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Técnico do Potosí já sabe até nomes para substituir Luxemburgo

Em entrevista ao iG, Victor Zwenger afirma querer ‘capitalizar’ problemas da Gávea e descarta marcação especial sobre Ronaldinho

Vicente Seda, enviado iG a Potosí |

Ao receber a reportagem do iG em sua casa, na Avenida Serrudo, em Potosí, o técnico argentino da equipe boliviana que enfrentará o Flamengo no dia 25, Victor Zwenger, lança a pergunta: “É verdade que o Renato Gaúcho vai substituir o Vanderlei Luxemburgo?”. Depois explica: “Tenho pessoas no Brasil que me passam as novidades. Um jogador no Cruzeiro que é muito meu amigo e outra pessoa no Rio”. Se sabia até da especulação em torno da provável saída do atual técnico do Flamengo, o dossiê sobre a equipe de Luxemburgo que estava em sua mesa era extenso.

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Zwenger estuda todas as possíveis alternativas dos cariocas para a partida da próxima quarta-feira, a mais de quatro mil metros de altitude, uma oportunidade única de enfrentar o time de Ronaldinho Gaúcho . Considera, para um treinador jovem, de 38 anos, um privilégio poder enfrentar um rival de tamanho prestígio, mas descarta marcação especial sobre o camisa 10. O argentino quer “capitalizar” os problemas que se sucedem na Gávea para chegar ao Rio, no dia 1º de fevereiro, no Engenhão, com chances concretas de passar à fase de grupos da Libertadores.

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Confira a entrevista exclusiva do técnico do Real Potosí ao iG:

iG: Como você está encarando essa decisão contra o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho?
Victor Zwenger: Primeiramente é um prazer, um privilégio, um objetivo mais do que importante na carreira de um treinador. Sobretudo pela baixa idade que tenho para essa profissão, tenho 38 anos e a possibilidade de enfrentar o Flamengo com jogadores de renome mundial e um treinador com um passado e presente esplêndido. Esperamos fazer um bom jogo aqui em Potosí e podermos ir ao Rio de Janeiro com chances de conseguir a classificação para a fase de grupos da Libertadores, o que seria histórico para o clube, para os jogadores e para mim como condutor desse grupo.

iG: Você se preocupa com algum tipo de idolatria a Ronaldinho, dos jogadores quererem tirar fotos, pegarem autógrafos? O que você conversa com eles nesse sentido?
Victor Zwenger:
Digo que é muito mais fácil para nós do que para eles. Enfrentar o Flamengo já significa um estado de motivação ótimo, não imagino motivação maior para um jogador de futebol. Sempre digo que quando se pisa dentro das quatro linhas ficam de lado a história, o dinheiro, absolutamente tudo. Todos têm duas pernas, dois braços, uma cabeça, somos todos iguais. Claro que o talento faz diferença, mas o futebol está muito equilibrado e se dermos o nosso máximo, por que não podemos conseguir um resultado positivo?

Vicente Seda/iG
Técnico do Potosí descarta marcação especial sobre Ronaldinho Gaúcho

iG: O Luxemburgo vem sempre batendo na mesma tecla do perigo do jogo aéreo, dos chutes de longa distância. São estes os maiores perigos do Potosí na altitude?
Victor Zwenger: É complicado se adaptar ao tempo da bola, tanto no jogo aéreo como nos chutes, porque a bola pega mais velocidade e curva. Mas certamente a qualidade dos jogadores que o Flamengo tem faz com que sua aprendizagem seja mais rápida do que a maioria. São atletas de nível mundial. Não é a mesma coisa que jogar no Rio, lógico, são 4.070 metros de altitude, sabemos que fisiologicamente o ser humano tem de desenvolver mais glóbulos vermelhos, a recuperação é muito mais lenta e essa adaptação não acontece de um dia para o outro. Mas o Flamengo está trabalhando em Sucre e acredito que o time chegará bem. Não podemos ficar pensando só na altitude, temos de pensar no jogo.

iG: O que você pensa de todos esses problemas que estão acontecendo no Flamengo? Até aqui em Potosí você já sabe de nomes cotados para substituir o Luxemburgo...
Victor Zwenger: É difícil, imagino que na cabeça do treinador esteja passando um mau momento, é complicado dirigir um grupo com estrelas, não é fácil. Às vezes a estrela está contra o treinador e, como dizemos na Argentina, tem de ter munheca, pulso para manejar essas situações. De toda forma creio que para nós não é benéfico pensar que o Flamengo tem esse tipo de problema. Os jogadores são profissionais e o Flamengo tem a maior torcida do Brasil. Claro que para o Luxemburgo é complicado dirigir o time sabendo que poderá ser cortado. Nós temos de capitalizar o mau momento do rival, o futebol é assim, sabendo que a margem de erro com este tipo de rival é mínima.

iG: Como essas informações chegaram a você?
Victor Zwenger:
Temos gente no Brasil, um jogador do Cruzeiro que é muito meu amigo, algumas outras pessoas, e com a internet hoje em dia é muito difícil de conseguir qualquer coisas. Esses nomes do Renato Gaúcho e do Joel Santana me disseram lá do Brasil. Vamos tentar aproveitar qualquer problema que o Flamengo possa ter, fazer isso virar a nosso favor.

Vicente Seda/iG
Para Victor Zwenger, a situação de Luxemburgo no comando do Flanmengo está "complicada"

iG: Estou vendo que você já tem um dossiê sobre o Flamengo, o que pode dizer a respeito da equipe?
Victor Zwenger:
Sei que o Luxemburgo usualmente joga em um 4-3-2-1, com dois ofensivos abertos, apenas um atacante enfiado na área e quatro defensores. A diferença importante para o time da última temporada é a saída de Thiago Neves, que era decisivo na criação. Creio que agora haverá uma mudança tática, não acredito que virão aqui para atacar o tempo todo, acho que vão usar mais o contra-ataque, com quatro defensores bem postados atrás. Os brasileiros normalmente usam muito os laterais, apoiando o tempo todo, mas acho que aqui será difícil fazerem isso por conta da altitude. Acho que a maior virtude do time é a posse de bola, tentarão usar isso aqui. O Ronaldinho é um dos melhores do mundo para mim, mas aqui a precisão não é a mesma. É uma equipe que respeitamos, mas temos de perder o respeito dentro de campo.

iG: Existe a possibilidade de marcação especial sobre Ronaldinho?
Victor Zwenger:
Não, não me agrada isso. Em algum momento posso ter de mudar, durante a partida posso ser forçado a isso. Mas começar com marcação especial não me agrada. O Ronaldinho é um jogador que tem um grande domínio de bola, mas não é mais vertical como era quando mais jovem. Está em um momento onde participa mais do jogo, mas não é um jogador que vai te agredir verticalmente o tempo todo. Durante a partida pode ser que seja necessária uma marcação dupla, acredito que temos de dominar o meio de campo.

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