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Tevez colecionou alegrias e confusões quando esteve no Corinthians

Brigas, timidez, polêmicas e muitos gols. Veja como foi a 1ª passagem do argentino pelo Pq. São Jorge

Bruno Winckler, iG São Paulo |

O Manchester City precisa recuar e aceitar a oferta feita pelo Corinthians para que Carlitos Tevez volte ao clube paulista depois de cinco anos, mas a torcida corintiana está ansiosa. Um dos maiores ídolos recentes do clube quer voltar e com essa possibilidade, a memória do corintiano começa a resgatar momentos das passagens de Tevez pelo Corinthians entre 2005 e 2006.

O iG compilou alguns desses momentos. Em meio a muitos gols, raça inquestionável e uma identificação quase que instantânea com o povo das arquibancadas, Tevez também colecionou confusões. Até com torcedores.

Gazeta
Tevez comemora um dos gols que marcou na goleada por 7 a 1 no Santos, em 2005

Tevez e a MSI
A chegada de Tevez ao clube, em janeiro de 2005 já foi conturbada. A recém formada parceria com a nebulosa MSI o tinha o promissor atacante argentino, que havia conduzido o Boca Juniors ao título da Libertadores de 2003 com 19 anos como carro chefe. Kia Joorabchian, presidente da MSI, o responsável pela negociação acabou deixando o clube em 2007, após o fim da parceria, quando foi acusado de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha após investigações da Polícia Federal.

Durante a parceria, Kia interferia diretamente no funcionamento do departamento de futebol corintiano. E logo na chegada de Tevez começou a pressionar pela saída do então técnico Tite. O atual treinador corintiano havia encerrado 2004 com uma boa campanha de recuperação que salvou o time do rebaixamento.

Atrito com Tite e timidez
Tite acabou saindo do time depois que num clássico contra o São Paulo, no dia 27 de fevereiro de 2005, foi questionado por Kia nos vestiários do Morumbi sobre sua escolha por Coelho e não por Tevez para ser o batedor oficial do time. Na ocasião, o então lateral-direito perdeu um pênalti no final do jogo vencido pelo São Paulo por 1 a 0. No dia seguinte, Tite deixou o clube.

Neste período, e até o final da sua passagem pelo Corinthians, Tevez foi avesso ás entrevistas. Tinha dificuldade de entender o português e também não conseguiu aprender a língua. Foram raras as suas entrevistas coletivas após os treinos. A dicção falha e a língua enrolada para falar até mesmo espanhol afastava Tevez dos microfones.

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Tevez comemora um dos gols que marcou na goleada por 7 a 1 no Santos, em 2005

Após a saída de Tite, Tevez somou uma sequência de multas por indisciplina. Uma delas, por apresentar-se de bermuda antes e depois de uma viagem para Maringá onde o Corinthians enfrentou o Cianorte pela Copa do Brasil. Dentro do elenco, as regalias ao jogador eram mal vistas e causavam desconforto. O atacante Gil chegou a questionar tais privilégios em coletiva.

Neste período, quando o atual presidente Andrés Sanchez era diretor de futebol do clube, Tevez disse ignorar “de quem se tratava” o então dirigente e que como “chefes” no Corinthians só reconhecia o ex-presidente Alberto Dualib e Kia. Andrés minimiza o problema hoje.

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Tevez comemora um dos gols que marcou na goleada por 7 a 1 no Santos, em 2005

Sopapos com Marquinhos
Sem Tite, Kia trouxe o argentino Daniel Passarela na esperança de que com um compatriota, Tevez reinasse sem percalços. A passagem do treinador durou três meses até nova derrota para o São Paulo, desta vez por 5 a 1, no Pacaembu.

Antes da saída de Passarela, em abril, Tevez trocou sopapos com Marquinhos, zagueiro da base corintiana. A parceria com MSI gerou dentro do elenco algumas divisões entre estrelas e garotos do terrão que pouco se entendiam. Para contornar as crises, Tevez e Betão se aproximaram muito nessa época e formaram uma amizade que ajudou a diminuir as rusgas entre os grupos dentro do time.

Artilheiro, ídolo e campeão
Com o início do Brasileiro, após eliminação na Copa do Brasil, Tevez começou logo a se destacar. Com seus gols, o clube foi logo despontando como favorito ao título sob comando Márcio Bittencourt. O time encerrou o primeiro turno na liderança e entrou na segunda parte do torneio como favorito. Tevez, com seus gols e sua raça, já havia conquistado a torcida e a idolatria ganhou força após um clássico. Contra o Santos, já na reta final do Brasileiro, ele marcou três gols na histórica goleada por 7 a 1. Ele terminou o campeonato com 20 gols e erguendo a taça como capitão da equipe aos 21 anos.

Em 2006, Tevez ainda foi protagonista no Corinthians. Até pelos gols que marcou, mas não valeram. No Paulistão, em clássico contra o Palmeiras, ele marcou um lindo depois de arrancar do meio campo e partir contra a defesa rival, mas a bandeirinha Ana Paula de Oliveira anotou falta do jogador alguns minutos depois de a bola entrar no gol. A partida acabou por 1 a 1.

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Tevez comemora um dos gols que marcou na goleada por 7 a 1 no Santos, em 2005

Frustrações e mais desentendimentos
Veio a Libertadores e a esperança de que com Tevez a tão sonhada taça fosse conquistada pelo Corinthians. Após uma boa primeira fase, o Corinthians não conseguiu passar pelas oitavas de final, eliminado pelo River Plate no Pacaembu. Tevez foi poupado das críticas, mas a torcida não tolerou mais um vexame e por pouco não destruiu o Pacaembu.

Sem a Libertadores, o Corinthians contratou Geninho e aí a passagem de Tevez e de Javier Mascherano, que chegara ao clube logo após dele, caminhou para o fim. Após a Copa do Mundo da Alemanha, para onde ainda foi como jogador do Corinthians, Tevez encontrou um time na lanterna do Brasileirão e com a torcida em revolta.

Na 13ª rodada do Brasileiro, em 22 de julho, quando o Corinthians recebeu o Fortaleza no Morumbi, a torcida xingou os jogadores e Tevez quando a equipe perdia por 2 a 1. Ao marcar o gol de empate, Tevez mandou a torcida se calar e a paz do jogador acabou. Na saída do estádio, o carro do jogador em que também estavam sua esposa e sua filha foi chutado por alguns torcedores. A senha para sua saída estava anunciada.

Leão, preconceito e adeus
Para piorar, após mais algumas rodadas de maus resultados, o Corinthians demitiu Geninho e contratou Emerson Leão. Foram apenas dois jogos de Tevez sob o comando do treinador. Com Leão, Tevez deixou de ser capitão do time porque segundo o técnico um capitão precisaria se fazer entender. Além disso, logo que chegou Leão iniciou uma campanha quase pública contra Tevez e Mascherano por serem argentinos.

No dia 20 de agosto de 2006 Tevez fez seu último jogo pelo Corinthians. Após a vitória contra o Botafogo por 1 a 0 no Pacaembu ele abandonou o clube para ser negociado com o West Ham, da Inglaterra.
Entre polêmicas e alegrias, a passagem de Tevez no Corinthians rendeu um título brasileiro ao clube. A idolatria da grande maioria torcida não diminuiu apesar da saída conturbada. Foram 78 jogos e 46 gols e Tevez com a camisa corintiana. E se depender da vontade do Corinthians, de Tevez e da torcida, esses números têm tudo para aumentar.

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