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Fundação: 26 de março de 1924 Curitiba-PR Estádio: Arena da Baixada Capacidade: 40 mil pessoas Presidente: Mário Celso Petraglia Site oficial: www.caparanaense.com.br


Clube Atlético Paranaense


Naquele início de século 20 em que os clubes não conseguiam ter certeza se iam durar mais dois meses ou 80 anos, a saída para sobreviver, muitas vezes, era a fusão. No princípio da década de 20, em Curitiba, era bem assim: o América ia mal das pernas, se enchia de dívidas; o International também não conseguia brigar contra o domínio do Britânia. Os dois começam conversas em 1923 e, um ano depois, a união se oficializava. Assim, em nome nada mais do que da sobrevivência, nascia o Clube Atlético Paranaense.

Divulgação
Alfredo Gottardi, o Caju
O 5º lugar em sua primeira participação no Campeonato Paranaense – que incluiu uma vitória sobre o hexacampeão Britânia – deu o sinal de que aquele não seria um clube qualquer. Tanto que, em 1924 mesmo, o Atlético cedeu quatro jogadores à Seleção Paranaense: Marreco, Motta, Marrecão e Ary. Era a base da equipe que conquistaria o primeiro título estadual da história do clube, em seu segundo ano de vida. Eram as linhas iniciais de um primeiro capítulo glorioso: durante a década de 30, o rubro-negro alcançou três títulos e começou a construir seu panteão de ídolos com o goleiro Alberto Gottardi – o primeiro representante de um sobrenome que estaria carnalmente ligado ao clube durante anos e anos. Ele defendeu o gol atleticano nos títulos de 29 e 30 e, em 33, cedeu seu posto para um garoto de 18 anos, Caju –conhecido por Alberto como Alfredo, seu irmão mais novo. O goleiro se tornou um herói ainda maior do que seu irmão: conquistou seis títulos paranaenses e chegou à Seleção Brasileira em 42. Hoje, dá nome ao Centro de Treinamento do Atlético.

Por essa época, os jornais paranaenses já tinham cunhado o termo que para sempre seria sinônimo do que há de mais forte (e da rivalidade mais ferrenha) do futebol paranaense: o Atletiba. Nos anos 30, o Coritiba já era o adversário que os atleticanos mais gostavam de derrotar. Foi assim, vencendo duas vezes o Coxa, que o Atlético conquistou um título emblemático: o de 43. O recém-empossado presidente Maneco Aranha mudou o paradigma do clube e desatou a contratar jogadores: o goleiro Laio, o meia Lupércio e – coisa inédita no futebol do Paraná – dois estrangeiros, os paraguaios Aveiros e Ibarrolla. Começou a se formar a base da equipe que, em 1949, transformou o Atlético Paranaense em “Furacão”. Rodada atrás de rodada, o rubro-negro não fez outra coisa a não ser golear. Começou com a imprensa chamando o time de “tufão”, mas, com uma média de mais de quatro gols por jogo, o fenômeno meteorológico ficou pequeno. O esquadrão de Guará, Jackson, do artilheiro Neno e de Cireno deu ao clube o apelido que é famoso até hoje.

Gazeta Press
Djalma Santos no Furacão
Foi um bom jeito de a torcida se despedir da fase de títulos constantes antes de começar a triste missão de se acostumar com os jejuns. Depois do título do “Furacão”, o Atlético só voltaria a conquistar um troféu estadual em 58, sob o comando ilustre de um triunvirato de técnicos: Caju, Jackson e Pedro Stenghel. Mas foi apenas uma centelha isolada num período em que as coisas não funcionavam. Tome mais alguns anos sem título até o fundo do poço em 67, quando o rubro-negro é rebaixado para a segunda divisão do Paraná. Só que o presidente Jofre Cabral e Silva, quando assume o posto, descobre uma irregularidade no estádio do Paranavaí, que acaba levando à reversão (suspeitíssima) da decisão. Jofre foi além na sua intenção de dar nova vida ao clube e trouxe uma série de veteranos de primeira linha, que – no mínimo – fizeram dos atleticanos uma atração midiática: chegaram Bellini, Dorval e Djalma Santos. O presidente não viveu para ver o fruto de seus negócios: faleceu em 68, vitima de um infarto, quando assistia a uma partida contra o Londrina. Dois anos depois, um time que tinha o quarto-zagueiro Alfredo Gottardi Jr. e o artilheiro do torneio Sicupira chegou ao título estadual depois de 12 anos. Foi a última conquista da carreira de Djalma Santos, aos 41 anos. Bellini já havia deixado o futebol, um ano antes.

Depois daquela conquista, o máximo que o Atlético conseguiu foi chegar perto, como em 72 – quando ficou 20 jogos invicto, mas perdeu o título para o Coritiba. Tanto que o episódio mais famoso da década de 70 é um insight do centroavante reserva Ziquita, em 78. Numa partida em que perdia para o Colorado em casa por 4 x 0, de repente, faltando 13 minutos para o fim, o atacante entrou em campo e enlouqueceu: marcou os quatro gols do empate e ainda acertou uma cabeçada que poderia ter dado a vitória. É folclórico, mas é triste que tenha sido o ponto alto de uma década dura. No total, entre 1950 e 81, o Furacão soprou mansamente: foram só os títulos de 58 e 70, mais nada.

A mudança de sorte coincidiu com uma contratação acertadíssima, em 82. Desde aquela época, Washington e Assis já eram como um pacote: quem levava um, ficava com o outro também. E agradecia. O Atlético trouxe os dois como moeda de troca na transferência do lateral Augusto para o Internacional-RS. Ali, o “casal 20” brilhou para o Brasil pela primeira vez. Após 12 anos, o título paranaense voltou e, em 83, o time chegou à fase final do Campeonato Brasileiro. Cinco anos depois, a equipe campeã paranaense do goleiro Marolla, de Odemílson e Roberto Cavalo entrou para a história ao estrear num Atletiba a camisa rubro-negra com listras verticais.

Gazeta Press
Paulo Rink fez história
Como já estava se tornando praxe, depois da bonança vinha mais um pouco de tempestade. O começo dos anos 90 foi de mais penúria: primeiro, o rebaixamento para a série B do Campeonato Brasileiro em 93. Depois, no meio da fala de título estaduais e da reconstrução do estádio Joaquim Américo, uma histórica goleada por 5 x 1 sofrida contra o Coritiba. Imediatamente depois daquele vexame, uma nova diretoria assumiu, com o projeto “Atlético Total”. Talvez nem os próprios dirigentes não imaginavam uma revolução tão grande; um marco tão claro na história. Naquele ano de 95, o time comandado por Pepe voltou à elite do Brasileiro. Com gente como Ricardo Pinto e Paulo Rink, começava a base de uma equipe histórica. Em 97, com Alberto, Luís Carlos  e Oséas, o grupo estava completo. O Atlético foi notícia – tanto por seu grande futebol como pelo envolvimento no “caso Ivens Mendes”, em que o então diretor de arbitragem da CBF teria pedido ajuda financeira a alguns clubes, entre eles o Furacão.

Boa parte daquela equipe acabou se transferindo para o eixo Rio-São Paulo, mas os atleticanos já tinham criado uma base sólida, capaz de se renovar e manter o clube, de forma definitiva, como um dos grandes do Brasil. Não apenas dentro do campo, mas fora dele: o departamento de marketing do Atlético se tornou referência e, em 1999, seu estádio também.

Gazeta Press
Atlético-PR campeão brasileiro de 2001
Foi terminada a construção da Arena da Baixada – o estádio mais moderno do País. Para comemorar, que tal uma vaga na Libertadores da América? Kléber (que hoje é Pereira), Adriano (que hoje é Gabiru), Cocito, Kelly, Lucas e Kléberson eram parte do time que venceu a seletiva nacional e chegou à disputa sul-americana. Era apenas a primeira vez que aquela geração brilhava: o time de 2001 trocou algumas peças – como Alex Mineiro  e Ilan – e dominou de vez o Brasil. Depois de eliminar São Paulo e Fluninense, o Atlético derrotava o São Caetano e era campeão brasileiro. Para coroar,em 2002 veio o primeiro tricampeonato estadual. Em menos de uma década, o Furacão foi da crise à condição definitiva e indiscutível de um dos maiores do País.

Não surpreendeu ninguém, portanto, quando depóis da dissolução daquela equipe o Atlético voltou a formar um bom time. Foi a vez do goleiro Diego, do meia Jadson e dos atacantes Dagoberto e Washington – recuperado de uma cirurgia cardíaca. O “Coração Valente” foi o artilheiro do Brasileirão de 2004, em que o time foi vice-campeão, atrás do Santos. Com isso, veio mais uma campanha na Libertadores – e essa, inesquecível. Times de tradição no continente como Cerro Porteño, Santos e o Chivas do México não pararam o Furacão do centroavante Aloísio. De novo, foi apenas o São Paulo quem barrou o sonho, na grande final. O patamar mudou para sempre. Ninguém mais ouve o nome do Atlético Paranaense e pensa apenas no sucesso dentro do Estado. Pelos resultados e pela organização, o clube está no topo do Brasil.

*Atualizado em 6 de junho de 2008


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