Comandante do Fla completa 150 jogos no cargo, com caminhos menos traumáticos e elogios a Ronaldinho

Luxemburgo esteve envolvido na discussão durante o jogo com o Ceará
Futura Press
Luxemburgo esteve envolvido na discussão durante o jogo com o Ceará
Aos 59 anos de idade, Vanderlei Luxemburgo vai completar 150 jogos como técnico do Flamengo nesta quarta-feira, às 21h50, contra o Cruzeiro . Uma marca que o coloca em nono na lista dos que mais comandaram o time na história. Ele ficará a 19 de Joel Santana , seu adversário na Arena do Jacaré. Mas ele garante não se preocupar com isso.

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Com a seleção brasileira, o Real Madrid e o recorde de títulos do campeonato brasileiro (cinco) no currículo, Luxemburgo se considera de vanguarda e que, por isso, criou inimigos. Com elogios para Ronaldinho Gaúcho , descarta qualquer problema de relacionamento com o craque e acha normal os pedidos para a volta do jogador à seleção.

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Para ele, no entanto, seleção brasileira faz parte do passado e sua concentração está voltada para o Flamengo. Depois de duas passagens frustrantes no clube, em 1991 e 1995, ele começa a realizar o trabalho que sonhou, mas ainda não alcançou o status de manager.

“O departamento de futebol não tem o seu orçamento à disposição, como o Alex Ferguson tem no Manchester United. O departamento financeiro tem mais poder do que a parte técnica”, disse Luxemburgo.

iG: O que significa para você completar 150 jogos como técnico do Flamengo?
Vanderlei Luxemburgo:
Não tem um peso para mim. Na verdade, estou ocupando o espaço que era para ter ocupado em 1991 e 1995. Agora, é diferente. Além de organizar, ganhei um título. Nos outros anos, preparei o time para os outros serem campeões. Foi assim com o Carlinhos. Quando saí em 1991, ele manteve o grupo e conquistou o Carioca e o Brasileiro.

iG: Você teria agido de outra forma em 1991 e 1995?
Vanderlei Luxemburgo:
Você nasce com sua personalidade e seu caráter. Com mais experiência, reclamaria e cobraria da mesma forma, mas talvez tivesse tomado outro caminho, menos traumático.

iG: Isso serviria para o seu relacionamento com o Romário?
Vanderlei Luxemburgo:
Com o episódio das bolas (estava em falta para treinar em 1991) também.

iG: É como o relacionamento com o Ronaldinho Gaúcho agora?
Vanderlei Luxemburgo:
Nada. Estamos convivendo muito bem. Nosso relacionamento sempre foi bom. Muitos julgam estar acontecendo alguma coisa e não há nada. Rimos muito dessas histórias.

Luxemburgo esteve envolvido na discussão durante o jogo com o Ceará
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Luxemburgo esteve envolvido na discussão durante o jogo com o Ceará

iG: Mas você acha que o comportamento do Ronaldinho fora de campo influenciou no rendimento dele em algum momento?
Vanderlei Luxemburgo:
De jeito algum. Ele não chega atrasado, nunca deixa de fazer qualquer coisa nos treinamentos. Com isso, vem o crescimento. Todo mundo viu que ele está afinando, o percentual de gordura está baixo, com uma forma de atleta novamente. Ele nunca me deu brecha para dar uma punição ou multa. Teria motivo se ele aparece numa noitada e no dia seguinte não chegasse para o treino. Esses jogadores chegam num momento de decisão e vão mudando.

iG: Considera o Ronaldinho candidato a artilheiro do Brasileiro?
Vanderlei Luxemburgo:
Ele tem que ajudar o time e o time ajudar o Ronaldinho (artilheiro do Brasileiro, com nove gols). Um não existe sem o outro. Acho que engraçado que continuam vendo o Flamengo com um atacante. Eu escalo três. Quando o Ronaldinho veio, disse que ele não seria mais um meia. Está se adaptando e agora entra na área com mais facilidade, o que ele não fazia antes.

iG: Acha exagero falar em Ronaldinho na seleção brasileira?
Vanderlei Luxemburgo:
Isso faz parte do futebol. Mudou naqueles 90 minutos contra o Santos .

iG: E você? Pensa em voltar a ser técnico da seleção brasileira?
Vanderlei Luxemburgo:
Não. Penso no Flamengo. Estou feliz aqui, com a administração da presidente Patrícia Amorim, que tem seus equívocos, como eu também tenho. Mas o meu projeto é o Flamengo, como era em 1991 e 1995. Mas desta vez estou fazendo as coisas. O Leonardo Ribeiro (presidente do Conselho Fiscal), quando era chefe de torcida, brigou muito comigo, mas hoje entende a importância desse trabalho.

iG: Quando você saiu da seleção, acha que pegaram pesado com você?
Vanderlei Luxemburgo:
Não, porque não foi uma questão técnica. Não saí por incompetência. Se você é de vanguarda, vai criar alguns inimigos. Sou muito duro e contundente. Assim, se conhece o valor do técnico.

iG: Mas a Olimpíada de 2000 te derrubou?
Vanderlei Luxemburgo:
Não. O Zagallo também perdeu uma (1996) e não caiu. O Ricardo Teixeira (presidente da CBF) faz parte das pessoas com as quais me relaciono. Saí da seleção campeão invicto da Copa América e do Pré-Olímpico de 1999, em segundo nas eliminatórias e só perdi a Copa das Confederações para o México na final, com um time renovado. Na Copa de 2002, se não me engano, 18 jogadores haviam sido convocados pela primeira vez por mim. Fiz uma reformulação com resultados.

iG: Mas o Mano Menezes resistiu à queda na Copa América .
Vanderlei Luxemburgo:
O Mano está adquirindo experiência, assim como os jogadores. Vai amadurecendo, mas precisa de resultados.

iG: Você ainda guarda mágoa da CPI?
Vanderlei Luxemburgo:
Não. Na minha vida, só tive dois problemas. Um com a minha idade, que meu pai adulterou, assim como um monte de pais adulterava naquela época. E outro foi com a Receita Federal, que todo cidadão tem o direito de questionar. O resto foi uma covardia direcionada para mim.

iG: Voltando ao Flamengo, como foi que se chegou ao nome do Kleber , do Palmeiras , para reforçar o ataque?
Vanderlei Luxemburgo:
Dei o aval técnico, da mesma forma que fiz com o Vagner Love e o André . Perguntaram o que eu achava tecnicamente e disse que não havia problema, mas sabia que ele não sairia do Palmeiras. Para o Flamengo, essa história durou muito.

iG: O que você achou da atitude do Kleber de não devolver a bola , indo de encontro ao fair play, tão prezado pela Fifa?
Vanderlei Luxemburgo:
Quando ele não colocou a bola para fora, o árbitro (Leandro Vuaden) poderia ter tomado alguma atitude, mas não está na regra. Foi um antijogo, mas também outros já fizeram isso, como o Marcelinho Carioca.

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iG: No momento, o Flamengo ainda tem deficiências no elenco?
Vanderlei Luxemburgo:
O erro foi não contratar o André (ex-Dínamo de Kiev, contratado pelo Atlético-MG). Ele não pode jogar nada lá, mas, pela juventude, seria uma possibilidade de investimento. No fim, ficamos só com o Deivid . Não estou dizendo que o Jael não vá dar certo. Seria ótimo ter contratado o Love, que é um ídolo do Flamengo, mas era caro demais, e o Kleber, desde o início, eu disse que ele não viria. Dos três, o André era a chance mais real, não uma preferência. Fiquei chateado por não entenderem isso.

iG: Já engoliu aquela derrota para o Ceará (2 a 1) , a única do time na temporada?
Vanderlei Luxemburgo:
Aquilo ali já passou. Foram 45 minutos muito ruins que, numa copa, te custam a classificação. O que não consigo perdoar é o erro do (árbitro) Sandro Meira Ricci, que expulsou o Ronaldo Angelim no jogo de volta (2 a 2) . O erro não foi do assistente (Roberto Braatz). Ele só marcou a falta. A expulsão foi decisão do árbitro. Mas a culpa é do Sérgio Correa (presidente da Conaf), que continua escalando o Sandro em jogos importantes. Toda vez tem confusão, desde aquele Corinthians x Cruzeiro (pelo Brasileiro de 2010) .

Luxemburgo esteve envolvido na discussão durante o jogo com o Ceará
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Luxemburgo esteve envolvido na discussão durante o jogo com o Ceará
iG: Se não perder para o Cruzeiro, quarta-feira, o Flamengo iguala a arrancada de 14 jogos do Brasileiro de 1974, a maior do clube. Você participou como jogador (cinco jogos), lembra?
Vanderlei Luxemburgo:
É mesmo? Aquele time de 1974 começou a apresentar os garotos bicampeões de juniores em 1972 e 1973. A safra era muito boa e começou a ser montado aquele grande time que ganharia tudo anos depois.

iG: Dá para dizer que seu trabalho hoje é de um manager?
Vanderlei Luxemburgo:
Não. Já participo bastante, mas o departamento de futebol não tem o seu orçamento à disposição, como o Alex Ferguson tem no Manchester United. O departamento financeiro tem mais poder do que a parte técnica.

iG: Você tem participação em negociação de jogadores?
Vanderlei Luxemburgo:
Não tenho, mas isso seria normal. O Carlos Bianchi tinha no Boca Juniors, mas a cultura é diferente. Não vejo problema em você ter participação nos lucros de uma empresa.

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