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Futebol
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Roberto Carlos terá em sua janela frio, terror e separatismo

Lateral vai viver no Daguestão, república com histórico de violência. Seu novo clube tem muito dinheiro e pouca tradição

Francisco De Laurentiis, iG São Paulo |

Após a eliminação do Corinthians para o Tolima-COL na pré-Libertadores, o lateral Roberto Carlos entrou em atrito com a torcida do clube paulista. Alegou ser perseguido (literalmente) e ameaçado de morte por torcedores, pediu a rescisão de seu contrato, fez as malas e partiu para a Rússia. Assinou por dois anos com o desconhecido FC Anzhi Makhachkala em troca de paz e um salário de R$ 11,3 milhões por ano (três vezes mais do que ganhava no Corinthians). Morando no Leste Europeu, porém, será difícil o lateral encontrar a tranquilidade que faltou em seus tempos de Parque São Jorge. O pagamento, todavia, deverá cair em dia na conta bancária.

O Anzhi Makhachkala, 11º colocado na última temporada do Campeonato Russo, é a mais nova propriedade do bilionário Suleyman Abusaidovich Kerimov, dono de uma fortuna avaliada em US$ 5,5 bilhões (R$9,1 bilhões) e 136º homem mais rico do mundo segundo a revista “Forbes”. Ele comprou o jovem clube (fundado em 1991) no dia 18 de janeiro, e logo resolveu investir pesado: contratou Roberto Carlos e já fez uma proposta de R$ 22,4 milhões pelo volante Jucilei, do Corinthians. O técnico Tite, porém, aconselhou o jogador a descartar o negócio.

Sem grande destaque, o Anzhi tem como melhor resultado um quarto lugar no Campeonato Russo, em 2000/2001. O clube teve a chance, na temporada seguinte, de disputar a Copa da Uefa, mas caiu na fase preliminar. O curioso é que o time fez o jogo mais importante de sua história em campo neutro. Em virtude dos conflitos na Chechênia, região vizinha ao Daguestão (onde fica Makhachkala), a Uefa (União das Federações Europeias de Futebol) decidiu que o Anzhi iria disputar a vaga em apenas uma partida, realizada em campo neutro, contra o Rangers-ESC. A derrota por 1 a 0 em Varsóvia (Polônia) foi o suficiente para eliminar os russos.

Getty Images
Partida entre Anzhi e Spartak Moscou, pelo Campeonato Russo. Roberto Carlos vai jogar no time verde
Em seus primeiros dias na cidade russa, o lateral vai encontrar um inverno rigoroso e temperaturas bem diferentes das que experimentou em seus tempos de Corinthians: a previsão para os próximos dias é de neve e chuva, com os termômetros mostrando de -6ºC a 0ºC. Será difícil, portanto, aproveitar as praias à beira do mar Cáspio, que banha a cidade. As baladas também não lembrarão em nada às da capital paulista: Makhachkala tem população predominantemente islâmica xiita, ou seja, nada de pagode e bebidas alcoólicas.

"Vou para a Rússia com grande interesse. Quando decidi continuar minha carreira no país de vocês (russos), o dinheiro não foi um argumento decisivo", disse Roberto Carlos esta semana ao jornal russo "Sports-Express". Resta saber qual será o “argumento decisivo” que vai segurá-lo em Makhachkala caso o surto de violência que assola a cidade continue.

Das organizadas para o Daguestão

Muito frio e pouca festa não são nada perto dos outros problemas que Roberto Carlos pode encontrar em sua nova aventura. Capital da República do Daguestão, uma das divisões federais da Rússia, a cidade de Makhachkala (aproximadamente 500 mil habitantes, distante 1607 km da capital Moscou) não prima exatamente pela tranquilidade. O Daguestão (assim como a Chechênia e a Inguchétia) luta por independência, e é palco de conflitos entre tropas do governo russo e separatistas islâmicos. E os rebeldes são bem mais violentos que os torcedores organizados do Brasil.

Na última segunda-feira, por exemplo, a cidade de Gubden, a 150 km de Makhachkala, teve 28 pessoas mortas após atentados suicidas. No início de fevereiro, explosões interromperam o serviço de trens entre a capital do Daguestão e Moscou. Em Makhachkala, a ocorrência mais recente data do começo de janeiro: separatistas usaram mais de 100 kg de dinamite em um atentado suicida contra uma base da polícia. O ato deixou sete policiais mortos e muitos outros feridos.

Panoramio
Makhachkala em um dia de inverno. Roberto Carlos terá que se acostumar a andar na neve nos próximos anos
Preocupado com o recente surto de violência nas repúblicas islâmicas do Cáucaso Norte, o presidente russo, Dmitry Medvedev, já deu ordens ao Serviço Federal de Segurança para controlar o caos na região, segundo a agência de notícias russa “RIA Novosti”. Em meio a tudo isso, Roberto Carlos chega à Rússia “motivado”, segundo seu empresário.

"Roberto já tem 37 anos, mas está muito motivado. É uma pessoa muito ambiciosa. Quer ganhar todas as competições. Talvez seja um dos jogadores com mais títulos da história. Seu objetivo com o Anzhi é alcançar a posição mais alta possível na classificação", disse o agente do atleta, Fabiano Farah.

Pelo menos o lateral não terá que se preocupar comos confrontos entre torcidas. O Dynamo Makhachkala, grande rival do Anzhi, abandonou o futebol profissional em 2007, deixando a cidade litorânea com apenas um clube profissional.

Quem paga por Roberto Carlos

Suleyman Kerimov, o dono do novo clube do lateral brasileiro, construiu sua fortuna a partir da desintegração da União Soviética, em 1991. Ele fundou o banco Fedprombank e passou a emprestar dinheiro para indústrias que iam mal das penas. Com o dinheiro vindo dos juros, comprou antigas empresas estatais (em especial mineradoras) e ações das mais diversas companhias (como da gigante do gás natural Gazprom, patrocinadora do Schalke 04-ALE), tornando-se um dos maiores investidores da Rússia. Ele também tem envolvimento na política, tendo trabalhado em secretarias de Segurança e do Esporte no parlamento russo.

Reprodução
Suleyman Kerimov, o dono da grana
Sem saber o que fazer com tanto dinheiro, o bilionário partiu para a filantropia, fazendo doações para escolas e centros de formações de atletas. E, seguindo os passos do compatriota Roman Abramovich (dono do Chelsea-ING), resolveu comprar seu próprio clube de futebol, e já fez sua contratação de impacto logo em seu primeiro mês como mandatário do Anzhi Makhachkala: trouxe Roberto Carlos, campeão da Copa do Mundo de 2002 com a seleção brasileira e dono de outros tantos títulos com a camisa do Real Madrid-ESP.

A estreia do lateral esquerdo deverá acontecer no final deste mês, contra o Zenit São Petersburgo, pela Copa da Rússia. O Anzhi também conta com outro brasileiro no elenco: o zagueiro João Carlos, de 29 anos. Ele teve passagem pelo Vasco no início dos anos 2000, e estava atuando no futebol belga.

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