Único adversário de Joseph Blatter foi suspenso pela entidade máxima do futebol antes mesmo da eleição

O presidente da Associação de Futebol do Suriname, Louis Giskus, confirmou que recebeu U$ 40 mil (R$ 63,6 mil) para votar no catariano Mohamed Bin Hamman nas eleições presidenciais da Fifa (Federação Internacional de Futebol e Associados), no início do mês. O asiático retirou sua candidatura após ser acusado de tentar comprar votos de representantes da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) e o suíço Joseph Blatter foi reeleito pela terceira vez .

De acordo com Giskus, o envelope marrom com as notas não foi entregue por Bin Hamman, mas por meio da União de Futebol do Caribe. Porto Rico e Bahamas alegaram que receberam a mesma oferta.

"Contamos à Fifa sobre os presentes. O dinheiro está na nossa conta do banco. Depois que recebemos os 'presente's, decidimos não usá-los e vamos mantê-los no banco até a Fifa nos indicar o que fazer", afirmou à agência "Reuters".

A Concacaf e a União do Caribe são presididas por Jack Warner, suspenso pelo Comitê de Ética da Fifa no domingo anterior à eleição , pelas mesmas razões de Bin Hamman. O catariano foi afastado de qualquer atividade ligada ao futebol momentos depois de retirar sua candidatura. Ao todo, 25 federações caribenhas foram convidadas a fazer uma reunião com o investigador Louis Freeh, ex-chefe do FBI (Agência Federal de Investigações dos Estados Unidos).

Com a suspensão de Warner, seus cargos foram ocupados pelo barbadiano Lisle Austin, mas ele ficou apenas quatro dias no poder. A Concacaf alegou que ele esteve envolvido em "irregularidades aparentes". Interinamente, o hondurenho Alfredo Hawit comanda a confederação.

A Fifa vive uma grande crise política. Irritado pela suspensão, Warner divulgou um e-mail no qual o secretário-geral Jerome Valcke afirma que Bin Hamman, homem forte da campanha do Catar pela Copa de 2022, queria comprar a entidade como fez com o Mundial. Mais tarde, Valcke recuou e disse ter sido "mal-interpratado" .

Além disso, o ex-presidente da FA (Associação de Futebol da Inglaterra), David Triesman, disse no parlamento britânico que quatro dirigentes pediram propina para apoiarem a candidatura do país à Copa de 2018 . Entre eles, estaria o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira.

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