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Fundação: 12 de outubro de 1909 Curitiba-PR Estádio: Couto Pereira Capacidade: 37.182 pessoas Presidente: Jair Cirino dos Santos Site oficial: www.coritiba.com.br/php


Coritiba Foot Ball Club


A garotada esportista que gostava de se reunir no Clube Ginástico Tuverein de Curitiba levou um susto quando um dos membros da turma, Frederico “Fritz” Essenfelder, voltou de uma viagem a Pelotas em 1909 cheio de histórias para contar. Mais do que histórias, ele trouxe um objeto: controlou-o com a cabeça, chutou para cima meia-dúzia de vezes com os dois pés e fez enfim a apresentação formal: “senhores, eis uma bola de foot-ball”. Todo mundo se olhou incrédulo antes de ouvir a explicação: era um esporte surgido na Inglaterra que começava a ganhar adeptos no Rio Grande do Sul.

Aquele grupinho até que se animou com a idéia de praticar a nova modalidade – principalmente quando soube da existência do Club de Foot-Ball Tiro Pontagrossense. Conseguiram um terreno entre as ruas João Negrão e Marechal Floriano e o transformaram num campo de treinamento. Em 23 de outubro de 1909, foi marcado o primeiro jogo da história da agremiação, contra a equipe de Ponta Grossa. Apesar da derrota por 1 x 0, os garotos se entusiasmaram. E tomaram coragem para reclamar do pessoal do Turverein, que não dava muita bola para os futebolistas. Reuniões e reuniões depois, decidiu-se pela criação de um novo clube, o que acabou acontecendo em 30 de janeiro de 1910: o Coritibano Foot-Ball Club. A data de fundação, porém, continuou sendo 12 de outubro de 1909, data em que foi oficializado o convite para o amistoso em Ponta Grossa.

A primeira partida de futebol realizada na cidade de Curitiba (que na época ainda se grafava “Coritiba” ou “Curityba”; daí o nome do clube ser com a letra “o”) foi uma retribuição àquele que havia se tornado o Ponta Grossa Foot Ball Club. Em 12 de junho de 1910, houve a revanche daquele amistoso inaugural, e dessa vez o Coritibano venceu por 5 x 3. O futebol foi se alastrando e ficando popular: em 1915, o time disputou seu primeiro torneio, o Campeonato da Cidade. No ano seguinte, venceu a segunda edição do Campeonato Paranaense, com o time que tinha Maxambomba como grande destaque. Foi nessa época que o time começou a mandar seus jogos no Parque Graciosa, no bairro do Juvevê.

Durante a segunda metade dos anos 10 e o começo dos anos 20, não era fácil torcer para um time paranaense que não fosse o Britânia. O clube conquistou seis títulos estaduais consecutivos e adiou a conquista seguinte do “Cori” (que era o apelido do Coritiba na época) em mais de 10 anos. Com shows de Staco, Emílio e Ernesto o alviverde foi campeão em 27. E então veio uma histórica década de 30, quando, além de quatro títulos paranaenses – nos quais se destacaram os artilheiros Pizzatinho, Levorato, Joãozinho e Sardinha -, o clube inaugurou o estádio Belfort Duarte, em 19 de novembro de 1932.

Na medida em que o Coritiba se firmava como um gigante do futebol paranaense, ficava claro também quem era o grande rival: o Atlético Paranaense. O primeiro duelo entre os dois foi ainda em 1924, quando os alviverdes venceram por 6 x 3, com direito a quatro gols de Ninho. A primeira decisão estadual entre os dois foi em 41, quando, após ter vencido por 3 x 1 fora de casa, a equipe levantou a taça com uma vitória por 1 x 0, gol de Neno – que seria artilheiro do estadual naquela temporada e nas duas seguintes. Foram também os rubro-negros os responsáveis por criar o apelido “coxa-branca”. Num Atletiba de 1939, Jofre Cabral e Silva – torcedor fanático do Atlético e que futuramente seria presidente do clube – desatou a provocar o zagueiro do Coritiba Hans Egor Breyer.

Divulgação
Fedato brilhou nos anos 40 e 50
Era o início da Segunda Guerra Mundial, e a imagem da Alemanha nazista não era das mais favoráveis. Então, entre gritos de “quinta coluna” e daí para baixo, num dado momento Jofre começou a caçoar das coxas brancas do zagueirão, que era alemão como só ele. O apelido pegou, de forma pejorativa. Mas a torcida e o presidente do clube, Couto Pereira, perceberam que o melhor jeito de acabar com a provocação era abraçá-la: o Coritiba adotou a alcunha, e passou a ser mesmo “Coxa”. E com orgulho.

Durante o período em que tinha em Fedato o seu grande símbolo, o Coxa venceu mais um caminhão de títulos estaduais: 46, 47, 51, 52, 54, 56 e 57. O zagueiro participou de todas essas conquistas e até hoje é o maior vencedor da história do clube. Com Duílio como sinônimo de gols (ele foi artilheiro do Paranaense quatro vezes), o Coritiba viveu uma década de 60 instável, com um título em 1960 e outro apenas oito anos depois. A década de 70 começa com planos para aumentar o estádio Belfort Duarte e com contratações chamativas como Rinaldo, Joel e Hidalgo. Deu certo. Foi um período inesquecível para todo torcedor do Verdão: em 12 temporadas – de 68 a 79 -, o time foi campeão paranaense dez vezes, incluindo aí o hexacampeonato 71/76.

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Jairo na história do Coxa
O goleiro Jairo se consagrou como atleta que mais vezes defendeu a camisa do Coritiba. O meia Krüger também deixou seu nome marcado.

Nesse período, além do sucesso estrondoso dentro do Paraná, o Coritiba se torna presença constante entre as melhores equipes do Campeonato Brasileiro. Nas primeiras três edições do torneio, o clube fica entre os dez primeiros colocados. Um pouco mais adiante, em 79 e 80, chega duas vezes à semifinal, graças à força ofensiva de Freitas, Luís Freire, Duílio, Aladim e Escurinho. A má performance no estadual leva o time à disputa da Taça de Prata – equivalente à segunda divisão – em 82 e 83, mas a seqüência de sucesso é retomada em 84, quando se forma a base para a maior conquista da história do clube.

Coritiba, Bangu e Brasil de Pelotas. Hoje, se alguém aposta nesses como os três primeiros de um Campeonato Brasileiro, pode ir para o hospício, sem escalas. Os dois últimos, realmente, passaram como uma estrela cadente antes de voltar à condição de coadjuvantes. Mas, para o Coxa, 1985 foi histórico; a consolidação daquilo que as boas campanhas dos anos anteriores vinham mostrando ser possível. No Maracanã, com a torcida contrária, o time do goleiraço

Campeão Brasileiro no Maracanã em 85
Rafael, do lateral Dida, de Lela, Heraldo e Índio empatou em 1 x 1 no jogo final contra o Bangu e levantou a taça brasileira da forma mais sofrida: nos pênaltis.

A princípio, a impressão era de que também o Coritiba na elite brasileira era apenas uma ilusão. Em 88, o time quase caiu para a segunda divisão paranaense e, no ano seguinte, se envolveu em uma confusão jurídica que acabou rebaixando o clube para a série B do Brasileiro. O Coxa se negou a aceitar uma mudança de calendário, que fazia com que os paranaenses jogassem contra o Santos um dia antes de o Vasco – seu adversário no grupo – entrar em campo. Pela decisão, o clube foi punido com perda de cinco pontos, e acabou na segundona. O baque foi duro para o time que tinha qualidade em nomes como Carlos Alberto Dias, Chicão e Tostão. Tanto foi duro que, na temporada seguinte, pelos seus resultados, o time foi parar na terceira divisão. Só que a CBF extinguiu a série C e, com isso, o Coxa continuou na segunda divisão em 1991 – quando chegou à semifinal e esteve perto do acesso. No ano seguinte, outra mudança espetacular de regulamento determinou que seriam 12 (doze!) os times que ascenderiam à elite do Brasileiro em 93. Para tornar tudo ainda mais sofrido, o Coxa terminou exatamente em 12º lugar e, de forma tão esquisita como havia caído, retornou à primeira divisão.

Quando as coisas acontecem desse jeito – não por meio de um grande time, mas de um livro de regras -, não tem jeito: o Cori voltou a ser rebaixado e, num período em que tinha como maiores destaques os atacantes Pachequinho e Brandão, acabou passando dez anos sem título paranaense, entre 89 e 99. O acesso, no campo, chegou, ironicamente, lado a lado com o rival Atlético-PR. Os dois foram promovidos em 95 – quando o rubro-negro se tornou campeão e o Coxa, vice (apesar de o Verdão ter emplacado uma goleada por 3 x 0 no quadrangular final). Essa volta ao topo coincide com o projeto de transformar o Coritiba num clube-empresa. Em 98, o Coxa faz grande campanha: com Cléber, Régis, João Santos, Rubens Júnior, Sandoval  e Macedo, termina em 3º lugar a fase de classificação e acaba eliminado nas quartas-de-final pela Portuguesa. Seria basicamente esse o time que quebraria o jejum de 10 anos e conquistaria o Paranaense de 99 sobre o Paraná Clube.

Gazeta Press
A garotada levou o Coritiba de volta à elite do futebol brasileiro em 2007

A transformação em clube-empresa se concretiza em 2002 e, no ano seguinte, o Coritiba mostra que a iniciativa poderia trazer bons frutos: Marcel foi o artilheiro do título estadual invicto. No segundo semestre, o centroavante – junto a Tcheco, Edu Sales, Jackson e Marco Brito - ajudou o time a se classificar para a segunda Libertadores da América de sua história, ao terminar o Brasileiro em 5º lugar. As boas temporadas levaram a um desmanche daquela base. Apesar de as revelações continuarem chegando – como o lateral-direito Rafinha -, o time não conseguiu engrenar para a disputa do Brasileiro de 2005: voltou à segunda divisão e precisou esperar dois anos até que uma grande geração chegada das divisões de base devolvesse a alegria ao Couto Pereira: Henrique, Marlos, Pedro Ken e Keirrison encantaram a série B, conseguiram o acesso em 2007 e levaram a equipe ao título. A maioria deles segue no Coxa em 2008 e passará agora pela prova de fogo de tornar o time competitivo diante dos melhores do Brasil.

*Atualizado em 4 de maio de 2009


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