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Futebol
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Técnico do Boavista usa filosofia de Muricy para a decisão

Alfredo Sampaio pede à diretoria que não fale em premiação com os atletas e dispensa palestra motivacional

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Futura Press
O técnico Alfredo Sampaio vibra com gol do Boavista na Taça Guanabara
Conhecido por criar problemas para os grandes quando está à frente de clubes de menor expressão no futebol carioca, o técnico Alfredo Sampaio já teve uma chance de comandar o Vasco, para onde foi levado por Romário e “queimado” por Edmundo. De volta ao circuito dos “pequenos”, ele espera surpreender o Flamengo na final da Taça Guanabara neste domingo, no Engenhão, dirigindo o Boavista. Para tanto, tomou algumas precauções: pediu que a diretoria não fale em dinheiro com os jogadores e procurou não mudar a rotina para passar tranqüilidade ao seu grupo.

Em entrevista ao iG, Sampaio afirma que usou a filosofia de Muricy Ramalho, técnico do Fluminense, eliminado pelo Boavista na semifinal, ao dispensar a sugestão da diretoria de trazer Evandro Motta para dar uma palestra motivacional aos atletas. Ele descarta marcação especial sobre Ronaldinho Gaúcho e elogia a estrutura do Boavista, clube que tem uma folha salarial pouco maior do que R$ 200 mil, no qual os principais atletas recebem em torno de R$ 25 mil. No Flamengo, só o salário de Ronaldinho é cinco vezes maior do que o de todo o time do rival na final deste domingo.

Confira a entrevista de Alfredo Sampaio ao iG:

iG: Como você está se preparando para enfrentar um clube com um potencial financeiro muito superior, mas que ainda não conseguiu exibir um futebol à altura dos craques que possui?
Alfredo Sampaio: Não levo em consideração potencial financeiro. O fato de o Flamengo não ter encaixado ainda não significa nada. São jogadores de alto nível. E não concordo que não esteja encaixado, está evoluindo naturalmente com os jogos. Acho que não posso levar isso em conta nem por um segundo. Vamos enfrentar atletas de altíssimo nível e a camisa do Flamengo, por si só, faz o cara correr e se superar. Então eu trabalho como se o Flamengo estivesse 100% para encarar esses jogadores que todo mundo conhece.

iG: O que você considera fundamental neste momento para o Boavista?
Alfredo Sampaio: O fundamental agora é manter a tranqüilidade para jogar. Desde o início do campeonato o nosso objetivo era chegar a uma semifinal. Chegamos. Depois, continuamos sonhando e trabalhando para chegar a uma final, apesar de sabermos que enfrentaríamos o Fluminense. Conseguimos. Então agora a gente não pode agora baixar a guarda, se assustar, ficar com medo. Tem de estar mais concentrado ainda, mais à vontade ainda para jogar e muito determinado. A gente já sabe que o adversário tem uma qualidade fantástica, então a gente tem de se preparar e estar muito equilibrado emocionalmente, é nessa tecla que venho batendo. A dificuldade a gente já sabe que vai ter.

iG: Você costuma usar vídeos, psicólogo ou outro tipo de artifício na preparação para uma decisão? O que usou desta vez?
Alfredo Sampaio: Eu geralmente uso isso quando a situação é adversa, psicólogo, tenho vídeos legais, mas nesse momento não venho usando nada disso porque acho que o grupo está bem seguro, tranquilo. Não tem ninguém assustado. Acho que a grande vantagem que estamos conseguindo nesse campeonato é que a gente sabe o nível de dificuldade que vamos ter e estamos nos preparando para ela. Acho que a motivação, vou lembrar um pouco o Muricy, é o jogador estar em uma final. Essa é a grande motivação. A direção do clube até sugeriu uma palestra do Evandro Motta, mas acho que nesse momento não há necessidade porque sinto essa tranqüilidade do grupo, justamente porque sabem a dificuldade que vão ter. Isso funciona quando o grupo está inseguro, não está confiante, mas eles estão.

iG: Houve alguma mudança para essa semana de decisão?
Alfredo Sampaio: Não, até pensei nisso, mas só o que mudei foi o volume de treino. Os titulares não treinaram na segunda e não dei treino em dois períodos, apenas um mais forte, com um período de recuperação mais longo. O treino mudou, mas a questão da concentração não. Acho que se trancasse os caras dois dias, aí sim poderia aumentar a ansiedade. Treinaremos no sábado pela manhã e aí seguimos para o hotel. Estou tentando mudar o mínimo, para mostrar que a gente tem de estar tranquilo para fazer o que fizemos até agora.

iG: Com Ronaldinho, Thiago Neves e outros, você pensa em marcação especial na final?
Alfredo Sampaio: Não. Contra uma equipe que tem um jogador diferenciado, você pode aplicar isso, pelo menos é a minha visão. Mas com um time que tem quatro ou cinco que fazem a diferença, não dá para marcar um ou dois. Se o cara for inteligente, ele arrasta a marcação com ele e abre espaço para o outro. O lance é estarmos muito atentos, diminuir o espaço do campo onde estiverem.

iG: Como você avalia a estrutura do Boavista para este Estadual?
Alfredo Sampaio: A estrutura que nos proporcionam é muito boa. Começa pelos salários, que são bons. O pagamento não atrasa. A premiação (bicho) é paga toda semana, tem o bicho por jogo. Os suplementos alimentares todos a gente tem, só ficamos em hotel cinco estrelas, o ônibus é o mais adequado. O treino é no CT do Tigres, que tem tudo. Então essa logística é muito boa. Claro que existe a diferença para um grande clube, mas a estrutura em si é muito boa.

iG: Já foi combinada alguma premiação para o caso de título?
Alfredo Sampaio: Eu pedi à diretoria que premiação não fosse tratada agora. Se quiserem tratar disso, que tenham isso em mente, mas coloquem para os jogadores apenas depois. Não é hora de falar em dinheiro. Dinheiro é bom, mas em algumas horas atrapalha.
 

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