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Futebol
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Segunda divisão espanhola testemunha choque entre novo e velho futebol do país

Confronto entre Real Betis e Barcelona II mostra as diferenças entre um clube que passou a viver do passado contra um que aposta em jogadores de futuro

Micaela Lepera, especial para o iG em Sevilha |

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O futebol espanhol, campeão mundial, definitivamente vive boa fase. Dois dos três indicados à Bola de Ouro da Fifa (Federação Internacional de Futebol e Associados) nasceram no país europeu: Xavi e Iniesta. Detalhe que ambos, juntos com o outro indicado (o argentino Messi), jogam desde as categorias de base pelo Barcelona, também da Espanha. Este clube, que nos últimos anos tem se notabilizado por revelar jovens talentos, mantém uma equipe B, o Barcelona II, para testar e dar rodagem aos garotos antes que eles sejam promovidos ao time principal. E, na quarta-feira, o futuro promissor do Barcelona teve um marcante encontro com um clube que vive cada vez mais de seu glorioso passado: o Real Betis Balompie, de Sevilha.

Micaela Lepera
Apegado às tradições, o Betis não usa a palavra futebol. Lá, o certo é "balompie"

Clube centenário, campeão espanhol e da Copa do Rei, dono de uma das mais apaixonadas e tradicionais torcidas da Espanha, o Betis vive um momento de crise. O ex-presidente do time, Manuel Ruiz de Lopera, investigado por irregularidades financeiras durante seu mandato, levou o time ao buraco financeiro e à segunda divisão, de onde a equipe vem tentando escapar há duas temporadas. Na quarta, o time andaluz, líder da Segundona, recebeu o Barcelona II, equipe com média de idade de 20,9 anos e cujo atleta mais velho tem 25 anos. A partida, válida pela 15ª rodada do campeonato, terminou em 2 a 2. Os experientes jogadores do Betis conseguiram abrir 2 a 0, mas não tiveram o mesmo fôlego dos garotos catalães e permitiram o empate já no final.

Confira um pouco do clima do estádio durante a partida

A filial do clube catalão, que recentemente enfrentou a seleção brasileira, mandou a campo uma equipe com atletas revelados em La Masia, as categorias de base do Barcelona, onde é construída a nova cara do futebol espanhol. Já o Betis apostou em um misto de veteranos desconhecidos, que tem até brasileiros como o zagueiro Rovérsio (ex-Sport) e meio-campista Iriney (ex-São Caetano), em um elenco que pouco lembra os anos de glória do time. A média de idade é de 26,5 anos, e não são muitos os jogadores de base fazem parte do elenco - exceção é o meio-campista Calvente, de 19 anos. Essa é a cara da crise de vários clubes médios da Espanha, que vão ficando cada vez mais esquecidos no limbo das divisões inferiores.

Novas promessas e grandes realidades
Os torcedores do Barcelona tem uma certeza: em 2010, o vencedor da Bola de Ouro da Fifa será um jogador do Barcelona. Mas quem é o líder das apostas? Espero que Xavi vença. É um jogador que está rendendo bem há muitos anos seguidos, tanto na seleção quanto no Barcelona. É o cara que move o jogo, que cria tudo, opina Ardiel Almeida, um dos poucos torcedores da equipe catalã no estádio. No entanto, ele não deixa de elogiar os concorrentes: Iniesta é muito bom também, mas não tem sido tão regular. Messi é o melhor do mundo, sem dúvida, mas o prêmio tem que ser dado ao melhor do ano, e, neste ano, não acho que ele tenha sido o melhor, completa.

Micaela Lepera
Atleta do Barcelona II se prepara para cruzar. Time catalão reagiu depois de levar 2 a 0

Entre as promessas do Barcelona II, nomes como os zagueiros Fontàs e Bartra, o meio-campista Thiago Alcântara (filho do campeão do mundo Mazinho) e o atacante Victor Vázquez já caíram no gosto dos torcedores e do técnico da equipe principal, Josep Guardiola. Jogadores da equipe B, eles foram chamados pelo treinador na terça-feira para integrar a equipe principal no jogo contra o Rubin Kazan, pela Liga dos Campeões da Europa. Destaque para Fontàs, visto como futuro substituto de Puyol, que marcou um gol, após passe de Thiago. Vázquez também deixou sua marca. Os garotos que jogaram pela Liga dos Campeões acabaram desfalcando o Barcelona II na partida contra o Betis.

Vale lembrar que a seleção espanhola foi campeã da Copa do Mundo 2010 com a seguinte escalação na final: Casillas; Sergio Ramos, Piqué, Puyol e Capdevila; Busquets, Xabi Alonso, Iniesta e Xavi; Pedro e David Villla. Simplesmente seis jogadores formados na base do Barcelona (a dupla de zaga, o primeiro volante, a dupla de meias e o primeiro atacante). Sinal de que as canteras do clube catalão não fizeram bem apenas para o clube, mas para a seleção também.

Orgulho do passado e esperança no futuro
Entre os torcedores do Betis, o clima é um misto de desânimo e esperança. Liderando a Segundona, o time parece estar juntando forças para voltar à primeira divisão na temporada 2011/12 (o primeiro lugar garantiria ao clube o acesso direto, sem necessidade de playoffs). O orgulho dos torcedores pelo clube é notável, e eles negam a reconhecer qualquer tipo de crise na equipe. Perguntados se o Betis um dia voltará a ser grande, a resposta está na ponta da língua, resgatando o passado glorioso do clube.

Micaela Lepera
Idosos e crianças se misturam na torcida do Betis. Público foi cerca de 30 mil

O Betis é muito importante, é a equipe que tem a quarta maior torcida da Espanha, atrás de Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madri. O estádio do Betis é o terceiro maior da Espanha, depois do Camp Nou e do Santiago Bernabéu, afirma Juan Luis Palma, torcedor da equipe verde e branca de Sevilha. O Betis é muito grande, apesar de estar na segunda divisão, completa, resignado.

Outros admitem que, apesar das boas recordações, o cenário atual não é dos melhores. Mas creem que o pior já passou: Caímos (para a segunda divisão) porque nossa diretoria era muito ruim. A torcida e os jogadores também não estavam se entendendo. Mas, se seguirmos assim, jogando bem como vamos jogando, ganhando as partidas, seguramente subiremos, diz Henrique García, também torcedor do Betis, lembrando-se dos tempos em que Manuel Ruiz de Lopera controlava o clube e suas ações.

Ambos os torcedores do Betis afirmam ter certa inveja do Barcelona, pelas glórias alcançadas pelo time catalão nos últimos anos, e pelo futebol vistoso que o time vem mostrando. Tenho inveja do Barcelona. Tudo o que eles fazem me agrada. Desejo que o Betis algum dia consiga alguns dos títulos que o Barcelona conseguiu, afirma Juan Luis.

Micaela Lepera
Com o frio do inverno europeu, o cachecol vira peça indispensável para os torcedores

Uma possível explicação para a crise do Betis seria uma praga atirada pelo Barcelona. É só lembrar que, em 1998, o clube de Sevilha pagou US$ 34 milhões (R$ 53,8 milhões, na cotação atual) para tirar o atacante Denílson do São Paulo, vencendo a negociação sobre o time da Catalunha. Resultado: o brasileiro não vingou, o Betis entrou em crise e o Barcelona desandou a ganhar títulos. Pelo jeito, a praga pegou.

Curiosidades
- Quem deu o pontapé inicial na partida entre Betis e Barcelona II foi o recém-aposentado tenista espanhol Carlos Moya. Vencedor de Roland Garros em 1998, ele ganhou homenagem da diretoria do Betis pelos serviços cumpridos pelo esporte espanhol (confira entrevista do tenista ao iG).

- Depois do jogo, em entrevista ao jornal catalão Sport, o atacante Nolito, autor do primeiro gol do Barcelona II no jogo, declarou que só tinha pão e manteiga para jantar. O motivo? É casado com uma torcedora fanática do Betis, que ficou muito brava com o gol do marido.

FICHA TÉCNICA ¿ REAL BETIS 2 x 2  BARCELONA II

Local: Estádio Estádio Benito Villamarín, em Sevilha (Espanha)
Data: 8 de dezembro de 2010, quarta-feira
Horário: 12h (horário de Brasília)
Árbitro: Juan Martínez Manuera
Assistentes: Cesar David Escribano e Sergio Ortega
Cartões amarelos: Dorado e Juande (Real Betis)

GOLS:
REAL BETIS: Rubén Castro, aos 7 minutos do primeiro tempo, e Rovérsio, aos 3 minutos do segundo tempo
BARCELONA II: Nolito, aos 34, e Romeu, aos 40 minutos do segundo tempo

REAL BETIS: Goitia; Isidoro, Rovérsio, Dorado e Nacho; Iriney, Beñat (Juande) e Miguel Lopes (Cañas); Emaná, Salva Sevilla e Rubén Castro (Molina) Técnico: Pepe Mel

BARCELONA II: Masip; Montoya, Armando, Muniesa e Abraham; Romeu, Carmona (Ilie) e Sergi Roberto (Riverola); Rochina (Saúl), Tello e Nolito Técnico: Luis Enrique

Micaela Lepera
Torcida do Betis com Sevilha ao fundo: fanáticos esperam dias melhores para o clube

*Colaborou Francisco De Laurentiis, iG São Paulo

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