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Gestão do ex-presidente na entidade foi marcada por inúmeras declarações fortes contra veículos de imprensa

Depois de passar mais de 23 anos no comando do futebol brasileiro, Ricardo Teixeira não é mais o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Nesta segunda-feira, em carta que foi lida pelo novo presidente da entidade, José Maria Marín, Teixeira anunciou sua saída da CBF e também do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo 2012. As inúmeras denúncias de corrupção - como o recebimento de propina da ISL, antiga empresa de marketing esportivo parceira da Fifa - foram decisivas para o afastamento definitivo de Teixeira do cargo.

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Desde 1989, quando sucedeu Octávio Pinto Guimarães na entidade do futebol nacional, Ricardo Teixeira gerou muitas desconfianças, sempre acompanhadas de frases de impacto, polêmicas e recheadas de termos chulos. Especialmente nos últimos anos, quando viu o cerco se fechar com seu nome envolvido em diversos escândalos.

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Em uma entrevista concedida à revista "Piauí", por exemplo, publicada no mês de julho de 2011, Teixeira não economizou nas palavras e deu declarações fortes contra veículos de imprensa e sobre sua situação na CBF.

Relembre algumas citações de Teixeira ao longo dos anos :

"Tinha jogador que chegava entre 4 e 6 da manhã, bêbado"
(Agosto de 2007, O Estado de S. Paulo, sobre o fracasso da seleção na Copa de 2006)

"Como é que um atleta pode chegar a uma Copa pesando 98 quilos? Eu tenho quase isso e não sou atleta"
(Agosto de 2007, O Estado de S. Paulo, sobre a forma física de Ronaldo em 2006)

Teixeira com Ronaldo, atual membro do conselho do Comitê Organizador da Copa de 2014
Gazeta Press
Teixeira com Ronaldo, atual membro do conselho do Comitê Organizador da Copa de 2014
"Meu amor, já falaram tudo de mim: que eu trouxe contrabando em avião da seleção, a CPI da Nike e a do Futebol, que tem sacanagem na Copa de 2014. É tudo da mesma patota, UOL, Folha, Lance, ESPN, que ficam repetindo as mesmas merdas. Portanto, só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional"
(Julho de 2011, Revista Piauí, sobre as acusações que saem na mídia brasileira)

"Eu vou infernizar a vida deles. Enquanto eu estiver na CBF, na Fifa, onde for, eles não entram”
(Julho de 2011, Revista Piauí, sobre a BBC, que acusou Teixeira de corrupção)

"Não ligo. Aliás, caguei. Caguei montão. O neguinho do Harlem [bairro pobre nova-iorquino] olha para o carrão do branco e fala: ‘quero um igual’. O negro não quer que o branco se foda e perca o carro. Mas no Brasil não é assim. É essa coisa de quinta categoria"
(Julho de 2011, Revista Piauí, sobre as acusações de corrupção)

"Dele, eu não deixo passar nada. Outro dia, recebi um dinheiro dele. Mas eu dôo para a caridade. Na próxima que ganhar, vou publicar no site da CBF um agradecimento"
(Julho de 2011, Revista Piauí, sobre o jornalista esportivo Juca Kfouri)

"Quanto mais tomo pau da Record, fico com mais crédito com a Globo"
(Julho de 2011, Revista Piauí, sobre reportagens de denúncia na TV Record)

"A imprensa brasileira é muito vagabunda... Não leio mais porra nenhuma, a vida ficou leve para cacete, tá muito bom"
(Julho de 2011, Revista Piauí, sobre a imprensa brasileira)

"A imprensa é a maior culpada de tudo isso. Por ser toda paulista, passou três anos tentando enfiar goela abaixo o Morumbi. Com isso, atrasaram todos os projetos"
(Julho de 2011, Revista Piauí, sobre os atrasos em SP para a Copa de 2014)

"Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Porque eu saio em 2015. E aí, acabou"
(Julho de 2011, Revista Piauí, sobre seu mandato na CBF)

"O Maracanã tem que ser explodido. É impossível adaptá-lo"
(Julho de 2011, Revista Piauí, sobre as exigências da Fifa nas obras do estádio carioca)