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Fundação: 7 de abril de 1901 Recife-PE Estádio: Eládio de Barros Carvalho (Aflitos) Capacidade: 23 mil pessoas Presidente: Maurício Cardoso Site oficial: www.nautico-pe.com.br


Clube Náutico Capibaribe


Nem que quisesse, não teria como o clube esconder que sua especialidade, a princípio, não era o futebol. Afinal, não é à toa que uma agremiação se denomina “Náutico” – sinal de que a vida era levada sobre as águas. No caso, as águas do rio Capibaribe, onde desde 1901 o Clube Náutico Capibaribe é nome de tradição na disputa do remo, que na época era esporte popular.

O futebol não apenas não era o carro-chefe como era algo deliberadamente deixado de lado. Em 1906, um grupo de ingleses começou a organizar bate-bolas semanais, aos domingos. Mas o clube não fazia questão nenhuma de apoiar. Conta-se que a modalidade só foi aceita para não deixar a turma de ingleses contrariada. As primeiras menções mais sérias – encontradas no jornal Pequeno de 1909 - dão conta de um “match-training” que dava início às atividades futebolísticas do clube, “com a presença dos arrojados footballers R. Maunsell, Hermann Ledebour, João Drayer e Artur Ludgren”. Tudo muito bonito e curioso, mas a verdade é que serviu de pouco. A Liga Recifense de Futebol foi criada em 1914, mas o clube não teve interesse e fazer parte. No ano seguinte, quando foi a vez da Liga Sportiva Pernambucana, aí sim o alvirrubro ingressou. Só que tudo era feito aos poucos, sem muito interesse, aumentando lentamente.

A história só mudou de figura quando o profissionalismo passou a ser a tônica no futebol brasileiro. E, tão logo isso aconteceu, o Náutico chegou a seu primeiro título estadual, em 34 – na equipe liderada pelo atacante Fernando Cavalheira, até hoje o segundo maior artilheiro da história do clube. Conta-se que foi justamente nesse ano, numa partida contra o América, que aconteceu o episódio que fez do timbu (um marsupial típico da Zona da Mata pernambucana) o símbolo da equipe. Chovia, fazia frio (para os padrões pernambucanos) e o vestiário do campo da Jaqueira não estava em boas condições. Então, o Náutico permaneceu no centro do gramado, até onde um dirigente foi, levando consigo uma providencial garrafa de conhaque – para que cada jogador desse uma golada e, assim, agüentasse o frio. A torcida rival começou um grito de “Timbu!Timbu!”. Isto porque a sabedoria popular da época contava que, se deixado um copo de cachaça num local onde o tal bichinho se alimenta (como um galinheiro), ele enche a cara e amanhece de ressaca. A equipe ouviu calada, marcou 3 x 1 e, na saída, devolveu o gracejo, aos gritos de “Timbu, 3 a 1!”. Estava criado um simpatissíssimo apelido.

Tanto importância do futebol era outra que, no ano em que conquistou seu segundo título, 1939, o Náutico inaugurou o seu próprio estádio, no bairro dos Aflitos. Era necessário, porque a popularidade aumentava nos anos 40, quando surgiu Orlando Pingo de Ouro. Em seguida veio uma década prolífica de 50, que começou com um tricampeonato e teve como grande ídolo o atacante Ivson, autor de 118 gols em 159 partidas entre 52 (quando o título estadual foi invicto) e 57.

Divulgação
Equipe do Náutico que conquistou o hexacampeonato do Pernambucano

Mas os tempos de verdadeiro domínio do Estado ainda estavam por vir. Foi na década de 60 que o Timbu estraçalhou todos os recordes e se sagrou hexacampeão pernambucano: entre 63 e 68. Durante esse período, despontou o maior artilheiro do clube em todos os tempos, Bita. Sílvio Tasso Lassalvia foi artilheiro do pernambucano três vezes  (entre 64 e 66) e comandou o “ataque das 4 letras”, ao lado de Nado, Nino e Lala. No total, marcou 221 gols em 319 partidas com a camisa vermelha e branca.

A década mais brilhante da história do Náutico serviu não apenas para conquistar Pernambuco, mas dar à equipe projeção nacional. Além do tricampeonato da Copa Norte, entre 65 e 67, o time teve uma série de grandes participações na Taça Brasil (o torneio precursor do Campeonato Brasileiro), a principal delas o vice-campeonato de 67, que levou o Timbu à Libertadores da América. Um ano antes, o clube fez um dos maiores jogos de sua história contra o Santos de Pelé, no Pacaembu. Com quatro gols de Bita, os pernambucanos marcaram 5 x 3. Durante esse período, o Náutico somou incríveis 85 jogos de invencibilidade dentro de seu estádio – entre novembro de 63 e março de 69.

Gazeta Press
Jorge Mendonça em 1974
A vida nunca foi de tantas vitórias quanto naqueles tempos, mas o Náutico voltaria a viver momentos isolados de muito destaque. No princípio da década de 70, pouco depois da saída de Marinho Chagas, o clube montou a equipe que conquistou o único título daquela década, o estadual de 74. Mas o feito foi alcançado de forma tão brilhante que até hoje é um dos grandes momentos da história do clube: contando com Jorge Mendonça em seu ataque, o alvirrubro permaneceu invicto durante 42 partidas (de agosto de 74 a maio de 75). Tem mais: o goleiro Neneca passou 1636 minutos de bola rolando sem tomar um gol sequer – um recorde mundial.

Apesar de não ter conquistado nenhum título entre 82 e 83, foi nessa época que mais brilhou outro dos grandes ídolos alvirrubros. Baiano (que era capixaba) estabeleceu um recorde de 40 gols marcados no Campeonato Pernambucano. Não satisfeito, repetiu o feito, com o mesmo número de gols, no ano seguinte. Nas duas temporadas que se seguiram, 84 e 85, o Náutico conquistou o bicampeonato estadual. Com o advento da Copa União de 87, a equipe foi parar no equivalente à segunda divisão, mas foi por pouco tempo: em 88 o Timbu foi vice-campeão da série B e voltou à elite. Foram os anos de outro artilheiro, Bizu: ele foi o segundo maior artilheiro do Brasileirão de 89 e o maior goleador do País na temporada seguinte, quando liderou a lista de artilheiros do Pernambucano e também da Copa do Brasil, quando marcou 7 gols na campanha do Náutico até a semifinal. Ao lado de Nivaldo, formou uma das linhas de frente mais memoráveis para o torcedor alvirrubro.

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Kuki se transformou em um dos maiores ídolos da história do Náutico

A irregularidade nas campanhas nacionais acabou levando à queda para a segunda divisão em 94, quando o Náutico terminou o Brasileiro em 24º e último lugar. Em 99, o patamar abaixou tanto que o Timbu chegou a ser relegado à série C.

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Acosta marcou 19 gols em 2007
Foi apenas por um ano, mas era o sinal de que, no século 21, as coisas teriam que mudar. A começar pelo bicampeonato estadual de 2001 e 02. Comandado por mais um grande ídolo no ataque – o centroavante Kuki -, a equipe passou a figurar constantemente entre as melhores da série B. Em 2005, esteve a um passo (ou a dois pênaltis perdidos, ou a um gol milagroso de Ânderson) de superar o Grêmio na “Batalha dos Aflitos” e voltar à elite. Precisou esperar mais um ano: com uma vitória por 2 x 0 sobre o Ituano, a equipe de Nildo, Sidny e Felipe ganhou acesso à primeira divisão após quase 13 anos. O 15º lugar no retorno, em 2007 não foi brilhante, mas contou com um belo segundo turno e, como sempre, com um artilheiro de destaque: o uruguaio Acosta foi o segundo maior goleador do Brasil, com 19 gols, e manteve o Náutico onde o clube se acostumou a estar: entre os melhores do País.


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