'Protetor', Abel blinda elenco e conquista grupo do Fluminense
Postura de assumir responsabilidade nas derrotas e negar interferências no trabalho ganha admiradores
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“Ouviu o que, rapaz? Não tem essa de diretoria, patrocinadora. A conversa aqui é olho no olho. Se alguém tiver que deixar o clube, vou ser o primeiro a conversar pessoalmente. Pode trabalhar tranquilo, ninguém vai ser sacaneado aqui. Eu só quero empenho”, disse ao jogador, que continuou no elenco para esta temporada.
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Assim, blindando o elenco da agitada vida política do Fluminense e contornando eventuais ingerências e cobranças de Celso Barros, presidente da Unimed, que patrocina o clube 1999, Abel Braga conquistou o grupo de jogadores. O clima bom nos treinamentos refletiu em campo, com o título da Taça Guanabara e a boa campanha na Copa Libertadores até aqui.
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“É uma característica forte do Abel. Poucos treinadores dão a cara para bater nos momentos difíceis ou quando acontece algum problema, e nisso a gente está bem servido. Ele está sempre do nosso lado. A gente se doa por ele e por todos nós. Quando bate em um dói em todo mundo”, disse o zagueiro Anderson, contratado no início da temporada.
Preservar os jogadores das críticas pesadas, e também dos excessivos 'tapinhas nas costas' tem sido parte do trabalho do treinador. Na festa da Taça Guanabara, trocou a comemoração com a diretoria e patrocinadora, em uma churrascaria na Barra da Tijuca, por uma pequena comemoração com amigos e familiares.
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Outro exemplo aconteceu na última quarta-feira, após Rafael Moura perder um pênalti na derrota de 2 a 0 contra o Boca Juniors. O jogador, que vive má fase, foi defendido por Abel, que assumiu toda responsabilidade da derrota. “Ele passa um momento que precisa de nós, não vamos abandoná-lo. O Fluminense perdeu como um todo, mas a responsabilidade é minha. Aqui não tem caça às bruxas", declarou o treinador.
A postura do treinador ganhou admiradores no elenco. Mesmo com vários atletas que poderiam ser titulares em outras equipes, como o meia Wagner e o volante Jean, ninguém têm se queixado, pública ou internamente, por não começar jogando. Se não adota o estilo 'Papai Joel' de brincadeiras e intimidade com os comandados, a maneira como defende os jogadores, mas ao mesmo tempo impõe respeito, conquistou até as 'estrelas' do elenco.
“Acho que o maior exemplo disso você vê aqui. Um elenco tão bom, jogadores vitoriosos, muitos não estão jogando e ninguém reclama. Acho que isso já mostra que ele tem um controle do vestiário e como todo mundo respeita ele”, disse o atacante Rafael Sobis, velho conhecido do Inter.
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Na visão do treinador, o trabalho só tem funcionado graças a outras duas pessoas. O vice de futebol Sandro Lima faz o elo de ligação com o presidente Peter Siemsen, enquanto o diretor-executivo Rodrigo Caetano ajuda a gerenciar a relação com a patrocinadora e Celso Barros. Apesar de ouvir, por respeito, tanto diretoria quanto Unimed, o comandante não abre mão da liberdade nas decisões.
“Essa blindagem só existe porque tenho duas pessoas que trabalham conosco, o Sandro e o Caetano, que nos ajudam muito. O que vem de dentro do clube bate neles primeiro, e eles têm tido um trabalho incansável em relação a isso. Por isso formamos um espírito de grupo excepcional”.
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