Publicidade
Publicidade - Super banner
Futebol
enhanced by Google
 

Tido como solidário e tímido, Iniesta não tem vergonha de brilhar

Autor do gol na final da Copa do Mundo da África do Sul disputa prêmio de melhor do mundo com Messi e Xavi

Paulo Passos, iG São Paulo |

Ele conseguiu o que nem Romário, Rivaldo, Messi, Ronaldinho ou até Cruyff alcançaram. No dia 18 de dezembro, Andrés Iniesta recebeu uma homenagem um tanto inusitada para um ídolo do Barcelona. Mais de 40 mil “pericos”, como são conhecidos os fanáticos torcedores do Espanyol, ovacionaram o meia no moderno estádio Cornellá-El Prat, na capital da Catalunha. Mais, o reconhecimento aconteceu após o jogador ajudar o Barcelona a golear o rival por 5 a 1.

EFE
Torcida do Espanyol aplaudiu Iniesta
Um gol e, principalmente, a comemoração dele explicam a homenagem. Após marcar contra a Holanda, na final da Copa do Mundo, Iniesta tirou a camisa da Espanha e mostrou ao mundo o que queria dizer naquele momento: “Dani Jarque sempre conosco”.

O zagueiro e capitão do Espanyol faleceu em julho de 2009 após sofrer um ataque cardíaco. Rival em Barcelona e companheiro na seleção espanhola, Jarque era o melhor amigo de Iniesta.

“Fiz porque com Dani dividi muitas coisas. Crescemos juntos, tínhamos muito boa relação, falamos muitas horas de muitas coisas. Coloquei aquela camisa porque queria que estivesse comigo para buscar a Copa. Não esperava fazer o gol. Não imaginava que aquilo iria aparecer tanto”, revelou o meia.


Pela comemoração, Iniesta levou um cartão amarelo e virou o jogador mais querido da Espanha. Não é apenas no estádio do rival centenário do Barcelona que ele é aplaudido. Quem convive ou já conviveu com o meia repete o discurso.

“Tem uma qualidade humana surpreendente para um jogador do nível dele: a humildade Ele nunca ostentou nada. Acho que nunca vi um jogador assim”, conta ao iG, por telefone, Llorens Serra Ferrer, ex-técnico e diretor das categorias de base do Barcelona.

Getty Images
Após marcar o gol do título espanhol, Iniesta homenageou o amigo Dani Jarque, falecido em 2009


Durante cinco anos, ele conviveu com Iniesta nas equipes inferiores do clube catalão. Ferrer viu o então menino de 12 anos deixar a família na pequena cidade de Fuentealbilla para morar em La Masía, como é chamado o alojamento para os garotos do Barça.

“Sweet Iniesta”
Mas é claro que não foram as ditas qualidades humanas que fizeram Ferrer convocar Iniesta para time profissional, em 2002. Muito menos o que o levou a ser indicado ao prêmio de melhor do mundo da Fifa. “É um craque! Tem velocidade, visão de jogo, inteligência tática e sabe ser solidário”, diz o técnico.
Aos 18 anos, estreou no time principal do Barcelona. Na primeira temporada, jogou apenas três partidas. Na seguinte, em 2003-2004, esteve em apenas um jogo.

FC Barcelona
Durante cinco anos, Iniesta viveu em La Masía, alojamento dos jogadores do Barcelona
Ainda com Frank Rijkaard como técnico viveu a sua melhor temporada até então, em 2005. Foram 45 jogos, mesmo que na maioria entrando no meio das partidas. Com o holandês, ele era reserva, mas peça importante.

“Ele substituía quase metade dos jogadores time: Xavi, Deco, Giuly, Gio e até Ronaldinho ou um atacante. Rijkaard uma vez disse que ele era um distribuidor de caramelos, pelo seu estilo de jogo, de servir os companheiros”, conta o repórter do jornal El País, Luis Martín. O apelido pegou e a imprensa inglesa até hoje o chama de “Sweet Iniesta” – doce Iniesta.

Ídolo vira fã

Com a chegada de Guardiola ao banco do Barcelona é que o meia virou titular absoluto. Em 2000, o treinador, na época jogador do clube, foi escolhido para entregar o troféu ao campeão da Copa Nike sub 15. Fã do meia, o então capitão da equipe Barça, Andrés Iniesta, recebeu a taça das mão do ídolo.

“Dois anos depois disso, ele foi chamado para treinar com os profissionais. Lembro de encontrar o Guardiola após o treino alucinado, dizendo que o então menino tinha sido o melhor no dia”, diz Martín.
A admiração só cresceu com o tempo. Desde quando o técnico assumiu o time, o meia jogou mais de 90% das partidas do Barcelona como titular.

“Eu sempre digo e ponho de exemplo para os jogadores da base que se espelhem em Iniesta, em muita gente, mas principalmente nele. Porque não tem brinco, não pinta o cabelo, não usa tatuagem, todos sabem que ele era o melhor e jogava 20 minutos e não reclamava. Quando se machucava, ficava chateado. Essa gente não tem preço”, afirmou Pep Guardiola.

Leia tudo sobre: IniestaCopa do MundoEspanhaBarcelonafutebol mundial

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG