Técnicos de Corinthians e São Paulo já foram muito contestados em 2011

Os técnicos de Corinthians e São Paulo já se acostumaram às críticas. Antes de alcançarem a atual boa fase, que será colocada à prova no clássico deste domingo, no Pacaembu, Tite e Paulo César Carpegiani enfrentaram uma série de cobranças de torcedores (em alguns casos, até de dirigentes) neste ano.

A temporada começou pior para Tite. Com o emblemático fracasso na pré-Libertadores, diante do colombiano Tolima, o corintiano virou um dos alvos prediletos de protestos violentos feitos por membros de torcidas organizadas. Foi chamado de "burro" e "incompetente" e viu o seu nome pichado ao lado de ofensas nos muros do Parque São Jorge.

Assim como havia procedido com Mano Menezes, hoje comandante da seleção brasileira, o Corinthians decidiu dar um voto de confiança a Tite. O presidente Andrés Sanchez sabia que não tinha muitas opções no mercado e apostou no gaúcho para liderar uma reformulação em meio ao Campeonato Paulista, já sem os astros Ronaldo e Roberto Carlos.

Coloque seu time em 1º no ranking da Torcida Virtual do iG Esporte

Naquela época, Carpegiani era incontestável no Morumbi. O São Paulo largou bem no Paulistão e encerrou a primeira fase na liderança - destaque para a vitória em clássico contra o Corinthians de Tite, que contou com o centésimo gol (segundo as contas do goleiro) de Rogério Ceni e a quebra de um tabu de cerca de quatro anos sem derrotar o rival.

Carpegiani adotou clima de mistério nesta sexta antes de clássico
Vipcomm
Carpegiani adotou clima de mistério nesta sexta antes de clássico

Tite conseguiu se reerguer depois do tropeço contra o São Paulo. Na semifinal diante do Palmeiras do também gaúcho Luiz Felipe Scolari , de quem se tornou desafeto, o treinador corintiano mostrou personalidade à beira do gramado do Pacaembu. "Fala muito! Fala muito!", berrou para o expulso Felipão, pronunciando cada sílaba vagarosamente, em declaração marcante. Sua equipe venceu na disputa por pênaltis.

O problema para Corinthians e São Paulo na reta final do Estadual foi o mesmo: o Santos. O time que se sagrou campeão da Copa Libertadores da América na última quarta-feira bateu o grupo de Carpegiani no Morumbi e o de Tite na decisão na Vila Belmiro, deflagrando nova instabilidade para os rivais.Para Carpegiani, a crise aumentou com a surpreendente eliminação na Copa do Brasil, contra o Avaí, e o desentendimento público com o pentacampeão mundial Rivaldo. O presidente Juvenal Juvêncio chegou a dar indícios de que o técnico seria demitido, porém assegurou a permanência dias depois, apesar da forte pressão nos bastidores até por parte de dirigente.

A sobrevida para Tite e Carpegiani veio no Campeonato Brasileiro. Seus times ainda estão invictos na competição e voltaram a ser elogiados. "O momento é bom para os dois. Vejo equilíbrio. O Paulo, por exemplo, vem mantendo o seu grupo há bastante tempo e sabe usar as peças de acordo com as características", elogia o treinador do Corinthians. "Futebol é momento. É muito bom trabalhar em cima de vitórias", complementa o líder do São Paulo.

Ainda assim, Tite sabe que precisa de algo além de um bom início de campeonato para ter maior aceitação no clube do Parque São Jorge. "Falta um título no futebol paulista, sim. Não recebo perguntas desse tipo no Rio Grande do Sul, onde fui campeão", observa o técnico, que nunca levantou um troféu por um clube de outro Estado. "Mas, com o elenco que está sendo formado, o Corinthians vai bater campeão neste ano ou no próximo."

Carpegiani adotou clima de mistério nesta sexta antes de clássico
Vipcomm
Carpegiani adotou clima de mistério nesta sexta antes de clássico

Já Carpegiani tenta não dar atenção a quem lhe critica. "Não tenho essa preocupação. Sei do meu valor. O que manda é resultado. Contra o Santos, na semifinal do Paulista, tivemos cinco desfalques. Depois, a derrota para o Avaí culminou no assunto demissão. Só que nunca pensei muito nisso. Estamos tentando colher as vitórias para trazer a torcida de volta, o que é natural", simplifica.

Para seguir em alta, é necessário vencer clássicos. A começar pelo deste final de semana. "Todos os jogos servem como prova. Contra o Corinthians, por mais que seja uma partida diferente, valem os mesmos três pontos das outras rodadas. Não adianta vencer agora se não ganharmos novamente depois", adverte Paulo César Carpegiani.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.