Tamanho do texto

Cargo no conselho de administração do COL será dividido com executivo que terá poder de decisão. Jogador não deixa a 9ine

Ronaldo em entrevista na qual foi anunciado membro do COL
Gazeta Press
Ronaldo em entrevista na qual foi anunciado membro do COL
Ronaldo assinou o contrato, acertou os últimos detalhes e ficou sabendo o que faria exatamente como membro do conselho administrativo do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo de 2014 na manhã desta quinta-feira, poucas horas antes de enfrentar os jornalistas para explicar a função. Por isso levou uma cópia, um papel, com as atribuições que terá oficialmente.

Ele terá ao seu lado um executivo, ainda não definido, que na prática tomará as decisões. Ricardo Teixeira, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do COL, completa o trio do conselho. Ronaldo negou que haja conflito de interesse entre seu cargo na empresa de markting esportivo 9ine e o que assumirá no COL.

Leia mais : Ricardo Teixeira confirma Ronaldo no cargo

“Sabia que você (jornalista) ia perguntar isso e trouxe aqui o contrato, porque sabia que não ia decorar isso tudo. O que faz: estabelecer os objetivos, a política e a orientação geral dos negócios da sociedade. Bom, vou dar uma resumida...estudar e contratar auditoria externa, balancetes, contas da diretoria, reuniões dos sócios, aprovar planos de negócios, fixar limite de endividamento da sociedade, aprovar nível de alçada...bom, vai até a letra z, tem um monte de coisa”, disse o jogador.

Entenda: Cargo de Ronaldo terá perfil mais festivo do que técnico

A demora para acertar o contrato com o COL (que é uma empresa privada que tem como sócios Ricardo Teixeira e a CBF) foi porque Ronaldo conversou com seus sócios na empresa de marketing esportivo sobre o possível conflito nas funções.

Veja mais : Romário pede para que Ronaldo investigue o COL

“Não vou me licenciar na 9ine, minha atividade e vida vai continuar normal, não tem nenhum tipo de conflito, de interesse, não haverá tráfico de influência, eu não sou mais influente hoje no conselho de administração do COL do que eu era ontem, quando eu não era. Não havia e não houve nenhuma porta que eu bati que não aberta, tudo o que eu conquistei e todo o dinheiro que eu ganhei jogando futebol e com a minha imagem. Não haverá conflito de interesse e nem tráfico de influência”.

Poder limitado
O cargo terá mais um perfil festivo do que técnico. Ronaldo terá função parecida com a de Franz Beckenbauer teve na Copa alemã de 2006, de dar credibilidade, do que a de Michel Platini no COL francês de 98, que era o manda-chuva.

“O exemplo melhor é na vida pessoal. Eu não sou nenhum economista, nunca fui executivo, sempre fui conservador do meu dinheiro, mas sempre soube contratar pessoas competentes para estar do meu lado. No caso o Comitê já tem pessoas competentes”, disse Ronaldo.

Ronaldo tem alguns parceiros que podem conflitar com patrocinadores da Fifa e da Copa do Mundo de 2014. Por exemplo: ele tem acordo com a AMBEV e faz comerciais do Guaraná Antarctica. A Coca Cola á patrocinadora há anos da Fifa, entidade que não teve participação na nomeação do jogador. “Não precisei perguntar a eles (patrocinadores) não sobre o convite (do COL)”.

O cargo também prevê um salário, mas Ronaldo disse que vai abrir mão. O valor não foi revelado. “Meu compromisso é com o povo, o compromisso é fazer o maior evento de todos os tempos”.

Relação com Ricardo Teixeira

Ricardo Teixeira e Ronaldo se cumprimentam depois de anúncio que ex-jogador fará parte do COL
Mowa Press
Ricardo Teixeira e Ronaldo se cumprimentam depois de anúncio que ex-jogador fará parte do COL
Em maio de 2009, Ronaldo disse que Ricardo Teixeira tinha duplo caráter. A relação de ambos se desgastou e o jogador não soube explicar o motivo. A reaproximação aconteceu no final de 2010, por meio do presidente do Corinthians, e agora diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez. 

"O presidente e eu nos conhecemos desde que eu tenho 13 ou 14 anos, nosso relação é a melhor possível, aquela pequena briga foi um momento isolado e superado completamente. Brigo com minha mulher muito mais vezes e digo coisas muito piores, e nem por isso deixo de amá-la", disse o jogador. 

Ele acha que há muita desinformação quando se detona a preparação da Copa do Mundo. "Não há crise (no COL), há muito desinformação e picuinhas. Eu estive em Brasília fazendo trabalho para patrocinador, como sabia que no dia que ia a Brasília, pedi para encontrar o ministro (Aldo Rebelo, do Esporte), ele me recebeu, colocou à disposição do Comitê, me apresentou todas as obras do Governo Federal, reiterou que todas as obras serão entregues no prazo, e que tudo está sendo seguido normalmente. Então temos o apoio do Governo Federal, os Governos Estaduais têm se empenhado muito, o que vamos fazer com mais frequência é mostrar a realidade e aproximar todo mundo, inclusive a Fifa", disse.

Motivação
Ronaldo se atrapalhou quando foi questionado sobre se haverá ingressos subsidiados. Ele precisou da ajuda do diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, para a explicação. Serão 300 mil ingressos mais baratos (essa informação foi passada a Ronaldo por Paiva).

Ele admitiu que chegou a cogitar não aceitar o cargo porque só teria a perder com um possível desgaste de imagem, mas que aceitou porque acha que pode ajudar a melhorar a imagem da Copa para os brasileiros. 

"Minha ambição em fazer com que as pessoas se aproximem, que o povo se sinta orgulhoso desse evento, e comecei a pensar no povo, nas alegrias que dei, então decidi enfrentar, sabendo que seria alvo de críticas, de desconfianças, e sabendo que poderia jogar pela janela toda uma história de sucesso, de credibilidade. Mas o Comitê tem uma história fantástica, auditoria de uma grande multinacional, é uma empresa privada, financiada pela Fifa, então eu decidi entrar com tudo".