Um dia antes de fazer mil jogos pelo São Paulo, goleiro contou passagens da sua carreira pelo clube e comemorou o Morumbi lotado

Rogério Ceni, goleiro e capitão do São Paulo
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Rogério Ceni, goleiro e capitão do São Paulo

Nesta quarta-feira, Rogério Ceni entrará para o restrito grupo de jogadores que já defenderam o mesmo clube em mais de mil oportunidades. Contra o Atlético-MG, o goleiro atingirá impressionante marca de mil partidas pelo São Paulo , fato antes só antes alcançado por Pelé, no Santos, e Roberto Dinamite, no Vasco.

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Na véspera do histórico jogo, o capitão tricolor comentou atingir o feito nos tempos atuais. "Na verdade os mil jogos já foram feitos por Pelé e Dinamite, já foi conquistados por outros atletas. Mas, no momento atual do futebol brasileiro, fico feliz em alcançar essa marca num clube da grandiosidade do São Paulo", comentou.

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Rogério Ceni chegou ao São Paulo em 1990, depois de ser campeão estadual do Mato-Grosso pelo Sinop. Naquela época, o arqueiro ainda era desconhecido, claro, e chegou a morar no estádio do Morumbi antes de se efetivar como profissional do clube.

"Eu era um menino de 1,82m e com 68kg. Eu era magrinho. Quando eu passei a primeira vez pelo Morumbi fiquei impressionado, nunca tinha visto algo tão monstruoso. Hoje passo sempre, moro aqui perto, está num tamanho aceitável. Morei quatro anos dentro do estádio, primeiro no alojamento do juvenil, depois no alojamento dos juniores, passei dificuldades como todo garoto passa", contou.

E essas dificuldades inclui até o fato de ter que tomar café da manhã com baratas passando nos pães. "Exisitia uma bacia cheia de pães franceses aqui no Morumbi, margarina, leite, café. Tinha noite que tinha barata andando pelos pães. E era aquilo ou aquilo. Acho que é um fato necessário de se passar. Não foi um privilégio só meu, era para todos. Foi passando isso que eu dei o valor exato do clube para mim", comentou Rogério.

Depois de passar pelos percalços do alojamento dentro do estádio, o atleta foi para o grupo principal e passou a frequentar o CT da Barra Funda, com muito mais estrutura. "Em 1992, fui convocado pela primeira vez para ser reserva do Zetti. Ai dormi no CT pela primeira vez, tinha ar condicionado, televisão. Era tudo mais diferente. Queria me mudar logo para o profissional. E toda essa mudança me fez dar valor e tenho respeito pelo clube que deu tudo para mim. A cidade e o São Paulo me proporcionaram uma chance de vencer na vida", disse Ceni.

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Mito são-paulino
"Eu aceito o rótulo e fico muito feliz. Adoro o carinho do torcedor. Sei como é ter ídolos, porque eu também vi Careca jogar, depois tive o prazer de jogar com Raí, para mim um dos maiores da história do São Paulo. Zetti, Pedro Rocha, o próprio Muricy, Poy, Roberto Dias. Cada época, cada geração com pessoas que representaram o clube".

"Quando eu parar, o São Paulo será ainda maior. Ninguém é insubstituível. Eu lembro quando o Raí parou, foi uma tristeza. Quando eu parar, a vida continua. Talvez quem vier, vai ter as mesmas difficuldades que eu tive no começo. Tem o Denis, o Léo. Não sei qual o plano da diretoria para quando eu parar. Mas o São Paulo vai continuar sempre imenso, enorme, e eu sempre vou ser um torcedor do clube. Torcedor é o motivo de tudo, para você executar seu trabaho".

Lugano e Miranda, os melhores zagueiros
"Quando se cita nomes, é uma coisa triste. Quando você não lembra, o cara fica chateado. Mas já tive desde Breno, Alex Silva, Rhodolfo, tem agora o Blackenbauer (João Filipe) que está se destacando, Bordon, Edmilson. Tivemos também o Capitão, Marcio Santos".

"Mas tem dois extremos: o Miranda, que tem uma qualidade técnica absurda, difícil sair outro Miranda, é veloz, brigador. Ele tomava conta. E não posso deixar de destacar o Lugano, pelo espírito. Chegou com limitações, mas não tinha medo de nenhuma dividida. Não posso compará-lo tecnicamente ao Miranda, mas tinha muita vontade".

Jogo mais importante
"Talvez seja o que mais tenha marcado (final do Mundial contra o Liverpool, em 2005). Foi um jogo que nós conquistamos o título mais importante dos últimos anos, conseguimos repetir 92 e 93. Mas acontecerem outros, em meio de campeonato. Eu lembro desde meu primeiro titulo, que foi a Conmebol, jogando como titular. E cada jogo se torna especial. A gente treina a semana inteira para executar nesses 90 minutos".

"Eu não coloco um jogo como mais importante. Eu coloco que eu vivi todos esses 999 jogos com a mesma importância, mesma intensidade, sempre com o mesmo desejo de vencer. É claro que algumas vitórias marcaram mais, assim como essa sobre o Liverpool, em 2005".

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Filha quer gol-contra de Ceni?
"As minhas filhas são pequenas (Clara e Beatriz), têm só seis anos. Eu não saio com elas para que não haja qualquer tipo de problema. Às vezes eu saio, outras crianças vêm tirar foto e elas ficam com ciúmes. Uma vez a Clara me perguntou: 'por que você não faz gol naquele gol que fica atrás de você? É mais fácil, Não tem que atravessar o campo todo'. Eu dei risada. Elas ainda não têm muita noção".

Cutucada em Paulo Amaral
"Aquela polêmica do Arsenal foi um dos momentos que eu mais tive pré-disposição de ir embora. Fiquei fora por 4 semanas, não me arrependo de nada. Às vezes, confiar demais nas pessoas, elas tentam te passar para trás, te colocar em situações delicadas. Eu não vou falar nada contra o ex-mandatário porque eu não tenho como provar nada contra ele".

Em 2001, Rogério Ceni disse que recebeu uma proposta para defender o Arsenal, da Inglaterra, fato veementemente negado pelo então presidente do clube, Paulo Amaral. A saída do arqueiro do São Paulo esteve muito próxima de acontecer.

Morumbi lotado para o milésimo
"Para vencer o Atlético-MG? A diferença são as 60 mil vozes no morumbi. Se o cara não correr com o Morumbi lotado, ai não tem palavra dentro do jogo que mostre a ele a vontade de vencer. Acredito na vinda do torcedor. Temos um adversário difícil, no primeiro turno tomamos um sufoco, vem de duas vitóias seguidas, é um time que está com moral elevado, com confiança. E isso torn o jogo difícil. Eu não esperava vender 60 mil ingressos, um jogo de meio de campeonato. E para os torcedores, temos que dar a vitória".

"Nos últimos jogos não conseguimos os resultados que estamos acostumados a obter no Morumbi. Está tudo dentro da nossa cabeça, está no desejo de vencer. A atitude que tivemos diante do Figueirense foi bacana, os meninos que entraram tiveram vontade. Quando você tem a entrega de todos, as chances aumentam. Não há uma receita exata. Se eu soubesse, eu ia ser treinador. Vou fazer minha parte, tentar motivar. E isso aliado com o peso do torcedor, vamos conseguir chegar aos três pontos".

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