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Futebol
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Seleção se isola na Copa América em cidade "berço" de Di Stéfano

Resort na pequena Los Cardales receberá Brasil em julho. Foi ali que o craque argentino foi descoberto nos anos 40

Marcel Rizzo e Paulo Passos, iG São Paulo |

Mano Menezes decidiu isolar a seleção brasileira na Copa América, que será disputada entre 1° e 24 de julho na Argentina. O local escolhido como base fica em uma cidade a 60 km de Buenos Aires, um resort super luxo, o primeiro do país. Los Cardales tem apenas cinco mil habitantes, mas guarda em sua história o início do contato com o futebol de um dos grandes craques que já existiu: Alfredo Di Stéfano.

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) divulga em abril a programação completa para a disputa da competição. Dois motivos levaram à escolha pelo Sofitel La Reserva Cardales: primeiro que Mano Menezes prefere uma base fixa, sem deslocamentos constantes. Segundo porque poderá treinar dentro do hotel, que tem um campo profissional já reservado para a seleção (há ainda outro menor, com capacidade para sete jogadores de cada lado), evitando assim deixar o local até estádios ou CTs de clubes. O hotel não será exclusivo à seleção, mas quem não for hóspede terá acesso limitado. Na Copa América 2007, na Venezuela, o Brasil de Dunga ficou em hotel aberto. Na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, o treinador preferiu isolamento total.

Luxo e ídolo

Los Cardales, na província de Buenos Aires, está a 40 minutos do centro da capital seguindo pela estrada RN 9, ligação a Rosário e Córdoba. O hotel escolhido pela CBF é de altíssimo padrão, com diárias mais baratas custando US$ 340 (R$ 578). Com 160 quartos, se autointitula o primeiro resort de luxo da Argentina.

Próximo ao distrito de Campana, área famosa para ecoturismo no país, o hotel tem quadras de tênis, campo de golfe, um lago para esportes náuticos, um spa com a academia no qual os jogadores treinarão, três restaurantes e, claro, os campos. O site oficial informa que o local é preparado para receber delegações esportivas - o Boca Juniors costuma se preparar ali para jogos importantes.

Um detalhe deixa mais interessante a presença do Brasil na região: a pequena cidade viu nascer Di Stéfano, que defendeu as seleções da Argentina e da Espanha (ele se naturalizou espanhol) e até hoje é um dos grandes ídolos do Real Madrid. Ele se mudou para uma fazenda em Los Cardales em 1940, aos 14 anos, quando seu pai foi trabalhar como distribuidor de batata e de mel. O garoto, que já jogava por clubes de base na cidade de Barracas, onde nasceu, foi atuar no Unión Progresista, único clube de Cardales, que ainda existe, mas não conta mais com departamento de futebol.

Foi em Los Cardales que olheiros do River Plate viram Di Stéfano. Em 1944, com 18 anos, foi contratado pelo time de Buenos Aires, seguindo depois para Millonarios, da Colômbia, Real Madrid e Espanyol, pelo qual encerrou a carreira em 1965. Di Stéfano, considerado por especialistas o “Pelé” de uma geração anterior à do craque brasileiro, foi convocado pela Espanha para a Copa do Mundo de 1962, no Chile, mas não jogou por estar lesionado. Hoje é uma espécie de embaixador do Real Madrid e participa de apresentações de grandes jogadores, como Zidane e Kaká.

Programação

A intenção da CBF é ficar o tempo todo em Los Cardales. Na primeira fase o Brasil joga na estreia em La Plata, contra a Venezuela, dia 3 de julho. A cidade está a duas horas do hotel, em percurso que será feito de ônibus. Os dois jogos seguintes, dia 9 contra o Paraguai e dia 13 contra o Equador, serão em Córdoba, a mais de 700 km. Em vez de ficar na cidade entre uma partida e outra, a delegação seguirá de avião, enfrentará os paraguaios, e voltará para o resort, para depois viajar novamente de avião e encarar os equatorianos.

No melhor cenário, fechando a fase em primeiro do Grupo B, o Brasil jogaria as quartas de final novamente em La Plata, em trajeto de ônibus, A semifinal seria em Mendonza, a mais de mil quilômetros, tendo que novamente se deslocar de avião. A final está marcada para Buenos Aires, único jogo que será disputado na capital – no Monumental de Nuñes, estádio do River Plate. Caso fique em segundo, o Brasil teria que se deslocar para San Juan nas quartas, mais de mil quilômetros, também de avião.

Em Londres, onde o Brasil enfrenta domingo (27 de março) a Escócia em amistoso, o técnico Mano Menezes, o responsável pela logística da seleção, Guilherme Ribeiro, e o presidente da CBF Ricardo Teixeira vão definir as próximas datas-chave da seleção. Mano gostaria de convocar os jogadores no final de maio, em uma lista que englobaria os amistosos contra Holanda (4 de junho, em Goiânia), e Romênia (7 de junho, em São Paulo, na despedida de Ronaldo) e Copa América. Os atletas teriam uma folga após o jogo festivo e se reapresentariam em meados de junho para viagem à Argentina.

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