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Testemunhas da maior zebra das Copas voltam ao Independência

Torcedores que assistiram à derrota da Inglaterra para os EUA em 1950 visitam o estádio reformado

Frederico Machado, iG Belo Horizonte |

Cabelos brancos, passos em ritmo cadenciado mas muita lucidez para narrar uma das histórias mais inesperadas do futebol mundial. Torcedores que estiveram no Independência na Copa de 1950 e que viram a derrota da Inglaterra para os EUA, jogo considerado por muitos a maior zebra da história dos Mundiais, voltaram ao estádio na última quarta-feira depois da reforma e se emocionaram.

Leia também: Secopa quer Independência ainda em março com jogo do América-MG

A seleção inglesa participava de sua primeira Copa do Mundo com status de favorita. Venceu o primeiro jogo contra o Chile, mas o tradicional "chuveirinho" não funcionou com a defesa dos EUA, que tinha um goleiro que era "receiver" de um time de futebol americano. O gol da vitória foi marcado por um garçom de Nova York, em um contra-ataque aos 38 do primeiro tempo que contou com a falha de um zagueiro que posteriormente receberia o título de "sir" pela Rainha Elizabeth II.

Conheça algumas testemunhas oculares do jogo apelidado pela própria Fifa como "O Milagre de Belo Horizonte".

Frederico Machado
Torcedores que viram a zebra de 1950 voltam ao Independência reformado

1) O gandula e o zagueiro que se tornaria "sir"
Elmo Cordeiro, hoje com 78 anos, tinha 16 em 1950 e entrou no Independência para ver o jogo entre Inglaterra x EUA de graça, pois tinha trabalhado na construção do estádio como "office-boy". Como prêmio pelos serviços prestados, pôde assistir ao jogo atrás da trave da Inglaterra, pegando as bolas e devolvendo ao goleiro como se fosse um gandula. Viu de perto a falha da defesa inglesa que culminou com o gol norte-americano.

"Foi um verdadeiro branco da defesa inglesa e os EUA souberam aproveitar. Um vacilo do defensor Ramsey, que mais tarde seria o técnico da seleção inglesa que ganharia a Copa de 1966. Até o título de sir da Rainha Elizabeth II ele recebeu", conta Elmo Cordeiro.

Divulgação
O jornalista Márcio Rubens viu de perto a soberba dos ingleses em BH
2) A soberba dos ingleses
O jornalista Márcio Rubens Prado tinha 15 anos em 1950 e se lembra bem do cenário de favoritismo dos ingleses antes da partida. "Os ingleses estavam antipatizados, chegaram aqui dizendo que eram o 'British Team', melhor time da Copa. Era a primeira Copa que eles participavam, puro orgulho. Não deram entrevistas, não atenderam jornalistas. Ficaram hospedados e isolados em Nova Lima, na Mina de Morro Velho, que era propriedade dos ingleses", lembra-se Márcio Rubens Prado.

Por outro lado, os EUA conquistaram a torcida mineira. "Já os EUA eram mais amistosos e simpáticos. Diria aré caricatos. O cara que fez o gol  da vitória (Joe Gaetjens) lavava pratos em Nova York. O goleiro deles (Frank Borghi) jogava futebol americano e dirigia carro de funerária", conta Márcio Rubens Prado.

3) Chuveirinho ineficiente
Um dos presidentes do América-MG, o advogado Afonso Celso Raso, foi ao jogo com seu irmão e fez um resumo da partida. "O jogo todo foi defesa contra ataque. Inglaterra atacando e os EUA se safando como podiam. Mas a Inglaterra tinha uma jogada só. Ficavam tocando e procurando espaços para ir à linha de fundo para cruzar. Se estivessem jogando até agora não teriam feito gols", revela Afonso Celso Raso.

4) Lucrando com a zebra
O ex-jogador de futebol Amarelinho tinha apenas 10 anos de idade na época do confronto histórico e não entrou no Independência para ver o jogo. Mas aquele dia não se perde em sua memória. "As ruas estavam cheias por conta do jogo. Fiquei tomando conta dos carros e fiz um bom dinheiro. Comprei chuteira e bola de futebol com o que recebi naquele dia", brinca Amarelinho.

Frederico Machado
Salvador Velloso voltou ao Independência, mesmo com dificuldade para caminhar
A Copa de 50 aumentou ainda mais a paixão de Amarelinho por futebol. "Quando tinha tempo, vinha para o Independência ver os treinos das seleções. Depois, aos 14 anos meu pai me autorizou a ser jogador de futebol e voltaria muitas vezes nesse estádio que eu amo tanto", revela Amarelinho, que passou pelo América-MG.

5) A força uruguaia em Minas
Além do jogo entre Inglaterra x EUA, o Independência recebeu outras duas partidas na Copa de 1950: Iugoslávia 3 x 0 Suíça e Uruguai 8 x 0 Bolívia. E quem viu o Uruguai massacrando a Bolívia na capital mineira não se assustou tanto com o desempenho na final contra o Brasil, no chamado "Maracanazo". "Vi o Uruguai em ação no Independência goleando a Bolívia por oito. Quem viu aquele jogo sabia que se tratava de um time perigoso", conta o advogado aposentado Salvador Velloso, de 78 anos.

Salvador chegou ao gramado do Independência de maca, já que tem dificuldades para andar. "Estou muito emocionado de voltar ao Independência, ver o estádio todo reformado. Espero ver muitos jogos aqui ainda", concluiu.

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