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Reeleição de Juvenal vai contra história política do São Paulo

Novo mandato tornaria atual presidente o terceiro mais duradouro da história do clube: 8 anos consecutivos

Levi Guimarães, iG São Paulo |

Apesar de ainda não confirmada oficialmente, a possível candidatura do atual presidente do São Paulo Juvenal Juvêncio a um novo mandato - e sua vitória na disputa - é praticamente dada como certa nos bastidores políticos do clube. Contudo, caso a decisão seja confirmada, irá contra uma história de alternância na presidência que já dura mais de quarenta anos.

Juvenal já está há cinco anos no comando do São Paulo e, com um novo mandato até 2014, chegaria a oito, tornando-se o terceiro dirigente a permanecer mais tempo no cargo - isso considerando apenas o atual momento, sem contar seu primeiro mandato, entre 1988 e 1990. E quebraria uma tradição: desde 1971 ninguém fica mais de cinco anos na presidência do clube.

[]O último a superar tal marca foi o ex-presidente e ex-governador de São Paulo Laudo Natel. Principal responsável pela construção do estádio do Morumbi ao lado de Cícero Pompeu de Toledo, Natel também é o recordista de anos à frente do São Paulo, ficando por 13 temporadas como presidente, entre 1958 e 1971. Toledo, que o precedeu, é o segundo colocado, com nove anos, entre 1948 e 1957.

Com as exceções dos presidentes que dominaram os anos 50 e 60, o São Paulo teve apenas outros dois presidentes que ficaram por cinco anos, como Juvenal Juvêncio: Edgard de Sousa (primeiro mandatário, ainda nos tempos de São Paulo da Floresta) e Henri Couri Aidar. Todos os outros ficaram no cargo por períodos de quatro anos ou menos.

É verdade que Cícero Pompeu de Toledo e Laudo Natel se tornaram dois dos mais importantes presidentes da história são-paulina. Afinal, o primeiro foi o responsável por dar início às obras do Morumbi (e inclusive dá o nome ao estádio), enquanto o segundo levou a construção até o final. Mas também é verdade que o período de seus mandatos (48-71) foi de vacas magras em termos de títulos, com as conquistas de apenas seis Campeonatos Paulistas em 24 anos.

Nos 75 anos do São Paulo, parece inclusive existir uma relação entre duração do mandato e conquista de títulos. Os dois períodos mais vitoriosos do clube aconteceram sob o comando de presidentes que ficaram quatro anos no cargo.

Divulgação
Juvenal Juvêncio em entrevista coletiva ao lado de Leco (esq.), vice-presidente de futebol, e João Paulo de Jesus Lopes (dir.), diretor de futebol

Entre 1990 e 1994, José Eduardo Mesquita Pimenta conquistou dois mundiais, duas Libertadores, duas Recopas Sul-Americanas, uma Supercopa, um Brasileirão e dois Paulistas. E entre 2002 e 2006, Marcelo Portugal Gouvêa levou o clube a um Mundial, uma Libertadores, um Brasileiro e um Paulista.

Resultados esportivos à parte, o fato é que a extensão do mandato de Juvenal também contraria o movimento recente dos principais do São Paulo em busca de alternância política. O Palmeiras, depois de 12 anos com Mustafá Contursi, já teve Affonso Della Mônica e Luiz Gonzaga Belluzo como presidentes desde 2005. E o Corinthians, após 14 anos de Alberto Dualib, está com Andrés Sanchez no poder desde 2007 e terá um novo presidente eleito em dezembro - Sanchez não pode se reeleger.

Entenda a polêmica

Juvenal Juvêncio, que já havia sido presidente do São Paulo entre 1988 e 1990, foi eleito para suceder Marcelo Portugal Gouvêa em 2006. Depois de um mandato de dois anos, foi reeleito em 2008 vencendo a chapa liderada pelo ex-judoca Aurélio Miguel e dando início ao primeiro mandato com duração de três anos, depois que o estatuto do clube passou por mudanças.

A polêmica em relação à nova candidatura acontece porque mesmo o novo estatuto proíbe duas reeleições seguidas. Assim, os oposicionistas defendem que Juvenal não poderia sequer concorrer novamente ao cargo. A ala de conselheiros que apóia o dirigente, por outro lado, argumenta dizendo que esta seria sua primeira reeleição, já que o primeiro mandato, por ainda ter siso regido sob o antigo estatuto, não deveria ser considerado.

Por enquanto, os argumentos da oposição parecem não ter força suficiente para desbancar Juvenal, assim como uma chapa concorrendo contra ele dificilmente teria sucesso nas eleições, marcadas para abril. Um possível novo mandato, que se estenderia até 2014, teria como principal “missão” a reinclusão do Morumbi como sede da Copa no Brasil.

Há pouco mais de uma semana, Juvenal se reuniu com conselheiros da situação no estádio, teve seu nome aprovado como melhor opção para o cargo e, com isso, teve a candidatura confirmada extra-oficialmente, inclusive por possíveis concorrentes, como o vice-presidente de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e o vice-presidente de comunicações e marketing, Júlio Casares.

A única manifestação recente contrária à reeleição vinda de um aliado foi a do ex-superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha, ao afirmar que, como amigo, não gostaria de ver Juvenal concorrendo à reeleição. O conselheiro e vereador da cidade, apesar de admitir que sonha em ocupar a presidência do São Paulo no futuro, descarta concorrer com Juvenal.

Com todo o cenário interno indicando que o mais provável é mesmo a reeleição, a principal resistência à continuidade de Juvenal Juvêncio na presidência tem vindo da torcida, principalmente por meio da internet. Em diversos fóruns e blogs, pesquisas não-científicas indicam a reprovação ao novo mandato. Um desses blogs, de autoria não identificada e com o nome de “Nem a pau Juvenal”, criou um abaixo-assinado contra a reeleição.

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