da equipe. No Botafogo, um dos exemplos constantemente citados é do meia Maicosuel. Armador pela esquerda no 4-2-3-1 do time carioca, o jogador é peça importante na marcação do lateral adversário.

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“Li uma entrevista em que o Maicosuel fala que não acreditava que fosse fazer o que está fazendo hoje, isso é coisa do trabalho, da repetição. A evolução que tive foi quando trabalhei no Japão, quando entendi que se conseguir mostrar ao time por vídeo o funcionamento do sistema tático, o jogador acaba fazendo automaticamente. Isso talvez seja o ponto alto do nosso trabalho hoje”, diz Caio Júnior.

As orientações individuais também são responsáveis por situações engraçadas, como revela o atacante Alex. O jogador 'cornetado' é alvo de algumas brincadeiras, mas ele garante que o resultado para o grupo é positivo. “Quando a gente vê o acerto, é bem melhor, mas são nos erros que a gente cresce cada vez mais. É importante, por mais que a gente passe por um momento de frustração de todos estarem vendo, das brincadeiras, mas a gente sabe que é para o melhor do Botafogo. O principal é ter em mente que é importante evoluir”, declara o jovem de 20 anos, que será titular no ataque contra o Bahia, já que Loco Abreu está com a seleção do Uruguai.

E pelo menos para Alex, as orientações têm surtido efeito. Se em 2010 o atacante atuou em apenas dois jogos no Campeonato Brasileiro, sem marcar nenhum gol, nesta temporada já são 11 jogos e quatro gols marcados. Ele explica o que mudou em seu estilo de jogo com as orientações passadas pela comissão técnica com os vídeos.

“Sou atacante e preciso me movimentar para encontrar espaços na defesa do adversário, então eles mostravam erros de posicionamento que cometia. Uma entrada em diagonal ou explorar as costas do lateral que deveria ter feito e não fiz. É sempre melhor estar vendo. Falando, você não sabe o que a pessoa está querendo passar, fica mais fácil de assimilar”, revela Alex.

Auxiliares de Caio Jr. posam ao lado de Gérson, ídolo do Botafogo. Almir Domingues, Thiago Larghi e Cassius Hartmann (da esq. para a dir.)
Divulgação
Auxiliares de Caio Jr. posam ao lado de Gérson, ídolo do Botafogo. Almir Domingues, Thiago Larghi e Cassius Hartmann (da esq. para a dir.)
Divisão de tarefas
Diferente dos clubes europeus, que possuem até mesmo técnicos especializados apenas para setores do esquema tático, como ataque, meio-campo e defesa, no Brasil o treinador ainda é responsável pela maior parte das atividades. Escalar a equipe, assistir o adversário, conversar com os jogadores, comandar treinamentos e estar a beira do campo no dia da partida fazem com que os técnicos vivam uma maratona semanal. Porém, algumas equipes já começam a dar maior importância para as comissões técnicas e a colaboração de profissionais ao trabalho do treinador.

No Internacional, o ex-jogador de futsal do time gaúcho e da seleção brasileira, Luis Fernando Ortiz, é responsável pelo treinamento dos atacantes, aprimorando os fundamentos e auxiliando no posicionamento dos jogadores do setor.

No Botafogo, além do auxiliar Thiago Larghi, que ajuda com a parte de vídeos, o técnico Caio Júnior tem uma verdadeira seleção de 'fiéis escudeiros'. Cassius Hartmann é o 'espião', assistindo aos jogos dos próximos adversários do time carioca ao vivo, além de ajudar nos treinamentos. Já Almir Domingues é o 'braço direito' do comandante, dando conselhos e comandando treinos da equipe carioca. Jair Ventura, filho do ídolo do Botafogo e campeão com a seleção brasileira em 1970, finaliza o quarteto de auxiliares, participando dos treinamentos ofensivos e de bola parada.

Para o técnico Caio Júnior, é preciso que os clubes brasileiros tenham consciência da importância das comissões técnicas e que os treinadores tenham confiança em dividir as tarefas do dia a dia do futebol. “Acho importante ter uma equipe grande de trabalho, que você confie e possa dividir as funções. Facilita muito mais. Já tive situações em clubes no Brasil que eu fazia tudo, então você chega num jogo e não tem cabeça para trabalhar. Ainda tenho o Evandro Motta, que trabalha na área motivacional, através de ideias, estatísticas que também ajudam nessa questão. Isso torna o trabalho no Botafogo bem mais forte”, finalizou o treinador do Botafogo.

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