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Última vitória do Brasil teve aplausos franceses e "fora Collor"

Seleção não vence França desde 26 de agosto de 1992. Veja como foi o antes, durante e depois daquele jogo

Gazeta |

Os brasileiros passaram o dia 26 de agosto de 1992 torcendo. Pela seleção brasileira na vitória por 2 a 0 sobre a França e pelo processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Nas arquibancadas do Estádio Parque dos Príncipes, palco da vitória do time comandado pelo técnico Carlos Alberto Parreira, torcedores pediram a saída do governante.

Em sua edição do dia 27 de agosto, o jornal "A Gazeta Esportiva" relatou que um grupo de aproximadamente 500 brasileiros chegou uma hora antes do início do amistoso para protestar em frente ao estádio localizado em Paris. "O ritmo e as letras variavam, mas o refrão era sempre o mesmo: 'fora Collor'", noticiou o periódico.

Durante o jogo contra a França, os torcedores usaram faixas para manifestar o descontentamento com Fernando Collor de Mello nas arquibancadas. Em panos amarelos com letras pretas, os brasileiros estamparam a frase "fora Collor". "Preto também era a cor das roupas usadas pela quase totalidade dos torcedores brasileiros", noticiou A Gazeta Esportiva.

Um dia antes da partida, foram registradas manifestações em frente ao apartamento que supostamente pertencia a Paulo César Farias. Tesoureiro na campanha presidencial de Fernando Collor de Mello, ele seria testa de ferro em diversos esquemas de corrupção. Em 1996, o empresário foi encontrado morto ao lado da namorada Suzana Marcolino em um episódio controverso.

Se os brasileiros aproveitaram a ocasião para protestar, os locais ficaram impressionados com a exibição do time canarinho. "O Brasil foi aplaudido de pé pela torcida francesa depois da vitória por 2 a 0 diante de sua seleção, em Paris. O futebol apresentado encantou quem esteve presente ao estádio Parc Des Princes e, antes mesmo do final, todos gritavam olé a cada passe de Careca & Cia", relatou A Gazeta Esportiva.

Dentro de campo, a seleção brasileira soube explorar os espaços do lado direito da defesa francesa e marcou os gols pelo setor. Aos 42 minutos do primeiro tempo, o lateral Jorginho cruzou para Raí. Capitão do time, o são-paulino cabeceou na trave e viu a bola tocar no corpo do goleiro Martini antes de entrar. Aos seis minutos do segundo tempo, foi a vez do meia Luiz Henrique receber centro de Jorginho e cabecear com precisão.

Curiosamente, os dois autores dos gols no amistoso defenderam clubes franceses na sequência. Negociado pelo São Paulo com o Paris Saint-Germain em 1993, Raí ganhou a Copa da Liga (95 e 98), a Copa da França (93, 95 e 98), o Campeonato Francês (94) e a Recopa Europeia (96). Já Luiz Henrique, após defender o Palmeiras, passou a vestir a camisa do Mônaco no mesmo ano de 1992. Na época com 11 meses de trabalho na seleção, Parreira já precisava se defender das criticas por apresentar um futebol defensivo. "Soubemos nos defender sim, mas quando roubávamos a bola partíamos rápido para o contra-ataque. Foi uma boa atuação, pois os jogadores mais uma vez mostraram personalidade, deixando claro que poderão formar uma grande equipe quando tivermos tempo para trabalhar", afirmou o então técnico.

Em 1993, o Brasil conquistou a classificação para a Copa dos Estados Unidos de forma dramática e, um ano depois, foi tetracampeão. O goleiro Taffarel, os laterais Jorginho e Branco, o zagueiro Ricardo Rocha, o volante Mauro Silva, os meias Raí e Zinho e os atacantes Romário e Bebeto, escalados no amistoso contra a França em 1992, foram convocados por Parreira para o Mundial.

O amistoso em Paris marcou a estreia do técnico Gerard Houllier, sucessor do astro Michel Platini no comando do time francês. Seis anos depois de perder do Brasil no amistoso, a seleção europeia deu o troco e, sob o comando de Aime Jacquet, foi campeã mundial no Stade de France com as presenças do volante e capitão Didier Deschamps, do zagueiro Laurent Blanc e do volante Emmanuel Petit, escalados no encontro de 1992.

Depois da vitória por 2 a 0 sobre os franceses no dia 26 de agosto, o grupo de torcedores brasileiros procurou pelos jornalistas para saber o resultado da votação do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que incriminava Collor. "A notícia do placar de 16 a 5 a favor do relatório foi comemorada com quase a mesma alegria que mereceram os gols de Raí e Luís Henrique", noticiou A Gazeta Esportiva.

Fernando Collor de Mello, 61 anos, venceu Luiz Inácio Lula da Silva, antecessor de Dilma Roussef, no segundo turno das eleições presidenciais de 1989. Em 1992, diante do processo de impeachment, impulsionado por enormes manifestações populares, ele renunciou ao cargo e o vice Itamar Franco assumiu. Atualmente, o ex-chefe de Estado é senador por Alagoas.

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