Em reunião com cúpula do Flamengo antes de entrevista coletiva, procurador Assis indicou que escolha poderá sair rapidamente

Ronaldinho Gaúcho poderá dar sua resposta ao Grêmio e ao Flamengo, favoritos na briga por sua contratação, além do Palmeiras, nesta sexta-feira. Pelo menos foi o que indicou o seu procurador e irmão, Assis, em reunião com a cúpula do clube carioca realizada antes da entrevista coletiva no Copacabana Palace, nesta quinta-feira, onde foi anunciada, em vez do destino do jogador, apenas uma liberação formal do Milan para que negociasse com clubes fora da Itália. Por ora, o contrato até o meio de 2011 com a equipe italiana está em vigor e o vice-presidente do clube, Adriano Galliani, ficará no Brasil até que o atleta decida seu futuro.

Assis confirmou, logo após a coletiva, que viajará, com Ronaldinho, para Porto Alegre nesta sexta-feira. Ele completará 39 anos na próxima segunda. O encontro com os flamenguistas foi costurado por seu amigo e diretor de marketing do time da Gávea, Harrison Baptista. Além dele, participaram a presidente Patrícia Amorim, o vice-presidente jurídico, Rafael de Piro, e o vice de finanças, Michel Levy.

O discurso de Assis, contudo, é dissimulado, como foi sua postura na coletiva. Respostas evasivas se tornaram marca registrada da "novela" que, como o procurador disse no Copacabana Palace, pode se estender até terça ou quarta-feira. Mas, em uma das respostas, ele deu uma pista de que, talvez, pelo menos a decisão de qual será o clube escolhido possa sair antes. Indagado sobre a questão, respondeu: "Até acertar tempo de contrato e outros detalhes, espero que terça ou quarta possamos resolver tudo".

O empresário Assis Moreira, Ronaldinho Gaúcho e Adriano Galliani, na coletiva desta quinta-feira, no Rio
AFP
O empresário Assis Moreira, Ronaldinho Gaúcho e Adriano Galliani, na coletiva desta quinta-feira, no Rio
Se em Porto Alegre os dirigentes do Grêmio falam abertamente da confiança em repatriar o craque, o Flamengo mantém o silêncio. Assis, porém, não se mostrou incomodado com a língua solta dos gremistas, tampouco sensibilizado com a mordaça carioca. Questionado sobre as entrevistas dos dirigentes gaúchos, ele exaltou a "elegância" de todos os envolvidos nas negociações, incluindo o Palmeiras.

No Rio, os comentários nos bastidores misturam confiança e ceticismo. Alguns na Gávea encararam a coletiva na cidade como forte indicativo de que o destino seria anunciado e Ronaldinho continuaria vestindo vermelho e preto no Brasil. Após a frustração dessa expectativa e a confirmação de Assis de que viajará para Porto Alegre, onde inevitavelmente se encontrará com os cartolas do Olímpico, a confiança plena ganhou ressalvas.

Pesa a favor do Flamengo, agora, além de uma proposta supostamente superior a dos gaúchos, a declaração de Galliani, afirmando que torce para que Ronaldinho escolha a equipe carioca. Amigo do ex-presidente do Flamengo, Kléber Leite, com quem costuma até passar festas de fim de ano no Brasil, ele chegou a deixar Assis constrangido no Copacabana Palace ao anunciar sua preferência nos microfones, enquanto o irmão de Ronaldinho a cada resposta ressaltava a importância do Milan e o peso que o clube teria nas negociações com os brasileiros. A favor do Grêmio, porém, está a Libertadores, que o Flamengo não disputará em 2011, além do fato de o Maracanã, maior palco carioca, estar fechado para reformas para a Copa do Mundo de 2014.

Quanto à visibilidade para voltar à seleção brasileira e disputar o Mundial daqui três anos, Ronaldinho considerou equivalentes o peso dos três times interessados na sua contratação. O fator decisivo, contudo, deverá ser quem pagará mais ao Milan, que quer receber seis milhões de euros (R$ 12,5 milhões), pela liberação. O único aspecto que se mostrou uma constante em todos os capítulos da "novela" até agora é: depois de uma reunião com Assis, todos saem confiantes no sucesso.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.