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Futebol
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Shakhtar aposta em jovens promissores para virar gigante europeu

Mentalidade do bilionário presidente e do técnico é levar para equipe jogadores não muito conhecidos, mas com potencial

Mário André Monteiro, iG São Paulo |

As ambições do Shakhtar Donetsk vão muito além da vaga nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa, conquistada recentemente com duas vitórias incontestáveis contra a Roma. Coadjuvante do futebol ucraniano até o início do século, o clube está disposto a mudar essa história. E mais do que se tornar protagonista no seu próprio país, o Shakhtar, apelidado de “Mineiros”, pretende ampliar o sucesso na Europa.

O Shakhtar começou a virar grande em 1996, quando o bilionário Rinat Leonidovych Akhmetov assumiu o comando do clube. Akhmetov é conhecido por possuir projetos filantrópicos na Ucrânia e ser o dono da empresa SCM Holdings, que atua em diversas áreas, como metalurgia, mineração, energia, banco de seguros e telecomunicações.

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Técnico Mircea Lucescu e presidente Rinat Akhmetov levantam a taça de campeão da Copa da Uefa
Akhmetov emergiu após o misterioso assassinato do então presidente do Shakhtar, Akhat Bragin, no estádio do clube. Bragin era acusado de ser um dos chefes da máfia ucraniana, assim como o próprio Akhmetov, que tem seu nome ligado à organização criminosa do país. Serhiy Kuzin, um respeitado jornalista local, publicou um livro chamado “Donetsk Mafia”, citando o empresário algumas vezes. Entretanto, nada ficou provado e vários veículos de imprensa da Ucrânia e Europa tiveram que pedir desculpas publicamente.

Acusações à parte, desde que chegou ao clube, Akhmetov tem investido fortunas para reforçar a equipe. E seus alvos preferidos, ao contrário de outros investidores que buscam contratar medalhões, são jogadores jovens, ainda desconhecidos no cenário mundial.

Antes, quando ainda era um time da antiga União Soviética, o Shakhtar jamais havia ganhado um campeonato nacional. A Ucrânia se tornou país independente no dia 25 de dezembro de 1991, mas a primeira conquista do clube na nova liga aconteceu justamente depois que Akhmetov chegou. De 1997 a 2001, o time ficou em 2º lugar na Premier League ucraniana. Em 2002, veio a primeira boa resposta do investimento com o título.

Em 2004, depois de outro vice-campeonato na temporada anterior, o técnico romeno Mircea Lucescu foi contratado com a missão de transformar o clube numa potência européia. Com Lucescu, o Shakhtar venceu mais quatro vezes a Premier League e conquistou seu primeiro título internacional: a Copa da Uefa de 2008/09, sobre o Werder Bremen – foi a última edição do torneio na história, que agora se chama Liga Europa.

"Tudo começou há seis temporadas, quando fui para o Shakhtar. O presidente Akhmetov me pediu para montar uma equipe capaz de ser competitiva em nível internacional. Era seu desejo um título europeu e conseguimos contra o Werder Bremen, na final da Copa da Uefa”, disse Lucescu em entrevista ao site da Uefa.

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Jadson e Ilsinho na partida contra o Werder Bremen
Seguindo a linha de Akhmetov, o treinador se concentrou apenas em reforçar a equipe com jovens valores. E foi no Brasil que ele encontrou os principais nomes. Jádson, por exemplo, chegou à Ucrânia em 2005, após fazer sucesso no Atlético-PR. Na época, o meio-campista tinha apenas 21 anos. Hoje, com 27, já foi até convocado para seleção brasileira.

Também em 2005 e, assim como Jadson, proveniente do Atlético-PR, Fernandinho chegou ao time com 19 anos. O elenco atual ainda conta com Willian (22 anos), Luiz Adriano (23 anos), Douglas Costa (20 anos) e Alex Teixeira (21 anos). Outros brasileiros que passaram pelo Shakhtar ainda jovens foram Elano, Matuzalém, Brandão e Ilsinho.

Lucescu explicou o motivo de querer tantos brasileiros no seu time e como conseguiu adaptá-los ao futebol ucraniano. “Decidimos que precisávamos criar um núcleo de jogadores muito talentosos. O futebol aqui é muito mais agressivo, físico e rápido. Mas como eles eram jogadores muito técnicos, fizemos a nossa parte em ensiná-los. Penso que, neste momento, o Shakhtar é a equipe mais brasileira da Europa”.

A intenção de mesclar esses brasileiros com outras promessas do futebol vem dando certo. O ucraniano Rakitskiy, de 21 anos, e o armênio Mkhitaryan, de 22, são titulares absolutos. Já o zagueiro Chygrynskiy, de apenas 24 anos, chegou a defender o Barcelona recentemente, porém, sem muito destaque. Ele foi o primeiro ucraniano a jogar pelo clube catalão, que pagou 25 milhões de euros.

Outro fator que pesa a favor do Shakhtar são as premiações oferecidas pelo presidente aos seus jogadores. Apesar das complicações com o frio intenso, a cidade industrial sem muitos atrativos e o idioma difícil, os atletas são motivados a continuar no clube com essa compensação financeira. E, claro, para renderem o esperado dentro de campo.

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