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Fundação: 14 de abril de 1912 Santos-SP Estádio: Urbano Caldeira (Vila Belmiro) Capacidade: 20.120 pessoas Presidente: Marcelo Teixeira Site oficial: www.santosfc.com.br


Santos Futebol Clube


Poderíamos começar dizendo simplesmente “o time que revelou Pelé” e seguir daí. Mas, além de ferir as doutrinas cartesianas da ordem cronológica que impera por aqui, ainda iríamos acabar partindo para uma biografia do homem, ou no mínimo da Era Pelé, e não do clube. Com isso, seríamos injustos. Porque, por maior que Pelé tenha sido, o Santos tem glórias o suficiente conquistadas antes e depois dele (ou d’Ele?) para ter lugar de honra na galeria dos grandes clubes do Brasil.

Tudo começou em 1912, dia 14 de abril, quando Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior organizaram uma reunião no Clube Concórdia de Santos para decidir sobre a criação de uma agremiação dedicada ao futebol. Entre uma série de propostas – como “Brasil Atlético”, “Euterpe” e manter o nome “Concórdia” – imperou a lógica direta e reta. Clube de futebol, em Santos, que fosse Santos Futebol Clube mesmo.

Uma coisa é montar um clube, outra é reunir as camisas, juntar a garotada, acertar o calendário e colocar um time no campo para valer. O processo todo demorou quase seis meses: em 23 de junho houve o primeiro jogo-treino, contra o Thereza Team; só no dia 15 de setembro o Santos fez seu primeiro jogo oficial – vitória de 3 x 0 sobre o Santos Athletic Club, mais famoso como Clube dos Ingleses, que existe até hoje, sem time de futebol profissional. Tudo ia caminhando até que bem a não ser por um detalhe bem perceptível: branco, azul e dourado não eram exatamente as cores que mais combinavam no planeta e, além do mais, produzir uniformes com detalhes em dourado não era tarefa fácil na época. Foi então que o sócio Paulo Pelúccio, no dia 13 de março de 1913, fez uma nobre sugestão, embasada na representação “da paz e da nobreza”. Pronto. Preto e branco, quer combinação mais fácil? Com quase um ano de vida, o Santos podia enfim virar o “alvinegro praiano”.

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Araken Patuska
Demorou para o Santos engatar a ponto de ser uma força do futebol paulista (e não apenas da Baixada; dos clássicos contra o Jabaquara e a Portuguesa). Mas ainda assim o clube foi pródigo em ídolos de primeira grandeza desde o começo: um dos primeiros foi Ary Patusca, que vestiu a camisa entre 1915 e 23. No mesmo ano em que saiu, começou a formar-se o “Ataque dos 100 Gols”, com a chegada de seu irmão Araken Patusca, na época com 16 anos. Mais tarde chegaria outro astro, Feitiço, e era esse o carro-chefe da linha de frente que foi três vezes vice-campeã paulista, entre 27 e 29 – sempre chamando atenção pela profusão de gols marcados. Siriri, Camarão,Feitiço, Araken Patusca e Evangelista. Os cinco nomes assim, nessa ordem, caíram na boca do povo. Era a primeira vez que acontecia isso com um ataque do Santos, mas não a última.

Deu para perceber que já se vão uns bons anos desde a fundação e ainda nada de título paulista. Foi assim durante 22 anos, para ser exato. Só em 1935 a segunda passagem de Araken pelo Peixe rendeu a taça: ele marcou o segundo gol na final contra o Corinthians, no Parque São Jorge, que os santistas venceram por 2 x 0 para acabar com o jejum. Com o primeiro jejum, é bom dizer. Porque não era moleza se manter vivo naquele futebol ainda meio amador. Daquela taça até a seguinte foram mais 20 anos secos. Só que, quando a porteira se abriu, era o início de uma dinastia. Primeiro, foi o bicampeonato 1955-56, que já trouxe consigo gente que ainda faria muita história, como o goleiro Manga, Formiga, Zito, Del Vecchio e Pepe - até hoje o maior artilheiro da história do clube, se contados apenas os seres humanos.

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Equipe do Santos em 1956, antes de Pelé estourar para o mundo

Porque, por falar nisso, já estamos em 1956, e é agora que o rapaz trazido de Bauru por Valdemar de Brito, a princípio sob o apelido “Gasolina”, entra em cena. É hora de parar e pensar bem o que fazer: se começarmos a explicar o que realmente foi a chamada “Era Pelé” – mas que na verdade foi um fenômeno astronômico irrepetível, que alinhou uma série de astros justo ao lado do maior de todos deles  -, não vamos terminar isto aqui hoje. Que seja um resumo rápido e caótico, portanto, do que foram aqueles 18 anos.

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Pelé, o rei do futebol
Em toda a década de 60, o Santos só perdeu um Campeonato Paulista, o de 63. Entre 57 e 68, o time manteve um histórico tabu de não perder para o Corinthians. Pelé estraçalhou todos os recordes possíveis de gols: foi artilheiro do Paulistão 11 vezes, em uma delas com absurdos 58 gols. De 61 a 65, só deu Santos na Taça Brasil – o que havia de mais parecido  com o Campeonato Brasileiro. Dono de boa parte da Seleção campeã na Suécia em 58 e no Chile em 62, o Santos alçou seu nome ao exterior com a conquista de duas Libertadores e dois títulos Intercontinentais consecutivos, em 62 (derrotando Peñarol e, depois, Benfica) e 63 (Boca Juniors e Milan). O mundo ficou aos pés de Pelé e do Santos. Tanto que o time passava mais tempo fora do Brasil do que aqui: fez excursões por toda parte e até foi motivo de trégua na Guerra do Congo Belga, em 1969. O clube, o futebol e o mundo do esporte nunca mais foram os mesmos depois da tal “Era Pelé”. Que levava o nome de um homem só, mas foi responsável pela linha de ataque mais famosa do Brasil (Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe) e que na órbita do camisa 10 incontáveis coadjuvantes que seriam protagonistas em qualquer outra equipe de qualquer outra época, como Gilmar dos Santos Neves, Mauro Ramos de Oliveira, Pagão, Toninho Guerreiro, Edu e Clodoaldo.

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Serginho Chulapa no Santos
Mas uma hora Pelé tinha que parar. E todo mundo sabia que uma adaptação dessas não ia ser fácil. Ela até pareceu ser, com uma geração que passou voando: Juari, Pita, Aílton Lira... Eram os “Meninos da Vila” vencendo o Paulista de 78. Parte dela ainda permaneceu para o título de 84, carregado em boa parte pela enorme chuteira do artilheiro Serginho Chulapa, autor do gol do título contra o Corinthians. Mas, então, foi a vez de outra longa espera. Um jejum que não tem data exata para acabar: seria justo e merecido que terminasse em 95, quando um camisa 10 voltou a encantar a Vila Belmiro. Giovanni fez o que parecia impossível e juntou torcedores de clubes rivais para torcerem pelo Peixe na fase final daquele Brasileiro, mas não fez o que realmente começava a dar pinta de que nunca aconteceria: trazer um troféu novo para a lotada sala do clube. O Botafogo de Túlio e uma controversa arbitragem deixaram o Santos com o vice-campeonato.

Quando o jejum finalmente terminou? Depende de para quem você pergunta. Os santistas comemoraram as taças do torneio Rio-São Paulo em 97, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. No ano seguinte, ganhou a Copa Conmebol. Só que o pessoal ainda não estava 100% convencido (pelo menos não os rivais) – afinal, trata-se de duas competições sem tradição ou continuidade (as duas, por sinal, não existem mais). Redenção de verdade, volta aos bons tempos, veio com a equipe jovem comandada por Emerson Leão no Brasileiro de 2002. O time que encantou o suficiente para ser conhecido no futuro simplesmente como “o Santos de Diego e Robinho” – um sinônimo de futebol vistoso e atrevido, iconizado para sempre na emblemática série de pedaladas de Robinho para cima de Rogério na decisão contra o Corinthians.

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Diego e Robinho fizeram uma dupla "atrevida" no Santos em 2002 e 2003

Parte da equipe se foi, mas, com quem restou – como um amadurecido Robinho -, chegou-se a mais uma conquista nacional, em 2004. O tabu específico de não vencer o Paulistão acabou em 2006, com o time de Fábio Costa e Maldonado, e por via das dúvidas foi repetido no ano seguinte, com a contratação de Zé Roberto. Já não tinha mais jeito de discutir: Pelé inteiramente à parte, o Santos é um clube vencedor.


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