Lennart Johansson diz que uma pessoa de confiança afirmou ter visto envelopes sendo entregues a membros votantes antes de pleito

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Então presidente da Uefa, Lennart Johansson cumprimenta Blatter em Congresso da Fifa em 2007
Joseph Blatter foi eleito para seu quarto mandato à frente da Fifa em meio à maior crise da história da entidade. Em 1998, porém, quando venceu a eleição pela primeira vez, o suíço já estava envolvido em corrupção. É o que alega o sueco Lennart Johansson, ex-presidente da Uefa e candidato derrotado naquele pleito. Segundo ele, envelopes foram entregues a delegados de vários países pouco antes da votação.

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“Ele veio falar, alguém próximo a mim com quem eu tinha trabalhado por vários anos, que viu envelopes marrons sendo entregues de um para outro”, afirmou Johansson. “A interpretação era que aquilo foi para fazê-los votar no Blatter. Não havia provas, então decidir não mencionar isso, pois poderia me colocar em uma posição igualmente ruim ao acreditar em rumores e fazer acusações sem provas”.

Na ocasião, Blatter era o candidato da situação, apoiado pelo brasileiro João Havelange, que presidiu a Fifa de 1974 a 1998. Reportagem do jornal inglês Guardian de março de 1999 afirma que vinte líderes no mundo do futebol aceitaram receber suborno de 50 mil dólares – totalizando um milhão de dólares – para “ajeitar” o processo eleitoral. “Envelopes recheados de dinheiro”, diz o texto.

Ao ser derrotado, Johansson pediu que a entidade máxima investigasse o pleito, o que não deu em nada. Mas até hoje não se sabe Blatter estava envolvido ou sequer sabia sobre o esquema de compra de votos.

Alteração na escolha das sedes
Lennart Johansson recebeu com desconfiança o novo formato para escolha de sedes de Copa do Mundo proposto por Blatter na última quarta-feira. O presidente reeleito afirmou que o Congresso da Fifa, ou seja, representantes dos 208 países filiados, terão poder de voto e não mais apenas os membros do Comitê Executivo da entidade.

“Acho que ele está desaprovando seu próprio Comitê Executivo, seus colegas mais próximos”, falou o sueco. “São eles que, antes de qualquer decisão, tem que estar certos sobre todos os detalhes financeiros, de segurança, comunicação, hotéis e ter uma ideia clara de quem são os melhores candidatos”.

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