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Racha com diretoria, estratégia de marketing e até indicação de outro treinador explicam reforços indesejados

Os bastidores da contratação de um reforço  intrigam os torcedores. Reuniões intermináveis, valores exorbitantes e empresários sedentos por lucros rondam os noticiários. Talvez o fator em comum em muitos desses negócios seja o fato que o atleta em questão chegue ao time por indicação do treinador, responsável pelo aproveitamento do atleta depois do acerto. Mas, muitas vezes, os técnicos são obrigados a "engolir" um reforço que não pediram.

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Os dois clubes com maiores torcidas do país passam por uma situação como essa em 2012. No campeão brasileiro Corinthians , o técnico Tite ganhou um "presente" vindo da China: o atacante Chen Zhizhao . A contratação do jogador chinês faz parte da estratégia de marketing do clube paulista e acabou ganhando destaque até mesmo no site da Fifa .

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O treinador, que já contava com dez atacantes no elenco, não se mostrou muito empolgado com a chegada do atleta. "A ideia deste negócio é mostrar que a grandeza do Corinthians transcende o Brasil. Vamos aguardar que venha e utilizá-lo com calma. Não é um reforço técnico, é um intercâmbio", afirmou o treinador corintiano.

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No Flamengo, a crise nos bastidores durante a pré-temporada ganhou dimensões maiores com a contratação do zagueiro chileno Marcos González, que veio da Universidad do Chile. A chegada do reforço expôs a queda de braço entre o técnico Vanderlei Luxemburgo e o vice-presidente de finanças do clube, Michel Levy. Luxemburgo era contrário ao acerto com o jogador, que teria sido uma imposição do dirigente.

Vágner Mancini
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Vágner Mancini "engoliu" Fábio Lopes, indicado por Levi Culpi
E tem caso de treinador que tem que aceitar um reforço indicado por outro técnico que nem trabalha no clube. Vágner Mancini, atual comandante do Cruzeiro, não indicou a contratação do meia-atacante Fábio Lopes, que estava no futebol japonês. "Gostaria de deixar claro que o Fábio não é uma indicação minha", afirmou Mancini.

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A diretoria cruzeirense explicou de onde tirou essa contratação. O técnico Levir Culpi, campeão da Copa do Brasil com o Cruzeiro em 1996, foi quem deu o aval para o investimento. "O Levir Culpi nos aconselhou a trazer o jogador. Segundo o Levir, tem as características que o Mancini estava precisando para o ataque dele, que é velocidade", explicou o presidente do clube, Gilvan de Pinho Tavares.

O próprio Emerson Leão deu indícios de conhecer pouco o meia Jádson , contratado pelo São Paulo . O treinador confundiu as características do jogador ao falar sobre o acerto. "Esperamos que se torne o grande atleta que é com sua perna esquerda", disse Leão, referindo-se ao destro Jádson.