Publicidade
Publicidade - Super banner
Futebol
enhanced by Google
 

Torcedor no clássico de domingo, Maicosuel não acelera o retorno

Em entrevista ao iG, meia fala sobre lesão, ídolos, aposentadoria no Botafogo e seleção brasileira

Renan Rodrigues, iG Rio de Janeiro |

Se dependesse do torcedor, o meia Maicosuel já estaria em campo neste domingo, no clássico contra o Flamengo, no estádio Engenhão. Em fase final da recuperação de uma grave lesão no joelho, que o tirou dos gramados em setembro do ano passado, o meia do Botafogo já corre, chuta e treina normalmente com os companheiros. Porém, nada de precipitação. Preocupando em não queimar etapas e voltar completamente recuperado, o jogador descarta antecipar o retorno aos gramados.

Em entrevista exclusiva ao iG, Maicosuel fala sobre os momentos mais complicados da recuperação, declara amor ao Botafogo, diz que quer se aposentar na equipe carioca e que ainda irá buscar espaço na seleção brasileira. Além de se declarar fã dos goleiros Rogério Ceni e Marcos.

iG: Você já está treinando com bola e com o grupo. Acredita que pode antecipar o retorno aos gramados, que era previsto para junho?
Maicosuel: Não quero arriscar agora que falta pouco, não quero criar uma falsa expectativa. Foi uma lesão um pouco grave e os médicos deram nove meses de recuperação. Se eu voltar no mês que vem, será com sete meses, por isso tenho que ter um pouco de calma e cautela e seguir o planejamento. Quero voltar o mais rápido possível, mas falta um pouco mais de tempo. Tem que se precaver. Estou evoluindo bem e no mais tardar, volto em dois meses.

undefined
Momento da lesão, em setembro de 2010
iG: Como foi o trabalho físico especial para sua volta? Você fez um programa de fortalecimento?
Maicosuel: Não era muito fã de ficar na musculação, nunca gostava de fazer trabalho sem bola, queria sempre estar no campo, jogando, mas minha lesão mudou esse pensamento. No contato diário com os médicos e fisioterapeutas, entendi a importância de fortalecer a musculatura, de equilibrar os trabalhos com bola e com o físico. Até porque isso vai ajudar meu futebol, vou poder disputar as jogadas sem sofrer faltas. Devo voltar com um aumento de massa muscular, algo em torno de cinco quilos, que foi um trabalho especial, desenvolvido no tempo que fiquei parado. É importante para ter confiança na hora de voltar aos gramados também.

iG: Na primeira coletiva no Botafogo, o técnico Caio Júnior disse que havia conversado com você, e que ficou impressionado pelo fato de você dizer que ama o clube, que tem um carinho pelo Botafogo. Qual a diferença daqui para os outros clubes em que você atuou?
Maicosuel: Acho que não tem nem como falar o que tem de diferente. É diferente por alguma razão que eu não sei. O tratamento, ninguém é tratado como patrão e funcionário. Acho que isso é uma coisa legal. As ações de marketing que essa nova diretoria está fazendo. Tudo. Os torcedores me aceitaram bem. É como eu digo, eu me sinto em casa aqui. Você na sua casa, nunca vai querer sair, é um lugar que você sempre vai querer ficar com seus parentes. Até brinco que aqui é minha família, a família alvinegra. Todo mundo se gosta, todo mundo se cumprimenta. E você vê que é verdadeiro, não é uma coisa forçada que nem você vê em certos clubes. Pretendo ficar bastante tempo da minha carreira.

iG: Quando você foi vendido para o Hoffenheim, da Alemanha, em 2009, disse que não ter vencido o Campeonato Carioca daquele ano havia sido a maior decepção da sua carreira. Para se consolidar como ídolo da torcida, ainda falta um título?
Maicosuel: Por isso voltei, quero conquistar um título, devo isso aos botafoguenses. Quero fazer minha história nesse clube e me tornar um ídolo, como o Garrincha se tornou. Claro que nunca chegarei aos pés dele, mas um pouquinho de ídolo eu quero ser, conquistar alguns títulos. Ele é inigualável, intocável. O Botafogo me recebeu de uma forma que não tem nem como falar. Estou muito feliz aqui, amo esse clube de paixão. Posso jogar em vários clubes, mas esse clube vai ficar marcado na minha carreira pra sempre, por isso quero ficar marcado na história dele também.

iG: Do momento da lesão até agora, qual foi o período mais difícil? O momento em que soube a gravidade da contusão?
Maicosuel: Tudo um pouco. No começo, logo quando eu fui fazer a cirurgia, o doutor Luis Fernando disse que eu poderia ficar sem jogar bola, até porque a lesão foi muito grave. Depois da cirurgia também passei um tempo mal de saúde, de cama. Ir aos treinamentos e não poder treinar com os meninos. Todo dia eu estava aqui acompanhando o dia a dia do clube, vivendo tudo, mas via eles colocando a chuteira e eu não colocava, também era uma situação muito chata. Agora também. Eu sei que falta pouco pra voltar a jogar, ir lá, assistir, saber que você pode estar lá na partida e ao mesmo tempo não pode. E uma coisa meio difícil. Esses fatores me atrapalharam bastante nesse período da lesão.

iG: Você tem ficado depois dos treinos, treinando chutes com o colete pendurado no ângulo. A confiança e a mira já estão calibradas?
Maicosuel: Isso é uma mania, sempre gosto de ficar treinando faltas, chutes. Normalmente alguns companheiros também ficam, fazemos uma pequena disputa. É bom para ir preparando a mira (risos). Espero que eu volte acertando tudo.

iG: Só nesta temporada, jogadores como Luís Fabiano, Adriano e Liédson voltaram ao país. Você também fez o caminho de volta no ano passado. O futebol brasileiro está mais interessante que em anos anteriores, inclusive financeiramente?
Maicosuel: Sim, até porque aqui é nossa casa, e a gente quer sempre estar voltando para nossa casa. Fiquei um ano na Alemanha e foi uma experiência legal, não só pelo lado profissional, mas pessoal também. Aprendi um pouco mais as coisas da minha vida pessoal, mas chegou uma hora que falei ‘tenho que voltar para o Brasil, acho vou fazer minha carreira lá, meus objetivos eu posso conseguir lá’. Acho que todo mundo quer conseguir seus objetivos financeiros, e é até melhor fazer carreira lá fora, porque a gente sabe que ainda não tem como comparar o mercado de lá e aqui, mesmo com a diferença tendo diminuído. Mas aqui, se você se destacar um pouquinho, consegue ter a vida financeira legal. Procurei vir pra cá, que é minha casa, um time que eu gosto muito e terminar os objetivos que eu tinha quando tive minha primeira passagem pelo Botafogo.

AE
Recuperado, treinando com bola em março
iG: Você tem apenas 24 anos. Pensa em voltar a jogar na Europa?
Maicosuel: Eu tive essa experiência há pouco tempo na Alemanha e agora pretendo ficar aqui, cumprir meu contrato, que vai até 2014. Se vou renovar ou não, isso só vou saber lá na frente, é cedo demais. Mas por enquanto, pretendo ficar aqui, um lugar que eu gosto, até por tudo que eles fizeram por mim. É o que eu devo para eles, ficar mais um tempo aqui, jogar mais um tempo. Respeitar essa camisa. Pretendo ficar aqui, não pretendo sair agora não. Mas quem sabe mais pra frente, daqui alguns anos. Pode até acontecer.

iG: Mas é verdade que você pensa em se aposentar no Botafogo?
Maicosuel: Sem dúvida nenhuma. Quero construir minha história aqui, ser ídolo aqui e terminar aqui. Acho que todos os jogadores que conseguem fazer uma carreira num clube só, como o Rogério Ceni, o Marcos, são ídolos de todos. Eles são meus ídolos, também por isso, por conseguirem ficar numa equipe só. Vou procurar me espelhar neles, são dois caras que admiro muito, que tenho como base da minha carreira. Quero fazer minha história aqui, até porque já virei torcedor, então tenho que encerrar minha carreira aqui.

iG: Como é a sensação de virar torcedor? Você vê todos os jogos?
Maicosuel: É horrível, nossa. Não gosto de ir estádio, mas vou. Fico que nem um torcedor mesmo. Rodo a camisa, xingo, falo palavrão. Em casa eu estou com a minha filha e ela diz ‘papai vamos brincar’ e eu tenho que responder ‘brincar não filha, é hora do jogo, vai pra lá, vai’. Eu sou muito eufórico para essas coisas, então é difícil me controlar. Eu odeio assistir os jogos, odeio, odeio. Mas não consigo não assistir.

iG: Essa gratidão que você sempre destaca ao clube, também leva em consideração o alto valor que a diretoria pagou para contratá-lo?
Maicosuel: Eu tenho que reconhecer o esforço que eles fizeram na negociação. Para clubes brasileiros, foi um valor estipulado bem alto. E não só por isso. Agora na minha lesão, todos estiveram muito perto de mim, falaram que eu ia me tratar aqui, me recuperar aqui. Então eu tenho uma dívida de gratidão com esse clube por isso, não só pelo dinheiro que eles gastaram em mim, mas por tudo que eles me proporcionam aqui no aspecto humano.

iG: Mano Menezes tem dado muitas oportunidades para jogadores que atuam no Brasil, e ainda segue procurando um meia para a seleção. Você acredita em uma convocação?
Maicosuel: É um objetivo pessoal meu. Chegar à seleção e jogar uma Copa do Mundo também. Vou procurar fazer isso, vou estar vestindo e me empenhando com a camisa do Botafogo, primeiramente pensando no Botafogo, e automaticamente vou acabar me destacando na parte individual. A seleção pode vir como consequência mais para frente.

iG: O que deu errado na passagem pela Alemanha?
Maicosuel: É uma cultura muito diferente. A temperatura, a comida, a língua, tem vários fatores que atrapalharam um pouquinho. Mas não consegui, não tenho que ficar dando desculpas, inventando problemas, falando outras coisas. Não consegui, não me adaptei a forma deles jogarem. Acho que foi isso.

Leia tudo sobre: botafogocampeonato carioca 2011

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG