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Mala branca: quem pode receber ajuda e como são feitos os pagamentos

Veja os jogos da reta final do Brasileiro que favorecem a famosa bonificação para times desinteressados correrem um pouquinho mais. Acerto normalmente é feito entre os atletas

Marcel Rizzo, iG São Paulo |

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Para ser campeão brasileiro, o Corinthians precisa vencer seus dois próximos jogos, contra Vasco e Goiás, e torcer para que o Fluminense ao menos empate uma de suas partidas, frente Palmeiras ou Guarani. Problemas à vista, já que o rival da capital apenas cumpre tabela e os campineiros provavelmente estarão rebaixados na última rodada. É aí que aparece o termo mala branca.

Um dinheiro extra para que palmeirenses ou bugrinos dêem um último suspiro no campeonato. O tema é discutido nas retas finais de Brasileiro desde o início dos pontos corridos, em 2003, mas também antes. Times que brigavam para se classificar cogitavam bonificar outros para que batessem os rivais diretos pela vaga. Ninguém admite que pagará, nem quem receberá admite que  foi procurado. 

Gazeta Press
Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, prefere nem torcer para São Paulo ou Palmeiras, imagine pagar

Não pagaremos nada para ninguém. E prefiro perder o título do que torcer para o São Paulo ou Palmeiras ganharem do Fluminense, disse o presidente corintiano Andrés Sanchez antes da rodada do final de semana passado. Seu time liderava o campeonato, mas tropeçou ao empatar com o Vitória, em Salvador, por 1 a 1. O São Paulo perdeu por 4 a 1 para o Flu e os cariocas assumiram a liderança.

É improvável que o Corinthians dê dinheiro a atletas do Palmeiras. A rivalidade impede tal gesto, até porque há ainda o tema entregada, por serem rivais regionais e porque a torcida palmeirense pediu isso depois da eliminação na Sul-Americana, quarta-feira, dentro do Pacaembu ( leia mais aqui ). Mas bonificar o Guarani, na última rodada, não está descartado. Esse é apenas um dos times que pode ser beneficiado por dinheiro para vencer. 

Veja abaixo as partidas que vão dar margem a especulações, tanto valendo o título, como vaga na Libertadores e até rebaixamento.

Título

Penúltima rodada (próximo domingo)

Palmeiras x Fluminense (17h, Arena Barueri)  - Sem pretensões, jogadores palmeirenses poderiam receber incentivo de Corinthians e
Cruzeiro, Dos paulista, eternos rivais, é improvável.

Corinthians x Vasco (17h, Pacaembu) ¿ Cruzeirenses precisam que Corinthians também perca pontos e poderiam incentivar vascaínos, que apenas cumprem tabela.

Última rodada (5 de dezembro)

Fluminense x Guarani (17h, Engenhão) ¿ Campineiros devem estar rebaixados na última rodada e precisariam de incentivo extra.

Goiás x Corinthians (17h, Serra Dourada) ¿ Goianos já estão rebaixados. Se Corinthians reassumir a ponta na penúltima rodada, Flu e Cruzeiro podem tentar premiar o Goiás.

Cruzeiro x Palmeiras (17h, Arena do Jacaré) ¿ Se mineiros ainda estiverem na briga, ou pularem para a ponta na penúltima rodada, palmeirense podem precisar de ajuda do Flu. Auxiliar o Corinthians, porém, parece improvável.

Libertadores (quarta vaga, que ainda depende de confirmação. Torcida é que o Goiás perca Copa Sul-Americana)

Penúltima rodada

Ceará x Atlético-PR (17h, Castelão)
¿ Botafogo e Grêmio têm interesse que o desmotivado Ceará bata os paranaenses.

Botafogo x Grêmio Prudente (17h, Engenhão) ¿ Lanterna Prudente pode ter um final de ano com mais dinheiro já que uma boa atuação interessa para Atlético-PR e Grêmio.

Guarani x Grêmio (17h, Campinas) ¿ Apesar dos campineiros ainda brigarem para fugir do rebaixamento, Botafogo e Atlético-PR podem dar uma ajudinha extra para os bugrinos se empolgarem em campo.

Última rodada

Atlético-PR x Avaí (17h, Arena da Baixada) ¿ Grêmio e Botafogo devem fazer em Porto Alegre o confronto direto pela Libertadores, mas caso na penúltima rodada tudo dê certo para o Atlético-PR, talvez cariocas e gaúchos precisem auxiliar os catarinenses, que brigam para não cair.

Milton Trajano

Rebaixamento
Na penúltima rodada, São Paulo, Goiás, Santos e Internacional, times que não têm mais objetivos podem receber auxílios de Guarani, Vitória, Goiás, Atlético-GO e Atlético-MG, que lutam para não cair. Como briga contra a queda tem menos visibilidade do que título, é mais fácil se pagar sem chamar a atenção. Por outro lado, são equipes (com exceção do Atlético Mineiro) com situação financeira pior, portanto sem condições de oferecerem vantagens financeiras.

A "mala branca"
O dinheiro nunca é entregue diretamente por dirigentes do clube que abona. Normalmente são duas maneiras de abordagem:

1) Um empresário que tenha jogadores em comum nos dois times procura esses jogadores e faz a ponte. Por exemplo: o presidente do time A (que pretende pagar para o B vencer um rival direto) liga para o procurador e pede para ele entrar em contato com uma atleta que represente na equipe B. Se o empresário não quiser se envolver diretamente, um atleta que ele represente no time A conversa com o da equipe B. Se acerta valores e o dinheiro é pago somente em caso de sucesso.

2) Um ex-jogador que tenha atuado pelas duas equipes faz a ponte entre as diretorias. Esta é uma maneira menos comum porque o dirigente de ambos os clubes ficam mais expostos. Normalmente isso é decidido entre jogadores, os capitães por exemplo.

Os valores variam. Em 2005, por exemplo, ano que o Campeonato Brasileiro esteve entre Corinthians e Internacional estima-se que tenha sido pago até R$ 1 milhão por um dos pretendentes para que time desinteressado vencesse. Esse valor, normalmente, é dividido no elenco que recebe de forma proporcional pelos jogos realizados na temporada. É como o bicho, a premiação paga pelos clubes por metas conquistadas.

O número R$ 1 milhão é praxe em caso de grandes conquistas - serve para impressionar mesmo. Para evitar rebaixamentos, essa quantia cai pela metade. A Portuguesa, por exemplo, precisa vencer o Sport sábado, na Ilha do Retiro, mas torcer também para que a Ponte Preta bata o América-MG em Campinas. Assim ficaria com a quarta posição na Série B e vaga no Brasileirão de 2011. O presidente Manoel da Lupa, da equipe da capital paulista, nega que vá oferecer dinheiro aos campineiros.

Não tem isso. Já liguei para a diretoria da Ponte Preta e pedi ajuda, mas sempre na bola, disse da Lupa. Em Campinas, porém, a informação é que até domingo chega mala com R$ 400 mil.

Gazeta Press
Manoel da Lupa, presidente da Portuguesa, nega que vá ajudar a Ponte Preta financeiramente

Diferença
Na Europa, o atacante brasileiro Tuta, ex-Fluminense e Palmeiras, viveu situação embaraçosa que pode ter envolvido acerto não para ganhar, mas para empatar. Ele jogava pelo Venezia, em 1999, e um empate de seu time contra o Bari ajudaria a gigante Juventus. No final da partida o brasileiro marcou o gol da vitória, mas nenhum companheiro comemorou com ele.

Foi estranho realmente, mas na hora me pareceu um gol normal. Depois fui ver que parecia ter algo errado, disse Tuta na época. A Juventus acabou sendo rebaixada por causa do resultado. Procurado pelo iG para falar do assunto nesta semana, preferiu não dar entrevista.

A Itália é famosa por escândalo de jogos comprados, mas com jogadores e dirigentes recebendo para perder ou empatar. A mala branca brasileira seria menos danosa, já que os jogadores de um time recebem para vencer. Mesmo assim causa polêmica. E você. O que acha da mala branca?

Você concorda de um clube dar dinheiro para jogadores de outro se empenharem em uma partida?
Sim, não há problema em um incentivo para vencer

Não, porque os jogadores só devem receber dinheiro do clube empregador



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