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Futebol
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Reforço do Olaria, Pedrinho fala sobre depressão e recomeço

Meia decidiu voltar ao futebol aos 34 anos e diz que lesões foram a principal tristeza da carreira

Renan Rodrigues, iG Rio de Janeiro |

Ele passou por três lesões sérias no joelho, venceu um grave quadro de depressão e ainda foi testemunha - em campo - do rebaixamento de sua equipe de coração, o Vasco da Gama. Com tantos percalços em pouco tempo de carreira, era de se esperar que Pedrinho quisesse distância do futebol. Nada disso. Aos 34 anos, o meia abandonou a aposentadoria, acertou contrato com o Olaria para a disputa do Campeonato Carioca de 2012 e garante: 'não quero dinheiro nem marketing, apenas me divertir e ajudar'.

Em uma entrevista exclusiva ao iG, interrompida diversas vezes para que o jogador distribuísse autógrafos e tirasse fotos com torcedores da nova casa, Pedrinho fala sobre depressão, lesões, aposentadoria, seleção brasileira e revela que a única coisa que teria feito diferente é a maneira como se cobrava internamente. "Algumas pequenas coisas eu mudaria. Talvez ficaria mais relaxado, mais tranquilo, sem me cobrar tanto. Mas de modo geral acho que faria tudo novamente. Não tenho muitos arrependimentos no futebol", disse.

Leia também: Aos 34 anos, Pedrinho encara recomeço no Olaria pelo 'prazer em jogar'

Sem se preocupar com a volta das temidas contusões, o jogador diz que está bem fisicamente. Durante os próximos meses, o meia irá conciliar os treinamentos da equipe carioca com partidas de showbol pelo Vasco. "Estou me sentindo bem e quero voltar para relaxar, curtir o futebol. Só aceitei o desafio porque amo jogar futebol", declarou.

Confira como foi o bate-papo com o novo reforço do Olaria:

iG: A imprensa alemã especula que o zagueiro Breno, que é investigado por ter colocado fogo na própria casa, estava sofrendo de depressão. Você passou por essa doença e seguiu sua carreira. A cobrança sobre os jogadores excede limites?
Pedrinho: Acho que sim. Muitas vezes a classe é generalizada e não existe uma avaliação individual. Pela atitude de um ou outro jogador, somos taxados como 'chinelinhos', que os jogadores só querem saber de dinheiro. Todos os problemas que tive de contusão foram sérios e comprovados pelos médicos. Nunca fiquei no departamento médico porque estava fingindo ou coisas desse tipo. Sofria muita pressão por parte da imprensa por ter um salário alto e não jogar, aquilo me incomodava muito. No Palmeiras pedi para não receber, era muita pressão e comigo parece que as coisas ganhavam uma repercussão maior. Não posso falar do caso do Breno, pois não sei exatamente o que aconteceu, mas isso vai minando aos poucos, porque o atleta quer jogar, não quer ficar parado, e outras pessoas não tem essa compreensão.

Veja mais: Pedrinho cancela aposentadoria e anuncia acerto com o Olaria

iG: Como é sua relação com a dor? Ainda sente? Qual análise faz da sua carreira?
Pedrinho: É normal, o futebol exige bastante do corpo do atleta, mas só algumas dorezinhas, natural depois de realizar alguma atividade mais intensa, tanto que estou jogando showbol e estou me sentindo bem. Claro que é diferente, mas se estivesse com dores, não voltaria. Acho que foi uma boa carreira, com muitas alegrias, muitos títulos que nem todos têm a oportunidade de conquistar. Algumas coisas legais não aconteceram, principalmente com seleção brasileira. E ai é natural pensar como teria sido se não tivesse ido naquela bola, disputado aquele lance, mas tenho orgulho de tudo que passei.

Renan Rodrigues
Pedrinho diz que voltou a jogar futebol pela paixão ao esporte

iG: Teme ter alguma nova lesão? A estrutura do Olaria permitiria você se tratar como nos outros clubes?
Pedrinho: Não estou preocupado com isso. Estou bem fisicamente, me sentindo bem e quero voltar para relaxar, curtir o futebol. Só aceitei o desafio porque amo jogar futebol. Não existe aquela cobrança, aquela pressão de antes, então não me preocupo com isso. Antes de assinar, conversei com a diretoria, caso seja preciso fazer algum tratamento, poderei fazer fora, sem problema. Mas a estrutura do Olaria é muito boa, o clube está se planejando muito bem.

iG: O que você não repetiria hoje, após tudo que já viveu no futebol?
Pedrinho: Acho que faria quase tudo igual, repetiria uns 90%. Algumas pequenas coisas eu mudaria. Talvez ficaria mais relaxado, mais tranquilo, sem me cobrar tanto. Mas de modo geral acho que faria tudo novamente. Não tenho muitos arrependimentos no futebol.

iG: A previsão agora é de jogar até quando?
Pedrinho: Inicialmente vou só disputar o Campeonato Carioca de 2012 e encerrar, mas é difícil, não dá para prever tanto. Vai depender muito do futebol que vou desempenhar, de como vou me sentir.

iG: Se arrependeu de ter parado aos 32 anos?
Pedrinho:
Naquele momento era a decisão certa, já estava bem desgastado do mundo do futebol. Não fazia sentindo insistir quando as coisas já não estão mais dando prazer, fazendo bem. Esse período sem jogar fez muito bem para mim, foi excelente para tudo, minha vida pessoal e profissional. Voltei porque amo o futebol, pelo prazer em jogar bola.

Divulgação
Pedrinho estava atuando no showbol pelo Vasco
iG: Como espera ser recebido pela torcida do Vasco quando atuar em São Januário?
Pedrinho:
Todas as vezes que fui para São Januário, espera sempre uma coisa e a torcida vascaína surpreendia. A torcida do Vasco tem me recepcionado muito bem de maneira frequente. Espero que seja mais uma vez uma coisa surpreende, como sempre tem sido. Meu carinho pela torcida vascaína é enorme e eterno.

iG: Um amigo e um desafeto no futebol?
Pedrinho:
Melhor amigo é o Felipe, começamos juntos e estamos sempre nos falando, três, quatro vezes por semana. Ele foi uma das pessoas que meu deu força para voltar a jogar e é como parte da minha família. Desafeto eu acho, acho né (risos), que não fiz nenhum, mas de repente tem, não dá minha parte.

iG: A maior alegria e a maio tristeza na carreira?
Pedrinho:
Minha maior felicidade no futebol foi o título da Copa Libertadores de 1998 e a convocação para a seleção brasileira. A maior tristeza no profissional acho que foram as contusões e a perda do Mundial para o Real Madrid, que infelizmente não pude jogar porque estava machucado.

iG: Como avalia o processo de renovação na seleção brasileira?
Pedrinho:
É um processo normal de reformulação. Acho que ele está sendo muito cobrado. Quando o Brasil perdeu a Copa, todos exigiram uma mudança e ele está fazendo isso. De vez em quando o resultado não sai pela constante troca de atletas, é normal. Mais para frente com certeza ele vai definir uma equipe, um elenco e seguir em cima disso. Por enquanto ele está fazendo uma avaliação, que é o que todos queriam. A cobrança excessiva é sem critério, porque ele está fazendo o que todos queriam, então precisa de paciência.

iG: Existe algum novo jogador que lembra seu estilo atualmente?
Pedrinho:
Temos muitos jogadores novos bons. O Ganso é um grande jogador, que é mais da minha posição, um estilo que lembra. O Marcelo, que não é da minha posição, mas que joguei com ele um pouco na minha passagem pelo Fluminense é um excelente jogador, o Neymar dispensa comentários. O Brasil está bem servido.

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