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Futebol
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Série contra elite faz Mano promover volta de veteranos à seleção

Em 2011, Brasil enfrentará grandes forças do futebol mundial, além de encarar o desafio da Copa América

Paulo Passos, enviado iG ao Rio de Janeiro |

Quando assumiu o cargo de técnico da seleção brasileira, Mano Menezes tinha uma missão dada pelo presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol): renovar o time. A primeira entrevista de Ricardo Teixeira após o Mundial da África do Sul deixou claro o desejo do cartola em ter uma equipe mais jovem já visando à Copa de 2014.

Num primeiro momento, a missão foi cumprida. A nova seleção, personificada pelos santistas Paulo Henrique Ganso e Neymar e pelo atacante Alexandre Pato, do Milan, tem uma cara nova. Passados cinco meses, três vitórias contra adversários médios ou fracos – Estados Unidos, Irã e Ucrânia - e uma derrota diante da Argentina, o técnico viverá o grande teste em 2011. Além da primeira competição, a Copa América, a seleção enfrentará em amistosos adversário fortes, como França, Holanda, Alemanha e Argentina.

“Sempre se falou sobre essas coisas de nível fraco dos adversários da seleção. Como não teremos eliminatórias da Copa do Mundo, os amistosos são as chances que temos de fazer testes”, afirmou Mano Menezes, em entrevista exclusiva ao iG.

Para essas partidas, o técnico planeja a volta de alguns jogadores que estiveram no Mundial de 2010. O retorno dos “veteranos”, algo que já iniciou com a convocação de Ronaldinho Gaúcho para o amistoso contra a Argentina, deve acontecer já na partida contra a França, em fevereiro. Mano confirma, mas indica um limite para a presença de jogadores mais velhos no time.

“É óbvio que você não pode ter muitos jogadores com essa idade alta, porque se não você tem uma média muito alta e seu time perde competitividade na questão física. Precisamos respeitar isso”, revela o técnico.

Confira a entrevista exclusiva:

iG: Copa América, amistosos contra Argentina, Alemanha, França e Holanda: 2011 não será um ano fácil, não?
Mano Menezes: Eu brinquei com o presidente Ricardo Teixeira que o meu aniversário é em junho e ele escolheu a Holanda para a gente enfrentar. Não é um bom presente de aniversário, né? (risos). Eu tenho certeza que devemos passar exatamente por essas etapas. Sempre se falou sobre essas coisas de nível fraco dos adversários da seleção. Como não teremos eliminatórias da Copa do Mundo, os amistosos são as chances que temos de fazer testes.

iG: Mas dá para formar um time competitivo jogando quase que só amistosos?
Mano Menezes: A gente sabe a diferença de um amistoso para um jogo oficial. Mesmo que você vá enfrentar adversários fortes, o amistoso é encarado de uma forma diferente. Eu estou trabalhando para que a gente encare de forma mais firme, porque vai ser necessário.

iG: A seleção vai realizar partidas apenas com jogadores brasileiros?
Mano Menezes: Temos a possibilidade de dois jogos contra a Argentina em 2011 com jogadores só de dentro dos respectivos países. É uma Copa que se jogava há muito tempo [Copa Roca] e voltaremos a disputar. Serão chamados jogadores que atuam somente no Brasil

iG: E os argentinos vão poder convocar os argentinos que atuam aqui? Conca, D’Alessandro e Montillo, por exemplo.
Mano Menezes: Não, são os jogadores de dentro do país. Isso vai ser regulamentado.

iG: Você convocou o Ronaldinho, de 30 anos. Outros jogadores mais velhos e que estavam na Copa serão chamados em 2011?
Mano Menezes: Sim, não descartamos os jogadores que estavam na Copa. Foi uma opção não convocá-los nesse primeiro momento, porque não via como necessário. Mas vejo esse retorno como natural, ainda mais que teremos jogos mais difíceis, de maior responsabilidade.

Divulgação
Mano Menezes e o atacante Ronaldinho Gaúcho


iG: O fato de que muitos estarão com idade avançada em 2014 não limita essa volta?
Mano Menezes: É lógico que existe uma condição de probabilidade. O futebol nos últimos tempos mostra que a vida útil de um jogador vai até os 36 anos, em alto rendimento. Depois, é um pouco mais difícil. Não estabeleço um limite individual, apenas penso que a média de idade não pode ser alta. Você pode ter um jogador individualmente com idade alta rendendo muito bem e sendo o melhor da posição. Então, provavelmente ele vai estar na seleção. É uma responsabilidade que o técnico pode e precisa assumir. Mas, ao mesmo tempo, é óbvio que você não pode ter muitos jogadores com essa idade alta, porque se não você tem uma média muito alta e seu time perde competitividade na questão física. Precisamos respeitar isso.

iG: Se fala muito na aproximação da seleção com o torcedor. O fato de não conseguir jogar no Brasil não prejudica isso?
Mano Menezes: Vamos jogar contra a Holanda no Brasil. Já é uma exceção. Certamente, com a proximidade da Copa isso vai se repetir mais vezes. Faz parte de um acerto que o presidente da CBF está fazendo com a Fifa, exatamente porque não vamos jogar as eliminatórias. Acho que essa é a realidade de hoje. Também não adianta vocês querer forçar uma situação que não corresponde à realidade. É como esse discurso que há para aumentar o número de jogadores que atuam no Brasil. A cada vez que esses atletas forem convocados, eles vão chamar a atenção e vão acabar saindo. É uma realidade. Isso aconteceu com o Elias, o Jucilei está para sair também. É um reflexo da questão econômica, que até já diminuiu um pouco, mas que sempre vai ainda apresentar um percentual maior de jogadores de fora...

iG: Você viveu dois casos de dispensa em 2010. Na primeira convocação você revelou que um jogador pediu para não ir. Já no período em Barcelona, em setembro, o Marcelo não se apresentou, mas treinou no Real Madrid no mesmo período. Na seleção do Dunga, quem fez isso em algum momento ficou queimado e não voltou. Você pretende manter essa linha?
Mano Menezes: São dois casos bem diferentes. No primeiro caso, foi na primeira convocação. Fiz um contato antes do chamado, já que os jogadores estavam em início de temporada na Europa. O atleta foi extremamente correto, porque ele não tinha nem iniciado pré-temporada. Ele havia participado da Copa do Mundo. A questão do Marcelo, nós íamos fazer uma semana de treinamentos em Barcelona. Ele teve problemas físicos e pediu para não participar. A palavra certa para o caso dele não é queimado. A gente falou com ele e até com o Mourinho depois do caso. O que aconteceu é que com a não ida dele eu convoquei o Adriano. E não vou convocar o Adriano simplesmente para substituir o Marcelo em uma semana de treinamentos. Também vou dar um período para que se observe o desempenho dele. Provavelmente o Marcelo, se continuar rendendo bem no Real Madrid, vai ser chamado também.

iG: O Robinho sempre teve uma imagem de jogador moleque. Mesmo assim, foi um dos líderes da seleção do Dunga e virou capitão com você. Por que essa escolha?
Mano Menezes: O Robinho preservou essa imagem de um eterno menino durante muito tempo, moleque, aquela coisa toda, o que não combina muito com a imagem que a gente tem de um capitão, pelo menos a nossa de um modo geral. Mas há algum tempo, até por algumas questões que atravessou na carreira, ele já vem tendo uma postura bastante diferente. E precisa de um certo tempo para desmanchar essa imagem antiga.

Divulgação
Mano Menezes orienta o atacante Robinho em treino da seleção brasileira


iG: Ele é o principal líder do seu time? Vai ser capitão na Copa América?
Mano Menezes: Eu tenho claro que existem diversas maneiras de condução de liderança. Para esse primeiro momento, até por ser o jogador remanescente da seleção anterior, da equipe base é um que foi mantido, ele reúne condições de passar essa experiência de seleção aos mais novos. É uma liderança leve, mas que para esse momento cabe. Nós temos um grupo bastante determinado, bastante dedicado e comprometido. É absolutamente normal, por se tratarem de jogadores novos que estão tentando buscar espaço. Então, não existe uma necessidade de uma cobrança maior. Você pode ser mais leve nessa condução da liderança, e o Robinho se encaixa bem nessa função.

iG: Ronaldinho, Adriano são jogadores que podem voltar ao Brasil. Isso seria bom para a seleção?
Mano Menezes: Depende muito de cada situação. No início do ano, por exemplo, isso serviu para o Robinho. Ele tinha vivido uma transferência conturbada, teve dificuldade na Inglaterra, e a volta ao Brasil fez bem. Outros casos têm que ser analisados individualmente.

iG: E o do Ronaldinho, por exemplo?
Mano Menezes: Por exemplo, o do Ronaldinho, o do Adriano. Acho que depende. É muito difícil você dar opinião sobre isso. O que é importante para o jogador é ele se sentir bem onde esta. Se isso acontecer, ele vai render melhor.

iG: O Ganso é o hoje o seu camisa 10, sem substituto?
Mano Menezes: A gente iniciou o trabalho com ele, porque entendia que ele era o jogador para fazer essa função. O rendimento no Santos mostrou isso. O primeiro jogo na seleção confirmou. Mas é uma trajetória que se está iniciando. Ele precisa repetir esse rendimento. É o que se espera dos jovens, como Lucas, Neymar, Pato, jogadores que estão chegando.

AE
Mano Menezes aposta em Paulo Henrique Ganso como o camisa 10 da seleção


iG: Você vai acompanhar de perto o Sul-Americano? Mesmo o time sendo treinado por Ney Franco, você irá ao Peru?
Mano Menezes: Sim. No dia 2 de janeiro começo a acompanhar o trabalho de preparação para o Sul-Americano. Vou estar próximo do Ney Franco nesse trabalho e irei ao Peru para ver alguns jogos, mas não fico até o final, já que temos um amistoso da seleção contra a França, no início de fevereiro.

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