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Copa América vai servir de teste para o produto que foi criado por um jornalista argentino de 46 anos

Não é um jogador nem um técnico, mas participará da Copa América com a esperança de se firmar e chegar a uma Copa do Mundo: o spray de aerosol que delimita a posição da barreira em cobranças de falta e evita que os atletas avancem a distância regulamentar de 9m15.

Na Argentina, quem teve a ideia de utilizar o artifício, que foi implantado no futebol brasileiro em 2000, foi Pablo Silva, um jornalista argentino de 46 anos, que teve que percorrer um longo caminho desde que projetou o produto que permite marcar sobre o campo uma linha branca fácil de ser enxergada e que não prejudica o gramado, além de demorar apenas entre 45 segundos e três minutos para desaparecer.

"Tive a ideia há um pouco mais de uma década, após jogar com ex-companheiros do ensino médio", lembrou Silva. "Perdíamos por 1 a 0 e aos 43 minutos do segundo tempo marcaram uma falta para nosso time na entrada da área. Era uma ótima chance para empatar, mas não fizemos o gol porque a barreira se adiantou, e a bola parou nela. Fui reclamar, e o árbitro me expulsou ainda por cima", comentou.

No final de 2007, o jornalista, já com a invenção patenteada, apresentou o projeto ao presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, que, segundo Silva, ficou encantando com a ideia. "Devo a Grondona porque me apoiou em tudo, assim como a Direção de Formação Arbitral", declarou, antes de apontar que os árbitros viram rapidamente no spray uma oportunidade para acabar com o adiantamento das barreiras, um dos vícios do futebol mundial.

O produto começou a ser utilizado na segunda divisão do Campeonato Argentino no segundo semestre de 2008. Esses seis meses de experiência foram fundamentais para melhorá-lo com o objetivo que chegasse à elite, em que estreou no ano seguinte, cuidado e protegido.

Entre as mudanças que sofreu antes de chegar à elite do futebol argentino se destacam o peso e a largura da lata, assim como o aparelho que o prende às calças dos árbitros. Em 2009, a Conmebol deu sinal verde para que o aerossol fosse utilizado na Taça Libertadores e na Copa Sul-Americana, o mesmo que fizeram 10 países da América Latina em seus campeonatos.

No total, já foi usado em mais de 15 mil partidas oficiais. Até que em março deste ano a International Board autorizou a entidade que rege o futebol sul-americano a usar o spray na Copa América da Argentina, segundo Silva, "o cenário perfeito para demonstrar sua real dimensão e a esperada prova de fogo".

O jornalista, que nos últimos dias esteve instruindo os árbitros do torneio na cidade de Córdoba, uma das oito sedes da competição, afirmou que a ideia teve grande aceitação. "Torcemos para que seja reconhecido mundialmente o grande apoio que este produto representa para os árbitros e para o fair play", finalizou.