Publicidade
Publicidade - Super banner
Futebol
enhanced by Google
 

Sem cadeira cativa na seleção, Julio Cesar planeja volta ao Brasil

Goleiro repensou carreira e até toparia jogar em clube que não seja o Flamengo. Desde que não fosse o Vasco da Gama...

Marcel Rizzo e Paulo Passos, enviados iG a Los Cardales |

Ricardo Stuckert
Aos 31 anos, Julio Cesar já planeja encerrar sua carreira em algum clube brasileiro
Aos 31 anos, quase 32, Julio Cesar mudou de ideia. O goleiro tem contrato com a Internazionale de Milão até 2014 e, depois disso e da Copa do Mundo, pretende encerrar a carreira no Brasil, algo que tinha descartado alguns anos atrás. Foi o que revelou na entrevista exclusiva que concedeu ao iG na concentração da seleção brasileira para a Copa América da Argentina na cidade de Los Cardales, a 60 km de Buenos Aires.

Ele admitiu que seria difícil atuar pelo Vasco ou por qualquer outro clube carioca, já que seu coração é flamenguista. Titular da seleção brasileira desde 2006, o goleiro viveu a frustrante eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010, para a Holanda. A queda na África do Sul fez Julio ter a obsessão de vencer tudo pelo Brasil até 2014 - inclusive os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Como tem mais de 23 anos, teria que ser um dos três convocados acima desse limite de idade. “Iria amarradão, seria o primeiro a chegar. Mas sei que não tenho cadeira cativa”.

Experiente em seleção brasileira, Julio Cesar elogiou os jovens jogadores chamados por Mano Menezes. Principalmente, Neymar, classificado de “cascudo” pelo goleiro . Do maior rival do Brasil, a Argentina, Julio Cesar guarda uma boa recordação: nunca ter levado um gol de Lionel Messi. “Ele é brabo comigo por isso” , diz.

Leia a entrevista:

iG: O que você projeta daqui para frente na seleção brasileira?
Julio Cesar:
Ganhar tudo. Quero ganhar Copa América, Olimpíada, Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Claro que para ganhar tudo isso tenho que estar no grupo, mas meu projeto é esse.

iG: Olimpíada é novidade, já que Mano só vai poder convocar três atletas com mais de 23 anos. Você gostaria de ir mesmo?
Julio Cesar:
Com certeza, vou amarradão. Seria o primeiro a chegar caso seja lembrado.

Não jogaria no Vasco. Não me vejo em nenhum outro clube carioca. Até poderia jogar em outro lugar do Brasil, mas no Rio acho que só no Flamengo.

iG: Há tantos anos na Europa (foi para a Inter em 2004), o que você imagina para o Julio Cesar no futuro?
Julio Cesar:
Eu costumava dizer que não pensava em voltar, que não queria encerrar a minha carreira no Brasil, que ficaria na Europa, mas depois, pensando com calma, pensando bem, não posso prever o futuro. Antes tinha essa ideia bem fixa, mas já dei uma repensada. Tenho que pensar em jogar bem no meu clube, para ser convocado, e depois no futuro com calma decidir o que vou fazer, se vou continuar na Europa, se volto.

É difícil, um ano atrás eu não te falaria isso, mas pode ser que role jogar no futebol brasileiro de novo, disputar o Brasileiro, que não ganhei, a Copa do Brasil, que não ganhei, uma Libertadores, que não ganhei, não ganhei praticamente nada quando joguei no Brasil. Assim, digamos, em termos de titulo de expressão, não ganhei nenhum (foi quatro vezes campeão estadual). Pode ser uma coisa que pode influenciar muito nessa minha decisão. Se Deus quiser vou chegar na Copa e em 2014 vou estar sem clube (risos).

iG: Mas você conseguiria jogar em outro clube que não fosse o Flamengo?
Julio Cesar:
Cara, acho que conseguiria, seria uma experiência nova para mim, mas conseguiria sim. (pensativo) Depende, respeito o Vasco, mas acho que seria difícil, não me vejo jogando no Vasco, não me vejo em nenhum outro clube carioca, ate poderia jogar em outro lugar, mas no Rio acho que só no Flamengo.

iG: Voltando à seleção, como você imagina que será a Copa do Mundo no Brasil? O torcedor b rasileiro é exigente, nos últimos dois jogos no país (Goiânia e São Paulo), por exemplo, o time foi vaiado...
Julio Cesar:
O clima na Copa do Mundo vai ser diferente, tenho certeza que o torcedor brasileiro vai apoiar a seleção do primeiro ao último minuto na Copa do Mundo. Vai ser algo novo, que há muito tempo não acontece. Vai ser especial se eu puder jogar essa Copa.

iG: Na única Copa que houve no Brasil até hoje, em 1950, o goleiro acabou sendo considerado o culpado pela derrota na final contra o Uruguai (Barbosa). Teme ser o vilão em casa também, já que a posição de goleiro sempre é complicada?
Julio Cesar:
Se imaginar isso vou acabar atraindo isso pra mim. Vou pensar positivo, infelizmente com o Barbosa ficou marcado essa coisa, mas não penso não. Quero estar na Copa, fazer parte do grupo, esses três anos até a Copa é o que vai determinar isso, vai ser uma coisa muito bacana essa Copa no Brasil.

iG: Recentemente você disse que não se considera o melhor goleiro do mundo. Algum dia você se sentiu o melhor goleiro do mundo?
Julio Cesar:
Nunca, nunca. Até porque isso para mim isso não é importante. Eu quero ganhar tudo que for possível com a minha carreira de prêmio coletivo. Não tenho fixação nisso.

Nunca me considerei melhor do mundo. Isso não é importante. Eu quero ganhar tudo que for possível de prêmios coletivos.

iG: Você vê algum goleiro atualmente que possa substituí-lo na seleção?
Julio Cesar:
Eu posso até falar, mas fica meio indelicado. Como me substituir? Eu não tenho cadeira cativa aqui. Não vou falar em substituir, mas tem vários goleiros para estar aqui. Vou te falar, vai: Jefferson, Victor, Fábio, que eu gosto muito. Tem o Felipe, o Júlio Cesar, do Corinthians, o Neto (Fiorentina), o Renan (foi do Avaí para o Corinthians). Tem uma “renca”. Isso é bom para o futebol brasileiro.

iG: Sempre que pode você elogia o ambiente do grupo na Copa do Mundo de 2010, comandado pelo Dunga. Foi o melhor grupo com qual você trabalhou?
Julio Cesar:
Aquele grupo criou uma raiz, o que viveu três anos e meio antes da Copa uniu muito, um grupo que estava muito entrosado, por isso falei que merecíamos chegar ate a final, merecia um ambiente de final. É complicado classificar ambiente, tudo que eu disser pode ser interpretado diferente. Participei em 2006, mas não participei muito do grupo que foi a 2006, já em 2010 foi diferente, participei das Eliminatórias, da Copa das Confederações, posso dizer bem que aquele grupo era sensacional.

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG