Kleiton Lima vê progresso na equipe, mesmo com tropeço no Pan, e reconhece que fator emocional ainda pesa

A seleção brasileira feminina de futebol passou por duas situações parecidas nas duas últimas competições que participou (Copa do Mundo e Pan-Americano ): tomou o gol de empate nos acréscimos e perdeu na disputa de pênaltis. No Mundial, a queda foi nas quartas de final ante os Estados Unidos. Já no Pan, foi na final, contra o Canadá . Na opinião do comandante da seleção Kleiton Lima, é melhor o time ficar no quase a ficar em último.

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“Estamos sempre perto da conquista. Assumi o time em 2009 e desde então só perdemos um jogo, contra a Suécia – em abril de 2009, e mesmo na desclassificação e perda de medalha de ouro no Pan, não foram derrotas. Ficar no quase é melhor do que ficar em último, mostra que estamos no caminho certo. São detalhes que precisam ser acertados” afirmou o técnico.

Para o treinador, o grupo tem se preparado bem a fim de fazer bons jogos e buscar as melhores colocações. Kleiton comentou ao iG que, após o jogo contra a seleção do Canadá, em Guadalajara, o técnico canadense John Herdman elogiou o trabalho que vem sendo realizado pela seleção brasileira.

“O caminho do trabalho tem sido bom. Estamos mostrando o desenho de um time campeão. No Mundial era um time, agora tivemos um elenco bem diferente que não perdeu qualidade. O próprio técnico do Canadá conversou comigo e apontou isso. Disse que eu consegui fazer o time jogar, dar sufoco no time dele que mantinha a base da disputa do Mundial”, disse.

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O único fator, na opinião do técnico da seleção, que pode pesar para essas derrotas é o aspecto emocional das atletas. “O Brasil sente muito o lado emocional? Pode ser. São jogadoras novas que estão aparecendo agora no âmbito internacional. Diferente das dos Estados Unidos e do Canadá, que jogam em grandes times e algumas até mesmo espalhadas pela Europa. Temos que tirar lições e trabalhar para que possamos estar mais preparados em momentos como esse.”

Debinha lamenta o pênalti perdido e o Brasil ficou com a prata
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Debinha lamenta o pênalti perdido e o Brasil ficou com a prata

Na hora das cobranças de pênalti em Guadalajara, Kleiton conversou com as atletas e colocou na lista de batedoras as que estavam bem fisicamente. Formiga, que é uma experiente jogadora do time, ficou fora por estar com incômodo muscular. “Ela (Formiga), que estava no grupo da Copa e é uma das mais experientes do grupo, olhava para mim e não precisava dizer nada. O olhar dizia tudo. Não tem explicação. Era um grupo maduro, unido... Não tem explicação”, lamentou o treinador.

A próxima competição que o time brasileiro enfrentará são as Olimpíadas, cobiçado título que o time não tem. Nas duas últimas edições dos jogos (Pequim-08 e Atenas-04), o Brasil foi desbancado pelos Estados Unidos e ficou com a prata.

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Por acreditar que o trabalho está sendo bem realizado e que os resultados apontam isso, o técnico da seleção afirmou que continuará seu trabalho da mesma forma. A diferença é que agora, após o Pan-Americano, terá mais jogadoras na briga por uma vaga no time que vai às Olimpíadas.

“Eu vejo crescimento e um amadurecimento muito grande no grupo. Eu, como treinador e pessoa que está sempre ao lado delas, acredito e confio muito numa vitória na competição. Estamos no caminho certo para ser ouro nesta próxima Olimpíada”.

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Para Londres-2012, o time poderá ter Marta e Cristiane de volta – as duas são os principais nomes da seleção, mas não foram à Guadalajara por motivos particulares. Quando questionado se elas fariam diferença no Pan, o treinador não poupou elogios para Marta, eleita cinco vezes melhor jogadora do mundo.

“Mais do que o Messi é para o Barcelona, a Marta é para futebol brasileiro. Ela faz diferença em qualquer time. Mas ela não pôde e não podemos ficar no ‘se’. A Cristiane a mesma coisa. O time seria mais completo se pudéssemos contar com todas as atletas que estavam no Mundial. Não pudemos e fomos com o que tínhamos de melhor, e que não deixaram a desejar”, completou.

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