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Futebol
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Sem respirar futebol, Abu Dhabi não se empolga com Mundial de clubes

Fifa lança campanha escolha seu campeão para que torcedores se animem, mas nem mesmo turistas fãs do esporte sabem que a competição começou

Marcel Rizzo, enviado iG a Abu Dhabi |

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Escolha o seu campeão. Com este tema a Fifa tenta fazer com que um país sem tradição no futebol se anime com o Mundial de clubes.  Pelas avenidas largas de Abu Dhabi se vê imagens comemorativas aos 39 anos dos Emirados Árabes Unidos, completados no início de dezembro. O número 39, grande, com luzes, e o 1971 aparecem com mais destaque do que os banners espalhados também por avenidas com a promoção do Mundial.

As placas em algumas avenidas mostram os sete times e a frase escolha seu campeão. A Fifa imaginava que os donos da casa, o Al-Wahda (convidado por ser o atual campeão nacional) não comoveria o público a ir ao estádio. Era preciso mostrar que a Inter de Milão e sua estrelas estariam em Abu Dhabi, ou então que cada um escolhesse o seu time preferido. Poderia ser o Inter brasileiro, já que o futebol é associado ao Brasil com carinho especial no mundo todo. Mas tem também o Mazembe, o Seongnam, o Pachuca, ou até o desconhecido e já eliminado Hekari United, de Papua-Nova Guiné.

Marcel Rizzo
Placa com escudo do Inter pede para torcedores árabes escolherem o seu campeão


O Mundial de Clubes é uma festa. Se o time da casa for eliminado, que o torcedor escolha aquele que preferir, dizia o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, antes do início da competição. 

Os 23,8 mil torcedores que compareceram no primeiro jogo da competição, a vitória do Al- Wahda sobre o Hekari, teve um grande empurrão dos xeques que comandam os Emirados. Dividido em sete emirados, com administrações distintas, o país se mobilizou em torno do Al Wahda. A rivalida Abu Dhabi e Dubai, as duas principais cidades, foi colocada de lado para que a honra do país fosse salva. Nunca um país árabe havia vencido um jogo em Mundial de Clubes. Antes da partida, como revelou o volante brasileiro Magrão, pelo menos quatro xeques foram conversar com os atletas pedindo empenho extra.

Nunca tem torcida aqui, até surpreendeu esse público. Acho que por ser um Mundial, pelo Al-Wahda representar o país. É a única explicação, disse o atacante brasileiro Fernando Baiano, também jogador do Wahda.

Abu Dhabi, capital administrativa dos Emirados Árabes Unidos, é uma cidade em construção. O que mais se vê são prédios, com designs muitas vezes espalhafatosos, sendo construídos. O trânsito na região central lembra o de São Paulo às 18 horas de uma sexta-feira.  Correria que fazia do Mundial, no dia de sua abertura, ser um tema desconhecido.

Marcel Rizzo
Trânsito em Abu Dhabi. Cidade parada ao meio-dia


Prefiro críquete. O Barcelona vem de novo?, perguntava Kali Attad, indiano atendente em um restaurante próximo do estádio Mohammed Bin Zayed, que recebeu a partida inaugural. No Crowne Plaza Hotel, no qual estão hospedados os sul-coreanos do Seongnam, turistas ingleses olhavam com admiração os jogadores que tomavam café da manhã tranquilamente, ao lado deles.

Não sabíamos que estava tendo essa competição. Andamos muito pela cidade e tem pouca publicidade, disse James Carrick, que viaja aos Emirados ao lado da esposa e das filhas gêmeas de dois anos.

Realizar o Mundial em Abu Dhabi está relacionado com dinheiro. Não se sabe  se o governo do emirado pagou para ter a competição por dois anos (em 2009 também foi em Abu Dhabi), mas há interesse local do principal patrocinador do torneio, a montadora de carros Toyota. A empresa quer ganhar espaço no mercado árabe, que cresce, e a imagem associada à competição ajuda. Ao mesmo tempo do Mundial, ocorre em Abu Dhabi a feira de automóveis e, claro, a Toyota tem um dos maiores estandes.

A cidade é acolhedora. Um povo educado, que nos trata muito bem. Para mim, o Mundial por aqui está aprovado, disse Pablo Marini, técnico argentino que dirige o Pachuca mexicano. A sensação de todos é que a cidade é receptiva, mas falta a paixão pelo futebol que poderia dar um charme a uma competição que ainda não engrenou...

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