Treinador comandou time por 322 dias com altos e baixos, sempre marcados por rusgas com a direção

Em 322 dias, Renato Gaúcho revolucionou o Grêmio . Não só pelo trabalho em campo, mas também pelo perfil boleirão, centralizador de decisões e, claro, polêmico.

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Desde que foi contratado, no dia 12 de agosto de 2010, Renato viveu colecionou altos e baixos no Olímpico, sempre sem abrir mão de deixar clara sua opinião. O treinador, que deixou o clube na tarde desta quinta-feira, alvou o time do rebaixamento, conquistou vaga na Libertadores, foi eliminado precocemente do torneio sul-americano e perdeu um Gauchão.

Tudo, claro, acompanhado de rusgas com a direção.

Relembre as dez mais importantes:

27 de agosto de 2010: “O psicólogo sou eu”

Renato tinha 15 dias de Grêmio. O clube estava na zona de rebaixamento do Brasileirão e o então diretor de futebol Alberto Guerra pensou em contratar um psicólogo para motivar o grupo. O treinador foi contra e gerou o primeiro e único conflito com a direção que o contratou:

“O psicólogo sou eu. Hoje o grupo precisa ouvir um cara que conhece vestiário e é experiente. Respeito a opinião de todos, mas no meu grupo não entra psicólogo. Tem que conhecer vestiário e campo, e quem conhece sou eu.”

15 de outubro de 2010: “Se vier Libertadores, será leilão para renovar”

A luta pela vaga na Libertadores continuava, agora com nova direção eleita. Encabeçada pelo presidente Paulo Odone, a chapa de oposição derrotou o candidato da situação Airton Ruschel. Renato Gaúcho preferia que o grupo de Duda Kroeff permanecesse no comando do clube.

O primeiro sinal de descontentamento surgiu quando foi perguntado sobre a abertura das negociações para a renovação de contrato:

“Se vier a Libertadores... será leilão. Quando cheguei o Grêmio estava mal, agora a situação é outra. A prioridade é do Grêmio, mas quem tem que dar o primeiro passo é o futuro presidente.”

Renato Gaúcho alternou bons e maus momentos à beira do gramado
Gazeta Press
Renato Gaúcho alternou bons e maus momentos à beira do gramado

3 de novembro de 2010: “Quem gosta do Grêmio deve calar a boca”

A campanha do Grêmio melhorava no Brasileirão e a vaga na Libertadores virou obsessão. Ao mesmo tempo, a vida política do clube estava agitada. O desgaste da eleição presidencial gerava o vazamento de especulações sobre a saída e chegada de jogadores.

Irritado, Renato mandou recado à nova direção após a vitória sobre o Goiás no Serra Dourada:

“Agora estou voltando para Porto Alegre e nada vai mudar a caminhada do Grêmio. Quem gosta do Grêmio e está falando muito deve calar a boca. Temos um objetivo e não pode ter 'guerrinha' de vaidades. Quem faz isso não chega a lugar algum. Isso é um aviso para todo mundo. Vamos pensar no Grêmio, lotar o Olímpico e ficar quietos.”

Odone respondeu dizendo que não falava com funcionário. A partir dali a relação começou a ficar estremecida.

7 de novembro de 2010: “Meu sorriso responde”

A luta pela Libertadores prosseguia. O presidente Paulo Odone tratava da renovação com Renato. Perguntado sobre a proposta recebida, o treinador foi irônico:
“Meu sorriso responde. Às vezes agrada, às vezes não. Se a antiga direção tivesse continuado já teria renovado.”

O acerto sairia no dia 19 de novembro. Sem multa rescisória e por tempo indeterminado.

24 de novembro de 2010: “Não precisamos de diretor-executivo”

O acerto não acabou com as divergências. A direção planejava a contratação de um diretor-executivo. Renato mostrou-se contrário embora tenha admitido que a decisão final era de Paulo Odone:

“Não precisamos de diretor-executivo. O Grêmio poderia economizar este dinheiro para contratar”

18 de janeiro de 2011: “Não tem chance de viajar ao Interior”

Ano novo, mesmas polêmicas. O Grêmio disputava o Gauchão e se preparava para a estreia na Libertadores. Com Gre-Nal a ser disputado em Rivera, com time reserva, Renato disse que não iria viajar ao Interior do estado:

“Não tem chance. Preciso descansar, afinal, não sou o Homem de Ferro”.

A direção não gostou e reprovou o comportamento de Renato. Ele não foi ao clássico, porém, viajou em todas as outras partidas do clube.

19 de março de 2011: “Posso trocar o Grêmio pelo Fluminense”

O Grêmio estava no Peru, onde enfrentaria o León pela Libertadores. Renato recebeu um telefone do jornalista Jorge Kajuru. A pergunta: recebeu proposta do Fluminense?

“Não te falei nada, mas tem chance. Posso trocar o Grêmio pelo Fluminense, sim”.
Renato, três dias depois, comentou o caso. Disse que tinha passado um trote e garantiu permanecer no Grêmio. O caso abalou a confiança da direção no treinador.

Renato Gaúcho ao lado da filha, Carolina, na disputa de pênaltis que decidiu o Campeonato Gaúcho
Gazeta Press
Renato Gaúcho ao lado da filha, Carolina, na disputa de pênaltis que decidiu o Campeonato Gaúcho

29 de abril: “A direção tem de falar sobre Carlos Alberto”

Carlos Alberto foi dispensado por problemas disciplinares. A decisão foi da direção. Renato não gostou:

“O problema é da direção. É ela quem tem de falar sobre Carlos Alberto. É aquela relação do custo benefício, é um jogador caro, e a diretoria resolveu tomar esta decisão. Não vejo casos de indisciplina, foi uma decisão da diretoria.”

16 de maio: “Quem tem de cobrar sou eu”

O Grêmio havia perdido o Gauchão para o Inter. Perguntado sobre eventual cobrança da direção, o treinador rebateu: “Quem tem de cobrar sou eu. Precisamos de reforços. Estou tranquilo”.

Mais uma vez, a direção reprovou o comportamento.

21 de junho: “Deixo tudo mastigadinho para eles”

O último conflito também foi sobre a necessidade de reforçar o elenco. Ao revelar telefonar para jogadores para apressar as contratações, Renato polemizou:

“A direção precisa se mexer. Deixo tudo mastigadinho para eles.”

O vice de futebol Antônio Martins rebateu: “Ele não manda no Grêmio.”

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