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Futebol
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Rafael Sobis: 'Não entro em campo pensando na comemoração do gol'

Atacante minimiza polêmica, diz que prefere jogar mais avançado e já projeta a renovação de contrato

Gabriel Cardoso, iG Porto Alegre |

O atacante Rafael Sobis está de bem com a vida. A chegada de Paulo Roberto Falcão devolveu o jogador para a sua função de origem, o ataque. Foram 3 gols nos 3 últimos jogos pelo Internacional.

Uma polêmica foi criada na última semana. Após marcar o gol contra o Emelec, pela Libertadores, o atacante não saiu correndo para comemorar o gol. Ficou parado, esboçou uma alegria de forma discreta, e deu margem para interpretações de que teria algum problema nos bastidores. Sobis concedeu entrevista exclusiva para o iG e tratou de negar qualquer polêmica.

Em uma cafeteria num shopping de Porto Alegre, Sobis, entre pausas para fotos e autógrafos, explicou o porquê da comemoração apagada, falou sobre seu momento, os gols que estão voltando a sair. Ele rasgou elogios a Falcão, preferiu não criticar Celso Roth, mas deixou claro que rende melhor como atacante e não em uma função mais recuada, como vinha fazendo com o antigo técnico.

O goleador ainda comentou sobre seu futuro no Inter, já que o empréstimo do Al-Jazira termina em julho. Ele está animado com a possibilidade de ser tricampeão da Copa Libertadores pelo clube gaúcho, feito que só seria alcançado por ele, Renan, Bolívar, Índio e Tinga.

Confira como foi a conversa:

iG: O bom momento do Rafael Sobis está de volta?
Sobis: A dificuldade infelizmente existe. Aconteceu comigo, mas nunca desisti. Procurei me dedicar ao máximo para esperar a oportunidade seguinte. Deixei uma impressão boa nesses três jogos, fiz três gols, e agora é dar sequência. Espero seguir melhorando, seguir marcando gols e ajudando o time, que é o que mais me interessa.

Alexandre Lops/AI Internacional
Falcão devolveu o atacante para a sua função original
iG: O que contribuiu para trazer de volta as boas atuações?
Sobis: Acho que foi eu me preparar quando estava fora para poder voltar bem. Todo santo dia eu chego uma hora antes (do treino), faço o trabalho que tem que fazer e ainda procuro trabalhar um pouco mais. Acho que uma hora o retorno vem. O principal é estar preparado para receber a oportunidade. O corpo e a cabeça precisam estar preparados.

iG: O Sobis que todo mundo conhecia aqui no Inter era aquele atacante que jogava perto da área. O fato de o Falcão te devolver para esta função está ajudando?
Sobis: Nunca vou falar mal de treinador por me colocar em uma função ou outra. Sou um cara de grupo. Se pedir pra eu ir pro gol, mesmo eu sendo um anão, eu vou pro gol, mas a pessoa tem que saber, como todos sabem, que onde eu rendo é lá na frente, onde eu faço meus gols, onde tive meus melhores momentos. Nunca vou dizer não por jogar em uma posição ou outra, mas a pessoa sabendo que aquela lá é a minha função já estará bom.

iG: Então você estava tendo que fazer um esforço maior na antiga função...
Sobis: Tem que se adaptar, cada um tem a sua cabeça e o seu esquema tático. Os jogadores têm que acatar. Quem manda, manda e quem obedece, obedece. Nunca vou reclamar. Cumprirei sempre a função da melhor maneira que eu puder, mas sempre deixando claro que a minha função preferida é dentro da área.

iG: Uma polêmica foi criada nesta semana: por que você não comemorou o gol contra o Emelec?
Sobis: (risos). Foi o que eu decidi na hora, já fiz várias comemorações e nunca me perguntaram nada. Não sei por que criaram a polêmica. Foi o que aconteceu na hora, eu quis comemorar daquele jeito. Muita gente acha que eu não comemorei, mas eu comemorei, me abracei com os companheiros, apontei pro banco de reservas, é assim. Não sei como será a próxima comemoração, pode ser que eu dê uma volta no campo, que eu dê uma cabeçada na trave, cada jogo tem a sua comemoração e o seu momento, não sei de onde saiu a polêmica, estou aqui para responder.

Lucas Uebel/Vipcomm
O atacante teve uma discreta comemoração quando marcou o gol contra o Emelec
iG: Foram várias especulações: que você achou que estava impedido, ou que estava insatisfeito com as vaias da torcida, ou que havia brigado com alguém. É que você se caracterizou por comemorações marcantes, como quando o Inter venceu a Libertadores de 2006 e você saiu correndo com uma bandeira enorme...
Sobis: Aquela do bandeirão foi algo que me veio no instante e acabou ficando marcada. Esta última também pensei na hora. Resolvi sair caminhando, me abracei com o Damião, eu sou assim. Não entro em campo já pensando na comemoração, eu decido na hora, não sei como será a próxima. O importante é fazer gols. Especularam que eu comemorei sozinho, que estava de briga com um ou outro. Todo mundo me conhece, sabe que não sou disso. Minha esposa às vezes me cobra pra fazer uma comemoração pra ela, beijar a aliança, mas na hora eu não lembro. Sei lá, não entro em campo pensando nisso. Vou seguir assim. Deixa que eu vou fazer gol importante, mas a comemoração não vale de nada.

iG: O que você está achando do início do trabalho do Falcão?
Sobis: É um trabalho novo, diferente. Tem um esquema de jogo diferente. Sabemos que no futebol muitas vezes você treina por dois anos e não é suficiente, mas este começo está sendo muito bom, a aceitação do grupo com ele está sendo muito boa. Na medida do possível estamos fazendo o que ele pede e está dando resultado. Quando o resultado aparece é a melhor imagem do time. Esperamos seguir crescendo, ainda falta muito pra chegar onde o Falcão quer, mas temos que treinar e correr atrás do tempo perdido. Estamos em uma fase decisiva do ano, tanto na Libertadores quanto no Gauchão.

iG: O Andrezinho disse que o Falcão tem um jeito diferente de trabalhar, disse que ele tem um padrão europeu, relatando que se trata de um técnico que traz novidades para o trabalho. Você, que já jogou na Europa, nota alguma semelhança com o trabalho que é feito por lá?
Sobis: É muito parecido, sim. O estilo que ele está querendo colocar aqui é diferente do que o futebol brasileiro já viu. Está sendo super positivo, está dando resultado. Pra mim foi bom, pro Damião segue sendo bom e pra outros jogadores também está dando resultado. Temos que procurar fazer o que ele pede. A forma que ele conversa com o grupo é boa, ele está aberto para opiniões. Procura saber onde o jogador gosta mais de jogar, se está cansado, Isto é importante, esperamos que vá longe, pois tem tudo para dar certo.

iG: E quais seriam essas diferenças no trabalho dele?
Sobis: É em tudo. O time é nítido que mudou. Mudou até o esquema tático. No momento que você está na adrenalina ele vem e conversa, chama em um canto, e fala de uma forma que você entende. Mesmo asism, depois que ele fala, ele pergunta se entendeu, se concorda, se é assim que prefere. Isso é espetacular, ele dá a liberdade para o jogador mostrar se está feliz. Jogador quando está feliz rende muito mais.

Jefferson Bernardes/Vipcomm
Sobis pode ganhar a terceira Libertadores pelo clube gaúcho
iG: 2006, 2010 e 2011. Já parou pra pensar que você pode ser um dos poucos jogadores com três títulos da Libertadores e pelo mesmo time?
Sobis: Tem mais. Se eu ganho esta seriam três vitórias em três participações. É uma oportunidade única. Cada competição tem a sua peculiaridade e um por quê para ganhar. É mais uma chance que tenho. Quero fazer o melhor possível, ganhar a terceira Libertadores, e caso eu vá embora, porque está acabando meu empréstimo, deixar as portas abertas.

iG: A Libertadores de 2011 está mais difícil ou mais fácil em relação aos outros anos?
Sobis: Cada vez é mais difícil. O Inter, por ser o atual campeão, fica mais visado. Os adversários estão bem mais qualificados. O futebol evolui a cada ano. Nós temos que ir evoluindo também.

iG: Como você vê o elenco do Inter em relação aos outros dois elencos que ganharam a Libertadores (em 2006 e 2010)?
Sobis: É um time que tem a sua experiência, quase todos ganharam a Libertadores no ano passado, e isso é importante. A direção fez muito bem em manter jogadores e em trazer outros para compor o grupo. Muitas vezes, em momentos de adversidade, você acaba conseguindo dar a volta pela experiência que tem. Aquele jogo do Jorge Wilstermann, talvez se fosse 5 anos atrás, não conseguiríamos buscar a virada tão rápido. Usamos a experiência, viramos o jogo e fizemos quatro gols. Mostra que o nosso time é inteligente e sabe fazer a leitura do jogo.

iG: O que você pensa sobre o Peñarol, próximo adversário da Libertadores?
Sobis: Não muda muito. Não podemos escolher adversário. Temos uma vantagem importante de poder decidir em casa, mas também não significa muito, pois tem que jogar bem fora também. Eles tem uma história grande e será complicado. Tem que esquecer a fase de pontos corridos, agora começa uma nova Libertadores. Vamos nos preparar para o mata-mata e bola pra frente.

iG: O seu empréstimo está terminando em julho. Você fica para o Brasileirão?
Sobis: Ainda não sei, estamos conversando. O querer não é o suficiente, tem outro clube envolvido e com os seus interesses. Acho que estamos no caminho certo, temos que esperar.

iG: Você tem participado das negociações? Acha que realmente existe a possibilidade de seguir em Porto Alegre?
Sobis: A possibilidade tem. Eu sempre procuro me envolver. Na outra vez já ajudei e até deixei de ganhar mais em outros clubes para vir pro Inter, pois é o clube que sou identificado. É assim que vai ser, se eu puder me envolver e ajudar.

iG: Falaram que a multa rescisória era de 7 milhões de euros, não é meio fora do padrão brasileiro?
Sobis:Tudo se conversa. A partir do momento que sentarmos para conversar com o sheik e ele mostrar o que quer, nós começamos a fazer planos e pensar coisas para ficar. Não podemos pensar nada antes da conversa, ele ainda não deu uma pista do que quer. O momento certo vai chegar, está acabando a liga lá, provavelmente o clube vai ser campeão, então tudo tem o seu momento. Precisa saber chegar para conversar.

iG: O torcedor já está eufórico pela possibilidade de Gre-Nal na Copa Liberatdores. Você já está pensando assim também?
Sobis: Eu seria muito burro de pensar em Gre-Nal. Ainda temos que enfrentar o Peñarol que é uma pedreira. O Grêmio também tem que pensar no adversário dele. Não podemos pensar, pode ter Gre-Nal pelo Gauchão também. Vamos respeitar os adversários que temos. Ainda temos o Juventude pelo Gauchão, e depois o Peñarol. Temos que ir passo a passo até para não dar margem para dizerem que pensamos em um time antes do outro.
 

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