Fundação: 14 de agosto de 1920 São Paulo-SP Estádio: Dr. Osvaldo Texeira Duarte (Canindé) Capacidade: 19.590 pessoas Presidente: Manuel da Conceição Ferreira Site oficial: www.portuguesa.com.br
Associação Portuguesa de Desportos
A comunidade lusitana já era participativa no esporte paulista lá para os idos de 1920, quando foi fundada a “Associação Portuguesa de Esportes”. A agremiação era o resultado de uma enorme fusão entre cinco outros clubes de, digamos, motivos portugueses – Luzíadas Futebol Club, Associação 5 de Outubro, Esporte Club Lusitano, Associação Atlética Marquês de Pombal e Portugal Marinhense. Para suas primeiras participações no torneio estadual, a Portuguesa se uniu ainda à Associação Atlética Mackenzie. Só em 1923 é que uma equipe denominada unicamente Portuguesa entrou para a lista de participantes – e o “esportes” do nome viraria “desportos” bem depois, em 1940.
O clube nasceu de forma amadora, convocando jogadores por meio de anúncio nos classificados do jornal – e prometendo pagar o dinheiro da condução, que na época era o bonde. Mas já em 25 a Portuguesa contava com seu próprio campo, comprado junto à União Artística e Recreativa Cambuci – isso embora a estréia lá dentro não tenha sido animadora: derrota por 5 x 0 para o Germânia. O que ficava claro era que a Lusa crescia rapidamente e levava a sério aquela coisa de ser clube de futebol. Antes mesmo de seu primeiro título, o time já tinha um grande ídolo, o goleiro Batatais, que fez fama tanto por sua qualidade quanto pelo bom-mocismo que o levou ao prêmio Belfort Duarte.
O primeiro título paulista não tardou muito a chegar e, quando veio, foi em dose dupla. Com Fiorotti, Duílio, Barros, Frederico e o artilheiro Carioca, a Portuguesa foi campeã em 35, numa decisão controvertida diante do Ypiranga. A primeira partida estava empatada em 2 x 2, quando os adversários abandonaram o campo, indignados com a arbitragem. Os pontos foram computados para a Lusa, que, na dúvida, venceu a partida seguinte por 5 x 2 e ficou com o troféu. Em 36, outra vez com Carioca como goleador, veio o bicampeonato.
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| Djalma Santos na Lusa |
Depois daquela série de títulos, outro período de boas campanhas, mas que resultaram na revelação de jogadores, não em títulos. O centroavante Servílio, por exemplo, marcou impressionantes 34 gols no Paulitão de 1959. Só não foi o artilheiro porque na mesma época o Santos tinha um rapaz bom de bola usando a camisa 10, que marcou 44 vezes. Mais à frente, em 65, três jogadores que fariam fama no futebol brasileiro chegaram juntos à Portuguesa: Leivinha, Zé Maria e Marinho Peres. Durante esse período, as categorias de base começaram a forjar outra geração de sucesso. A Lusa faria algo admirável: conseguiria realizar as obras para transformar o Canindé num estádio de verdade sem, para isso, abrir mão de conquistas. Foi quase simultâneo: em janeiro de 72, um amistoso contra o Benfica inaugurou o primeiro anel do estádio, com capacidade para 10 mil pessoas. No ano seguinte, começou a construção do segundo anel. E foi justamente aí, em 73, que a Portuguesa voltou a levantar uma taça.
Levantou. Mas, se você for checar nos registros do Santos, vai ver que o time de Pelé e Edu também tem lá, anotadinho em seu currículo, “campeão paulista de 73”. Uma das decisões estaduais mais famosas de todos os tempos não teve nenhum dos craques do Peixe como protagonista, nem qualquer dos membros do excelente time da Lusa, como Badeco, Basílio, Cabinho e, principalmente, o ex-futuro-Pelé Enéas. Após o empate por 0 x 0, a decisão do título foi para os pênaltis. Com 2 x 0 de vantagem para o Santos e tendo a Portuguesa ainda duas cobranças para realizar, o árbitro Armando Marques, que não tinha na Matemática uma de suas grandes armas, deu a decisão por finalizada. Houve protestos, claro, e no dia seguinte a Federação Paulista de Futebol optou por dividir o título entre os dois clubes.
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| O atacante Enéas brilhou no time da Portuguesa e marcou época |
Desde aquela década de 70, a Portuguesa passou a variar sensivelmente entre realizar grandes campanhas – fosse no Paulista ou no Brasileiro – e a passar quase desapercebida, quando não lutando para se manter na elite. A próxima geração marcante foi aquela comandada por um camisa 10 que, se não chegou a ter o brilho que num momento se esperou dele, fez uma bela carreira no Brasil e no exterior: Edu Marangon foi criado nas categorias de base da Lusa e estreou na equipe principal em 84. Fez parte do time vice-campeão paulista em 85 e deixou o clube em 88, mesmo ano da chegada de um dos maiores ícones do clube. Durante uma década, foi quase impossível ler a escalação da Lusa sem se deparar com seu nome – Capitão, que se tornou o jogador que mais vezes vestiu a camisa da Lusa.
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| Dener encantou o Brasil |
Aquela geração passou, mas as categorias de base da Portuguesa não secaram; longe disso. No ano de 95, em que Paulinho McLaren foi artilheiro do Paulistão, começava a tomar forma um grupo que transformou a Lusa em “namoradinha do Brasil” e conseguiu a façanha de juntar um bocado de corintianos, palmeirenses, são-paulinos e santistas. Era difícil encontrar alguém que não torcesse para que o time de César, Zé Roberto e Rodrigo Fabri fosse o campeão brasileiro de 96. E faltou pouquíssimo: uma vitória de 2 x 0 no primeiro jogo da final contra o Grêmio parecia ter decidido o título. Só que a fama de sofredora da Lusa não é totalmente gratuita. Um gol marcado aos 38 do segundo tempo acabou com o sonho.
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| Rodrigo Fabri na campanha do vice-campeonato Brasileiro de 1996 |
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| O atacante Diogo em 2008 |
*Atualizada em 11 de junho de 2008




