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Futebol
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Tite supera ameaça e diz estar satisfeito com rumo do Corinthians

Ao iG, técnico reconhece medo de perder emprego e atribui aos bons resultados e à relação com Andrés Sanchez permanência no cargo

Bruno Winckler, iG São Paulo |

Após cinco meses no Parque São Jorge, Tite ainda não tem seu Corinthians ideal, mas está orgulhoso do que conseguiu neste período. Em entrevista exclusiva ao iG, o treinador comentou sobre seu trabalho que já soma 26 jogos e disse que apesar da “ferida eterna” pela derrota precoce na Libertadores, está satisfeito com o que conseguiu construir no Corinthians desde outubro, quando assumiu a equipe após uma sequência de sete jogos sem vencer.

Tite recebeu a reportagem no CT do Parque Ecológico no início da noite de quinta-feira. E já dizia que mesmo que perdesse o clássico para o São Paulo, como acabou acontecendo, não via motivos para mudar de rumo o trabalho que vem fazendo. Tite comentou da boa relação que tem com o presidente Andrés Sanchez, com quem trabalhou na sua primeira passagem no clube, em 2004, e admitiu que sentiu medo de perder o emprego logo após a eliminação para o Tolima.

Confira abaixo parte da entrevista do treinador do Corinthians. Em outro trecho, Tite fala do preconceito que sofre por tentar falar bem e sobre a boa relação que conseguiu construir com os jogadores.

AE
Tite encontrou o Corinthians sem confiança quando assumiu e retomou o caminho das vitórias

iG: Em 26 jogos, você tem 15 vitórias, oito empates e três derrotas. O que estes números dizem para você?
Tite: Mostram que não foi fácil chegar a isso. Foi uma remontagem de três equipes. Quando cheguei a equipe estava sete jogos sem vencer, fora isso não tinha confiança. Vencemos cinco jogos e empatamos três de oito. E com índice de aproveitamento, neste período, que daria o título. Então esse foi o primeiro estágio. No segundo, perdeu o William e perdeu o Elias. Perdi a estrutura do meio campo, um jogador da categoria do Elias e eu não consegui repor. Paulinho não é. Ele é articulador, outra função e outra característica que não tinha dentro do plantel, tivemos de buscar outra forma de jogar. Buscar um ajuste de peças no mesmo sistema. E aí não encontrou e talvez este tenha sido o motivo maior de nós não termos passado pelo Tolima. Porque perdeu essa organização, esse jogar de cabeça baixa que nós tínhamos, o entrosamento que já vinha antes, do tempo do Mano (Menezes).

IG: E a saída do Ronaldo e do Roberto Carlos?
Tite: Aí foi o terceiro estágio de remontagem após saída de Ronaldo, de Roberto Carlos e de Jucilei, além do William e Elias. Estamos falando do maior centroavante da história, estamos falando do lateral-esquerdo que foi o melhor do campeonato (Brasileiro de 2010). Falando do William, capitão, do meia titular hoje da seleção brasileira, Elias, e do outro que está na seleção, Jucilei. E remontar, depois de uma saída de Libertadores, com um clássico no domingo (contra o Palmeiras, vitória por 1 a 0), e a equipe se reorganizar e agora estar se estruturando de novo, uma terceira equipe em 25 jogos que mesmo se não ganhar do São Paulo, mas jogar bem, mostrando bom desempenho, vou estar satisfeito.

iG: E isso é motivo de orgulho pessoal seu? Você não gosta muito de se auto vangloriar, mas o aproveitamento já é quase de 70%.
Tite: Sim. Eu, profissionalmente, sim, muito. Orgulho de mim e dos atletas. Não é isoladamente o técnico, ou só os atletas. Em tão rápido espaço de tempo poder dar essa resposta. Por isso falo de desempenho e de resultado. É a única forma que tu tem de buscar uma recuperação. Tenho orgulho. E faço questão de ressaltar. Esse trabalho trago com bastante orgulho sim.

iG: Teve algum momento da sua carreira que você passou por um momento tão tenso como foi aquele após a eliminação para o Tolima?
Tite: Os grandes clubes trazem essa marca. Essa exigência. E eu trago pra mim isso, de fazer o meu melhor. A pressão que eu tenho é interna e aqui no Corinthians tudo é maior, é mais. A primeira vez que passei aqui (entre 2004 e 2005) eu aprendi. Que ela é mais para cima quando se vence e mais para baixo quando se perde. Aqui é assim. Então a gente tem que aprender a conviver com isso, com essa pressão. Ficou marcado, ficou sentido, até hoje e por muito tempo vai doer, gostaria de ter trocado essa derrota por outra desses 25 jogos. A desclassificação foi justa após dois jogos. Nunca escondi. Gostaria que fosse diferente. A circunstância, como falei na resposta anterior, nessa remontagem, de ter apressado o processo de recondicionamento, não tinha outro caminho. Tinha que encontrar outra peça para o Elias e do William que saiu. Remontar a equipe naquele curto espaço aí sim era loucura. Com dois jogadores a menos o mais fácil seria manter pelo menos o esquema, mas infelizmente não deu certo.

iG: Mas você compara esse trauma com qualquer outro na sua carreira?
Tite: Com todo envolvimento, com as agressões que aconteceram, não. Não pela torcida, mas por algumas pessoas. E eu diferencio muito a torcida total do Corinthians de alguns vagabundos que fizeram o que fizeram. Dá para diferenciar isso muito bem. Esse nível, com esse grau de pressão, nunca tinha passado, não.

iG: Você teve medo de perder seu emprego logo após aquele jogo sabendo da responsabilidade de vencer o clássico contra o Palmeiras logo em seguida?
Tite: Sim. É uma situação natural. Naquele e nos dois, três próximos jogos. Sabia eu que por mais que fosse bem poderia sair. Tenho agradecimento ao presidente porque sei que no momento difícil ele me bancou, acreditou no trabalho. Assim como eu acreditei no trabalho do Corinthians quando empregado estava no Al-Wahda para disputar o Mundial de Clubes e abri a possibilidade. Também acreditei. Vamos reconduzir esse trabalho. Ele acreditou em mim, então tem esse acreditar por trás. Mas eu sabia que por mais de acreditar que o presidente tivesse, eu teria um curto espaço de tempo para reorganizar a equipe e obter resultados. A cultura do futebol brasileiro é essa.

iG: Na primeira declaração do Andrés após a eliminação para o Tolima ele disse que te bancaria, apesar da enorme pressão que sofreria pelo contrário. Como é a relação entre vocês?
Tite: Primeiro tem os diretores na hierarquia, tinha o doutor Mário (Gobbi) agora o Roberto (de Andrade), o Duílio (Monteiro Alves), teve o William, agora o Edu (Gaspar, gerente recém empossado) para fazer essa minha relação com o presidente. Ele veio diretamente a mim em momentos específicos e aí eu vou te contar o que aconteceu depois do jogo contra o Tolima. Ele entrou no vestiário e falou: “vamos abraçar e reconduzir esse trabalho?” e eu falei. “Sou parceiro como fui parceiro quando fui da primeira vez”. E aí ele falou: “Então vai, reconduz, que o que a gente tiver de remontar a gente vai fazer. Segue o trabalho, vamos embora”. Essa foi a palavra forte no vestiário. Que nós iríamos reconduzir, e esquecer. Deu, não dá para ficar chorando mágoa. Tem uma ferida eterna aqui, ela vai ficar, mas agora a gente tem que reconduzir. Não dá para ficar chorando.

iG: Essa confiança que você diz ter com o Andrés vem desde sua primeira passagem, quando ele era diretor de futebol, em 2004?
Tite: Essa pergunta ele pode te responder melhor. Mas seguramente é isso sim. Quando eu estava no Wahda me disseram que o Corinthians queria falar comigo. Veio a ligação, o presidente e eu direto, e a primeira pergunta que ele me fez foi: “Tite, tu quer vir para cá?” e eu disse: “Presidente, eu quero ir para aí”. Então ele disse, bom, viabiliza aí tua possibilidade de sair daí, mas nós termos a possibilidade. E aí a gente foi conduzindo. Ele sabia da minha palavra, que faria de tudo para vir. Minha palavra empenhada eu cumpro.

Futura Press
Treinador corintiano admitiu medo de perder emprego logo após queda diante do Tolima

iG: Houve essa mudança na gerência do futebol, saiu o William, que ficou pouco tempo e entrou outro jogador que foi comandado por você, o Edu. Você teme que o trauma deixado pela má experiência com o William atrapalhe o trabalho do Edu?
Tite: Não, sinceramente, não. A relação que tinha com o William permanece inalterada. De amizade e de respeito. Tem algumas coisas que elas não são da minha alçada. São da hierarquia superior. Eu não estou me isentando e sendo político. Tenho que ficar atento. Foi um momento na sequência de trabalho, uma conduta que se busca, possibilidade de trabalho que surja. Fico aventando situações, mas na verdade a gente nem sabe. Tanto ele (William) como Edu, que foram meus atletas, tiveram a possibilidade trabalhar e fazer esse canal de comunicação com a diretoria.

iG: Alguma coisa de errado aconteceu para o William sair. Para que isso não volte a acontecer você tem alguma sugestão?
Tite: Não, porque nem sei por que ele saiu. Volto a dizer. O que o gerente de futebol faz? Faz o elo de ligação comissão técnica e atleta e com os dirigentes. O elo de ligação é para cima. Comigo não tem problema nenhum.

iG: O Edu foi seu atleta e agora, na hierarquia, teoricamente você está abaixo dele. Isso dificulta a relação entre vocês?
Tite: Facilita. Porque a gente se conhece, sabe como eu penso, sabe da minha conduta, da minha forma de treinamento, sabe do grau de exigência que tenho, qual é o meu perfil, o que é o Tite quando externa, o que ele cobra, quando ele cobra.

iG: Responda esta pergunta com sim ou não. Você queria o Adriano no Corinthians?
Tite: Você quer me ferrar com essa pergunta aí. A direção sabe minha posição. Tenho opinião formada. Coloquei isso a eles de uma forma bem clara. Aliás, não agora. Coloquei isso lá no fim do ano, quando teve a primeira possibilidade do Adriano. Eu vou ser mais direto na resposta. Se eu digo, ‘eu quero o atleta’, eu o valorizo e dificulta para ao Corinthians na negociação. Eu boto a direção sob pressão. Eu o quero com algumas condições, primeiro ele tem que se comprometer, ele tem que abraçar um compromisso, uma causa de se recuperar. Assim como quando eu vim. Perguntaram se eu queria, eu disse quero, com convicção. Se o Adriano tiver esse comprometimento, em contrato... tudo bem. (NR: Tite deu esta declaração antes de o Corinthians confirmar a contratação de Adriano)

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