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Treinadores exaltam as inovações de Zagallo

Técnicos destacam novidades apresentadas pelo Velho Lobo como jogador e técnico. Jogadores exaltam carreira

*iG Esporte |

Se para boa parte do público e da crítica Zagallo se destacou muito mais como um técnico motivador, um jogador aplicado e um torcedor inflamado, seus colegas que ainda estão "na ativa" vão além. Para alguns dos principais técnicos do país, o "Velho Lobo" foi um atleta moderno e um treinador inovador.

Embalados pelo aniversário de 80 anos do tetracampeão, data comemorada nesta terça-feira, treinadores e atletas em atividade no Brasileirão exaltaram a trajetória vitoriosa do alagoano de alma carioca.

O técnico Vanderlei Luxemburgo, do Flamengo, dá bom o tom da admiranção: "O Zagallo é meu ídolo, o maior técnico do mundo. Só no Brasil não acham isso", afirmou. "Com as conquistas que teve, precisa ser respeitado. Ele foi um treinador fantástico. Até hoje, respira futebol. Foi meu técnico e é um amigo."

Gazeta Press
Zagallo no ano do tetra, em 1994
Para Luxa, Zagallo deveria ser reconhecido como um inovador. "O brasileiro gosta de enaltecer a Laranja Mecânica do Rinus Michel (seleção holandesa de 1974). Mas esse time não ganhou nada. O Zagallo inventou em 1970 e ganhou. Jogou com três zagueiros sem ter três zagueiros. Escalou o time sem centroavante, com o Tostão fazendo a função, e dois volantes que não maracavam ninguém (Gerson e Clodoaldo). Valorizava a posse de bola e até hoje se joga dessa forma. Nunca mais vi um time jogar como a Laranja Mecânica, mas como a seleção do Zagallo, eu cansei de ver."

Ricardo Gomes, técnico do Vasco, trabalhou com o Velho Lobo na campanha do tetracampeonato mundial, em 1994 (embora tenha sido cortado do Mundial por conta de lesão). "Zagallo foi um homem sempre à frente do seu tempo. Ele, nos anos 50, já era um treinador em campo quando revelocionou o futebol. Ele já mudava o time vontando para marcar e fazendo o papel de ala. Como jogador, revolucionou", destacou. "E, como técnico, não tem o que falar. Nos treinos, ele estava sempre observando. Não passava um detalhe, conversava com todo mundo, orientando na marcação, sobre os espaços...Foram 60 anos dentro do futebol. Ele chamava a atenção por ter muita informação. Era completo. Acrescentava bastante no dia a dia."

O folclórico Joel Santana, à frente do Cruzeiro, é outro grande admirador do ex-treinador, a quem credita um fato importante no início da carreira. "Zagallo é uma história, não só no futebol brasileiro, mas no futebol mundial. Por incrível que pareça, no começo da minha carreira, o Zagallo trabalhava no Vasco e eu fazia um trabalho de auxiliar do clube. Fiz as estatísticas de um jogo e fui passar para ele. Ele me disse: 'Eu vou passar isso para os jogadores? Quem fez foi você, então passa'. Foi muito bom para mim, me deu condições de passar o que eu vi e estudei para os atletas. Foi uma oportunidade que ele me deu", recorda. "No Rio temos nos encontrado muito. Temos um local que vamos aos sábados, onde o Zagallo joga tênis (e joga muito bem), onde temos tempo de bater um papo, trocar ideias e falar sobre futebol. Uma pessoa marcante, tem uma bela historia como técnico e como jogador. Um dos maiores vencedores da história desse país."

Dupla com Parreira
O técnico Tite, atual vice-líder do Brasileiro pelo Corinthians, não se esquece de destacar a vibração demonstrada por Zagallo à frente das comissões técnicas. "Zagallo é um exemplo de saber vibrar, de amar aquilo que faz."

E exalta a química da parceria entre o Velho Lobo e Carlos Alberto Parreira: "A parceria Zagallo/Parreira não tem nada mais sublime no futebol. Nada é melhor do que essa parceria. A intensidade, a vibração, o amor pelas cores do Zagallo com os conhecimentos táticos do Parreira. Taí uma dupla que beira a perfeição."

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Zagallo no ano do tetra, em 1994
Outro que se derrete com Zagallo é Abel Braga, do Fluminense, que compara o Velho Lobo a Telê Santana. "O Zagallo para todo treinador do futebol brasileiro é mais ou menos o que significou o Telê. São os grandes mestres da nossa profissão para todo mundo. O Telê foi no passado e o Zagallo continua sendo", destaca. "O cara que mais participações teve em Copas do Mundo, que mais número de jogos tem à frente da seleção e que mais títulos conquistou. É referência e foi o técnico que alacançou o ápice como treinador na minha profissão."

Entre os jogadores, não é diferente. O volante Gilberto Silva, do Grêmio, que trabalhou com Zagallo na campanha da Copa de 2006, na Alemanha, destaca o espírito aguerrido do novo octogenário. "O mundo da bola deve muito ao Zagallo. É um brasileiro e tanto. Quando veste a camisa do Brasil, independentemente da função, defende o Brasil. É um guerreiro."

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Zagallo no ano do tetra, em 1994
O lateral-direito Alessandro, hoje no Corinthians, brilhou com Zagallo no Flamengo, em 2001. Ele se emociona ao falar sobre a importância do treinador em sua carreira. "Eu errava constantemente ao começar a jogar na lateral, que era uma posição nova pra mim. Ficava perdido na hora de fechar numa linha de quatro. Atacava junto com o lateral-esquerdo. Então ele parava o treinamento e tinha muita paciência. Essa paciência dele me fez com que aprendesse um pouco mais rápido a me tornar um lateral. São coisas que vou levar para o restante da carreira."

"Não fosse o Zagalllo com certeza não teria seguido nessa posição e talvez nem tivesse seguido como profissional. Na minha posição original (meia) tinham muitos rivais e não sei qual seria meu destino. Com ele aprendi bastante, virei um lateral de ofício e por onde passei consegui conquistar títulos".

Os mais jovens também homenagearam o ex-treinador. "O Zagallo é uma lenda, um exemplo para todos que gostam, praticam ou vivem do futebol. Inteligente, exerceu diferentes funções e deu sua contribuição por onde passou", disse o goleiro Victor, também do Grêmio.  

Leandro Damião, atacante do Inter, diz se espelhar no veterano. "O Zagallo serve de exemplo para todos nós, jovens, que temos como objetivo vencer na carreira. Foi um grande vencedor por onde passou."

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Zagallo no ano do tetra, em 1994

 * Colaboraram Bruno Winckler, Thales Soares, Hilton Mattos, Fred Machado, Marcello Pires, Hector Werlang e Gabriel Cardoso.

 

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