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Técnico do Real Potosí visita minas de 'Cerro Rico'. Veja vídeo

Victor Zwenger se impressiona com superação dos mineiros e diz que usará experiência para motivar seus jogadores contra o Flamengo

Vicente Seda, enviado iG a Potosí |

Falta segurança, falta luz, falta espaço, falta higiene, falta ar. Só não faltam coragem e disposição. A incrível e árdua vida dos mineiros em Potosí, na Bolívia, foi qualificada como “inspiradora” por Victor Zwenger, técnico do Real Potosí, que enfrenta o Flamengo nesta quarta-feira pela pré-Libertadores. A convite do iG, o argentino que comanda a equipe boliviana há quatro meses conheceu pela primeira vez o coração da cidade mais alta das Américas (4.070 metros acima do nível do mar) e que já teve o título, séculos atrás, de mais rica do mundo.

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Um rápido passeio por Potosí leva à inequívoca compreensão de que o povo do local amarga as consequências da exploração. Se era a cidade mais rica do mundo no século XVII, a riqueza se foi. O que se vê atualmente é gente muito humilde e receptiva, carente de diversos aspectos que passam despercebidos para quem vive em uma cidade bem estruturada. A visita às minas de ‘Cerro Rico’, conhecida como a montanha de prata, foi guiada pelo mineiro Pedro Montes, que revela a existência de 17 mil semelhantes “enterrados” por até seis meses seguidos nos buracos que chegam a 2Km de profundidade. Um “queijo suíço”, como definiu.

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A naturalidade com que a dura vida sob a terra é encarada pelos mineiros é de espantar. Indagado sobre a frequência de acidentes, Montes responde, sorrindo: “Não há muitos aqui e, quando acontecem, não são tão graves. Morre um, dois... Nunca aconteceu algo como no Chile, por exemplo”. O desprendimento do mineiro leva a crer que o dito popular de que com toda a prata levada de Potosí para Espanha poderia se construir uma ponte da cidade boliviana até Madrid, e outra feita com ossos dos homens que deixaram suas vidas nos pequenos e asfixiantes túneis da montanha que é emblema da cidade, não foge tanto assim da realidade. Andar agachado, batendo a cabeça em um teto que muitas vezes não se sustenta, respirando um ar pesado, com pouco oxigênio, é a rotina desses bolivianos.

Vicente Seda/iG
Victor Zwenger, técnico do Real Potosí, se impressionou com superação dos mineiros
Conforme explicou o guia, os mineiros formam cooperativas. Cada área da montanha é explorada por duas ou três famílias que recebem de acordo com a quantidade e a qualidade do material recolhido. Pode-se extrair 10 toneladas para receber apenas cerca de US$ 300, ou uma tonelada para um pagamento de US$ 1 mil. Tudo depende da própria habilidade do mineiro de perceber onde deve perfurar a montanha de prata, da qual também saem diversos outros tipos de minerais (zinco, cobre, estanho...) para serem processados fora de Potosí, na maioria das vezes por empresas estrangeiras que terão lucro infinitamente superior com o material.

Fundada em 1546, Potosí já era a maior produtora de prata do planeta em 1611. A abundância de prata no terreno seria tal que fora descoberta por acaso por um pastor em 1545, ano em que os espanhóis tomaram conta de “Cerro Rico” para em seguida estabelecer um povoado no local. Pedro Montes explica que não há engenheiros no local para a construção dos túneis, tudo é feito pelos próprios mineiros. "A mineração representa cerca de 90% da economia da cidade. Até um garoto pode chegar em uma loja específica e comprar dinamite para mineração, por exemplo. É algo que faz parte da vida dos moradores de Potosí", disse.

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O guia também esclareceu os hábitos curiosos dos nativos da região. A folha de coca, matéria-prima de uma droga que se alastrou pelo mundo, a cocaína, é vista pelos mineiros como uma espécie de suplemento alimentar. Verdadeiros bolos da planta são colocados no canto da boca e o suco, segundo Montes, dá força, tira fome e sono, algo que se percebe ser de grande valia quando se entra num buraco escuro para praticamente viver embaixo da terra. “Não é droga. É muito psicológico também. Dizem que quanto maior o bolo na bochecha do mineiro, mais forte ele está”, disse o guia.

Vicente Seda/iG
'Cerro Rico', a montanha de prata que já fez de Potosí a cidade mais rica do mundo
Para o técnico do Potosí, Victor Swenger, que durante todo o passeio se mostrou mais do que interessado, fazendo perguntas a todo momento, a experiência de vida foi inesquecível. “É impressionante o que essas pessoas fazem. Aqui se trabalha de verdade. Eu nunca tinha vindo aqui, mas quero voltar e ir mais fundo na mina. Acredito que se todos nós (se referindo aos seus jogadores) viéssemos aqui, daríamos mais valor ao nosso trabalho. O esforço dessas pessoas têm de ser reconhecido”, afirmou o treinador, acrescentando que repassaria a experiência para seus atletas como estímulo de superação para a partida do dia 25, contra o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho. Se os jogadores entenderem o recado, é bom a equipe carioca tomar cuidado.
 

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