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Futebol
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Real chega com moral, mas todos ainda querem ser o Barcelona

Título da Copa do Rei aumenta cotação do Real na Liga dos Campeões, mas time catalão segue como inspiração para o mundo do futebol

Allan Brito, iG São Paulo |

O Real Madrid já comemorou título em 2010-11 justamente com uma vitória contra o Barcelona. O técnico José Mourinho é o maior showman do futebol mundial. Cristiano Ronaldo e Kaká sinalizam que podem voltar aos seus melhores dias. Mas, no fim, tudo o que isso pode render, ao que parece, são "apenas" vitórias e títulos. Toda admiração do mundo do futebol segue mesmo voltada para o Barcelona de Messi, Xavi e cia. Treinados por Pep Guardiola, eles conquistaram boa parte do que disputaram nos últimos três anos. Nesta quarta, a partir das 15h45 (horário de Brasília), os arquirrivais espanhóis jogam o terceiro superclássico seguido, desta vez pela semifinal da Liga dos Campeões. O iG acompanha em Tempo Real o jogo, que dá ao Real mais uma chance de tentar abalar a atual aura barcelonista. Tarefa esta que, pelo que se fala entre técnicos e jogadores, é bem mais difícil que avançar à final da Champions.

Ninguém parece ter "virada a casaca" após a vitória do Real contra o Barcelona na final da Copa do Rei. Todos ainda querem mesmo é ser e jogar como o Barcelona. Domínio absoluto de posse de bola, jogadores em constante movimentação, tabelas rápidas, solidariedade na marcação e talento abundante no ataque. Esses são só alguns dos princípios do time que mais tem encantado o mundo nos últimos anos. Mas o fato é que o Barça desenvolveu um estilo próprio de jogar a ponto de se transformar em referência tanto para clubes como para seleções. Todos querem copiá-lo, inclusive no Brasil. Mas quem vai conseguir? Candidatos não faltam...

Quase todos os técnicos do futebol nacional querem imitar pelo menos uma das qualidades do Barcelona. Até quem foi um gênio do meio-campo usa o time treinado por Pep Guardiola, e não seu próprio exemplo, como fonte de inspiração. "Não dá pra comparar, mas o Barcelona joga sério e a gente se diverte. E quando a gente pega um desafio desse (treinar o Internacional), a gente tem que ter um objetivo. E meu objetivo é tentar organizar um time com essas condições", disse Falcão à TV RBS, logo após assumir como técnico do Inter.

Outro que já chegou citando o Barça foi Caio Junior, do Botafogo. "Ele conversou com o time e citou o Barcelona como exemplo, um time que sempre joga junto. Os 10 têm que marcar e, na hora de atacar, tem sempre quatro ou cinco atacando, chegando de trás", disse o jovem Caio. A receita, porém, não deu certo no Campeonato Carioca, já que o Botafogo foi eliminado do Estadual.

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Ex-jogador do Barcelona, Ronaldinho, agora no Flamengo, já "imitou" o posicionamento de Messi
Além do "futebol bonito" e da marcação em conjunto, outra característica do Barcelona que tem sido bem vista pelos times brasileiros é o fato do time jogar sem um centroavante fixo na área - Messi joga pela faixa central do ataque, normalmente acompanhado por David Villa e Pedro, que abrem pelas pontas. Curiosamente, no Flamengo o técnico Vanderlei Luxemburgo chegou a usar um ex-jogador do Barça para simular essa tática.

"O pessoal cismou com essa coisa de atacante. Quando (os diretores do Barcelona) contrataram Ibrahimovic, não deu certo. No Barcelona, o Messi às vezes joga solto, como estou fazendo com Ronaldinho aqui. É só ter calma. Não existe isso de ter centroavante", declarou Luxa, ao analisar a situação do seu time, que está invicto em 2011 mesmo sem encontrar um centroavante ideal - na posição Deivid, Wanderley e Diego Maurício são as principais opções do Fla, mas eles não têm conseguido agradar o técnico e tampouco a torcida.

Perder sim, mas desde que seja como o Barcelona
Já o técnico do São Paulo, Paulo César Carpegiani, chegou a dizer, em entrevista ao "Lance!", que o São Paulo tem qualidade para vencer o Barcelona. Mesmo assim, admitiu a enorme dificuldade para fazer seu time jogar como o espanhol. "Prefiro sempre perder como o Barcelona, se impondo. Mas você não consegue (jogar como o Barcelona). Sabe por quê? Porque tem Messi e as características dos jogadores se encaixam, formam um conjunto", explicou.

De fato, poucos times brasileiros podem ser comparados ao Barcelona em qualquer um dos pontos fortes dos catalães. Em 2010, o Santos foi quem recebeu essa honra, principalmente pelo seu futebol ofensivo, com três atacantes em boa fase (Neymar, Robinho e André ) e um meia para organizar o time (Paulo Henrique Ganso). Em 2011, o Cruzeiro é o clube que mais tem se destacado no primeiro semestre e não demoraram a surgir as primeiras comparações com o Barça. O time do técnico Cuca tem a melhor campanha da primeira fase tanto na Libertadores como no estadual.

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Assim como o Barça, o Cruzeiro também tem um argentino, Montillo, como destaque. Coincidência?
"Guardadas as devidas proporções, no continente, (o Cruzeiro) é como o Barcelona. Seu jogo e os resultados que alcançou na Copa Libertadores são contundentes”, disse Diego Aguirre, técnico do Peñarol, quando sua equipe ainda era adversário em potencial dos mineiros nas oitavas da Libertadores - o Cruzeiro joga nesta quarta, contra o Once Caldas, na Colômbia. Quem endossa Aguirre é ninguém menos que Ronaldo "Fenômeno": “O Cruzeiro tem hoje o melhor futebol do Brasil, o Santos também. Acho o Cruzeiro bem completo, está bonito de ver. O Cruzeiro joga parecido com o Barcelona, no sentido de abrir mão de um centroavante de área. Tem jogadores rápidos nas pontas, se enfiando dentro da área, isso dificulta muito a zaga adversária”, disse o ex-atacante ao Sportv.

O volante Henrique, que já foi até convocado para a seleção brasileira por causa da boa fase do Cruzeiro, conseguiu encontrar uma semelhança entre as duas equipes: "O Barcelona joga junto há muito tempo e ninguém segura os caras. Claro que são todos craques, mas aqui também podemos tirar muito proveito desse entrosamento que existe no nosso grupo”, disse o volante, que está no time há três anos e sempre jogou com uma base fixa do time, formada hoje por Fábio, Marquinhos Paraná, Fabrício e Thiago Ribeiro, por exemplo.

Nem as seleções escapam da "febre Barça"
Sem dúvida a Espanha, campeã do mundo em 2010, é a equipe que conseguiu apresentar um futebol mais parecido com o do Barcelona. Mas a tarefa não era das mais difíceis, já que a maioria do seu time titular era formada exatamente por jogadores da equipe catalã. Com um preciso e paciente toque de bola, nomeado de "tiki-taka", a seleção conseguiu dominar seus jogos na África do Sul e conquistar a primeira Copa do país.

Recentemente, porém, outra seleção nacional admitiu usar o Barcelona como exemplo. De acordo com Jack Wilshere, meio-campista do Arsenal, o técnico italiano Fabio Capello é um admirador do time da Catalunha. "Ele nos passou vídeos do Barcelona antes da nossa partida contra o País de Gales", revelou o jogador. A tática funcionou: em 14 minutos, o time inglês abriu 2 a 0 no placar e depois só administrou a vitória sem sustos.

Seleções que jogam com três atacantes, como Holanda, Brasil e Argentina, também podem ser comparadas com o Barcelona, como fez o jornal espanhol "Mundo Deportivo" recentemente. A tentativa de imitação feita por essa última equipe é confirmada inclusive por Messi, craque maior do Barça e melhor do mundo nos dois últimos anos segundo a Fifa. "Nós tentamos fazer o melhor jogo possível, fazemos muitas coisas do Barcelona, mas estamos começando e ainda nos falta muito trabalho e tempo", explicou o astro, sem descartar, porém, que na Copa do Mundo de 2014 o time argentino já consiga jogar num nível próximo ao do Barcelona. É esperar para ver.

Veja fotos dos treinos para o clássico desta quarta-feira:

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