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'Protetor', Abel blinda elenco e conquista grupo do Fluminense

Postura de assumir responsabilidade nas derrotas e negar interferências no trabalho ganha admiradores

Renan Rodrigues, iG Rio de Janeiro |

Photocamera
Abel (à esq.) e Rodrigo Caetano: parceria tem blindado elenco do Fluminense
Após um dia de treino nas Laranjeiras, perto da reta final do último Campeonato Brasileiro, o técnico Abel Braga foi abordado por um dos atacantes do elenco do Fluminense no estacionamento. Preocupado com boatos de dentro do próprio clube de que seria emprestado ou dispensado na temporada seguinte, o jogador procurou o comandante. A resposta veio forte, mas na mesma medida, sincera.

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“Ouviu o que, rapaz? Não tem essa de diretoria, patrocinadora. A conversa aqui é olho no olho. Se alguém tiver que deixar o clube, vou ser o primeiro a conversar pessoalmente. Pode trabalhar tranquilo, ninguém vai ser sacaneado aqui. Eu só quero empenho”, disse ao jogador, que continuou no elenco para esta temporada.

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Assim, blindando o elenco da agitada vida política do Fluminense e contornando eventuais ingerências e cobranças de Celso Barros, presidente da Unimed, que patrocina o clube 1999, Abel Braga conquistou o grupo de jogadores. O clima bom nos treinamentos refletiu em campo, com o título da Taça Guanabara e a boa campanha na Copa Libertadores até aqui.

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“É uma característica forte do Abel. Poucos treinadores dão a cara para bater nos momentos difíceis ou quando acontece algum problema, e nisso a gente está bem servido. Ele está sempre do nosso lado. A gente se doa por ele e por todos nós. Quando bate em um dói em todo mundo”, disse o zagueiro Anderson, contratado no início da temporada.

Preservar os jogadores das críticas pesadas, e também dos excessivos 'tapinhas nas costas' tem sido parte do trabalho do treinador. Na festa da Taça Guanabara, trocou a comemoração com a diretoria e patrocinadora, em uma churrascaria na Barra da Tijuca, por uma pequena comemoração com amigos e familiares.

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Outro exemplo aconteceu na última quarta-feira, após Rafael Moura perder um pênalti na derrota de 2 a 0 contra o Boca Juniors. O jogador, que vive má fase, foi defendido por Abel, que assumiu toda responsabilidade da derrota. “Ele passa um momento que precisa de nós, não vamos abandoná-lo. O Fluminense perdeu como um todo, mas a responsabilidade é minha. Aqui não tem caça às bruxas", declarou o treinador.

Nelson Perez/FluminenseF.C.
Abel Braga foi abraçado pelos jogadores após cada gol contra o Americano, na Taça Guanabara

A postura do treinador ganhou admiradores no elenco. Mesmo com vários atletas que poderiam ser titulares em outras equipes, como o meia Wagner e o volante Jean, ninguém têm se queixado, pública ou internamente, por não começar jogando. Se não adota o estilo 'Papai Joel' de brincadeiras e intimidade com os comandados, a maneira como defende os jogadores, mas ao mesmo tempo impõe respeito, conquistou até as 'estrelas' do elenco.

“Acho que o maior exemplo disso você vê aqui. Um elenco tão bom, jogadores vitoriosos, muitos não estão jogando e ninguém reclama. Acho que isso já mostra que ele tem um controle do vestiário e como todo mundo respeita ele”, disse o atacante Rafael Sobis, velho conhecido do Inter.

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Na visão do treinador, o trabalho só tem funcionado graças a outras duas pessoas. O vice de futebol Sandro Lima faz o elo de ligação com o presidente Peter Siemsen, enquanto o diretor-executivo Rodrigo Caetano ajuda a gerenciar a relação com a patrocinadora e Celso Barros. Apesar de ouvir, por respeito, tanto diretoria quanto Unimed, o comandante não abre mão da liberdade nas decisões.

“Essa blindagem só existe porque tenho duas pessoas que trabalham conosco, o Sandro e o Caetano, que nos ajudam muito. O que vem de dentro do clube bate neles primeiro, e eles têm tido um trabalho incansável em relação a isso. Por isso formamos um espírito de grupo excepcional”.

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