Deputado critica acúmulo de cargos na CBF e no COL e diz que dirigente terá de pagar se deu prejuízo aos cofres públicos

O deputado federal e ex-jogador da seleção brasileira Romário disse ao iG  ser "quase impossível” que o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, não esteja envolvido em atividades suspeitas levantadas pela TV Record, em série de matérias intitulada "A Máfia do Futebol", sobre irregularidades no esporte. Teixeira é um dos mais citados.

"Estou torcendo para não ser verdade, mas é quase impossível alguma coisa não ser verdade. Torço para que seja equívoco", afirmou Romário. Para ele, se for o caso, o dirigente e outras pessoas devem “pagar pelos prejuízos dados aos cofres públicos”. A assessoria da CBF informou que não comentará as declarações. Nesta quinta-feira, o PRB pediu investigação da Procuradoria-Geral da República sobre o dirigente.

Da esq. para dir., Mariz, J. Hawilla, Campos Pinto e Teixeira no camarote do estádio de Córdoba, na Copa América
Paulo Passos/iG
Da esq. para dir., Mariz, J. Hawilla, Campos Pinto e Teixeira no camarote do estádio de Córdoba, na Copa América
“Imagino que a TV nunca colocaria no ar uma matéria seriíssima, que pode denegrir a imagem e a idoneidade. Se não for verdade, é problema entre Ricardo Teixeira e Record. Se for, tem de pagar pelos prejuízos dados aos cofres públicos. Se for máfia do futebol, corruptos e ladrões têm de pagar o que roubaram”, disse.

Teixeira foi responsável pela convocação de Romário para a Copa do Mundo de 1994 , da qual o Brasil foi campeão. O ex-jogador está atuando na comissão de fiscalização dos gastos do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e convidou o presidente da CBF a depor na Câmara para “tirar dúvidas” sobre os estouros de orçamento na preparação da competição.

O comentário de Romário se referia ao suposto envolvimento do presidente da CBF em irregularidades e corrupção na Fifa, como denunciado por órgãos de imprensa do Reino Unido. Citando a reportagem da TV Record, Romário disse esperar que se trate de um engano.

Da esq. para dir., Mariz, J. Hawilla, Campos Pinto e Teixeira no camarote do estádio de Córdoba, na Copa América
Paulo Passos/iG
Da esq. para dir., Mariz, J. Hawilla, Campos Pinto e Teixeira no camarote do estádio de Córdoba, na Copa América

O caso foi revelado em meio a acusações da Federação Inglesa de Futebol de que teria havido compra de votos na ocasião da escolha do Catar para a Copa de 2022.

O ex-atacante também levantou dúvidas sobre o andamento das obras da Copa de 2014 e sobre o acúmulo de funções de Teixeira, que pode gerar problemas. “Ele ocupa três cargos de entidades relacionados à Copa – Fifa, CBF e COL. Não é bom ocupar tudo isso. Mas se ele se acha capaz para isso, vou respeitar. Mas temos visto muitos problemas: a Fifa faz sugestões e o COL diz que é obrigação.”

O ex-atacante diz ter relação "normal" com Teixeira, mas alega se tratar de uma questão impessoal, no exercício da função parlamentar. “Minha relação com Ricardo Teixeira é normal. Não somos amigos. Sempre o respeitei. Mas agora estou no papel de deputado.”

O ex-jogador lamentou que o presidente da CBF não tenha ido depor na Câmara. "Eu convidei Ricardo Teixeira para tirar dúvidas. Ele entendeu que não é bom ir."

CBF não comenta declarações

O diretor de Comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, afirmou que não comentará as declarações de Romário a respeito de Ricardo Teixeira. '' É a opinião dele, baseada em não sei o quê, mas ele tem direito. Não é a mesma da Justiça' nem da comissão da Camara', disse.

A CBF afirmou que a comissão da Camara foi recebida no comitê por Ricardo Teixeira dia 7. ''Romário não foi. Foi feita uma apresentação, os deputados tiraram as dúvidas e disseram estar muito bem-impressionados'', afirmou Paiva.

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