Bin Hammam é alvo do Comitê de Ética da Fifa e quer que rival na corrida presidencial vire alvo. Blatter ironiza

À medida em que se aproximam as eleições que vão determinar o próximo presidente da Fifa, marcadas para quarta-feira, dia 1º, os dois candidatos ao cargo ampliam seus ataques pessoais .

Alvo de investigação no Comitê de Ética da máxima entidade do futebol mundial, o candidato Mohamed Bin Hammam, do Catar, luta para associar o fato a uma manobra política de seu adversário, o suíço Joseph Blatter (que tenta emplacar seu quarto mandato consecutivo).

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Antigos aliados, Joseph Blatter (esq.) e Mohammed Bin Hammam agora disputam a presidência da Fifa
"Sugerimos que as investigações a cargo do Comitê de Ética sejam ampliadas para que incluam o próprio senhor Blatter", diz comunicado emitido pelo escritório de Bin Hammam, de acordo com o site da revista britânica "Four Four Two".

No próximo domingo, o candidato, nascido no Catar, vai prestar depoimento ao comitê. A Fifa suspeita que Bin Hammam tenha oferecido propina a membros da Concacaf para obter votos na eleição do dia 1º de junho. O principal foco da investigação é uma reunião envolvendo Bin Hammam com líderes do futebol caribenho entre os dias 10 e 11, em Trinidad e Tobago, país de origem de Jack Warner, presidente da Concacaf e também alvo de investigações.

Pelo raciocínio de Bin Hammam, Blatter também deve ser incluído nas investigações por ter tido conhecimento da reunião com os membros da Concacaf, realizada no caribe. "A investigação em andamento mostra indícios de que Blatter teve conhecimento da reunião e da suspeita de pagamentos supostamente feitos aos membros da Concacaf. Mesmo assim, não se opôs", prossegue comunicado do "staff" de Bin Hammam.

Além desta suspeita, Bin Hammam também teve a imagem desgastada por conta da escolha do Catar para ser o país-sede da Copa do Mundo de 2018. Surgiram na Inglaterra denúncias de que o dirigente catariano ofereceu propina a membros do Comitê Executivo da Fifa.

Sem sequer considerar a hipótese de retirar sua candidatura, o dirigente do Catar afirma que tais denúncias são orquestradas por Blatter. "O `timing´ dessas acusações sugerem que elas são orquestradas para forçar a desistência da candidatura", finaliza o documento, afirmando ainda que Bin Hammam não teme os depoimentos do próximo domingo ao Comitê de Ética.

Blatter nega ter orquestrado crise
Em coluna publicada nesta quinta-feira pelo site "Inside World Football" (Por Dentro do Futebol Mundial), Joseph Blatter se disse "chocado e profundamente insatisfeito" com as suspeitas lançadas contra ele por Bin Hammam.

"Presumir que o atual calvário do meu adversário me dá algum tipo de satisfação perversa, e que tais fatos de alguma forma foram arquitetatos por mim é fato completamente repreensível", escreveu o suíço. "Estou chocado, entristecido e profundamente insatisfeito com as acusações feitas contra um homem cuja a amizade eu apreciei por tantos anos", prossegue o presidente da Fifa, com boa dose de ironia, lembrando que Bin Hammam fora seu aliado.

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