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Professores em greve e movimentos sociais se unem a torcedores para atacar presidente da CBF, governador e organizadores da Copa

Manifestantes protestaram contra Ricardo Teixeira e Sérgio Cabral
Agência O Globo
Manifestantes protestaram contra Ricardo Teixeira e Sérgio Cabral
Um protesto organizado pela Frente Nacional dos Torcedores contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teve a adesão de funcionários públicos do Rio e se transformou em um ato político contra Teixeira e o governador do Rio, Sérgio Cabral.

Cerca de 300 pessoas – entre torcedores apartidários, militantes de partidos e movimentos sociais, políticos e professores da rede estadual, em greve – se reuniram esta manhã e no início da tarde no Largo do Machado para criticar a maneira como os gastos públicos com a Copa vêm sendo conduzidos. A poucos quilômetros dali, na Marina da Glória, acontece este sábado o sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014. O grupo pretende caminhar em direção ao local do evento.

“Pretendemos criar reflexão na sociedade e chamar a atenção para o problema Ricardo Teixeira, pessoa que não consideramos ideal para administrar o futebol, por seu histórico. O país que já derrubou um presidente da República (Fernando Collor de Mello) pode derrubar um mero presidente da CBF”, afirmou o presidente da frente, João Hermínio Marques.

“A CBF diz ser entidade privada, mas sem dinheiro público e apoio dos governos não faz Copa do Mundo. A Copa não será para o povo, mas para uma elite: o ingresso custará mais que um salário mínimo”, disse.

Para o torcedor do Olaria Vitor Reis, que veio do bairro suburbano em viagem de 45 minutos de ônibus, “Teixeira está destruindo o futebol brasileiro”. O advogado Thiago Prado vestia uma camisa da seleção brasileira com uma tarja preta sobre o nome da CBF no escudo. “Estou com a camisa do Brasil, não da CBF”, disse ele, para quem a confederação usa dinheiro público do BNDES para construir “elefantes brancos” e destruir o Maracanã, “patrimônio histórico”.

O ex-deputado federal Fernando Gabeira disse que “Ricardo Teixeira merece cair”. “O movimento é interessante. Se conseguir democratizar as relações do futebol. E pode ser mais atraente para a população que muitos movimentos”, disse o político.

Com bandeiras partidárias e placas, manifestantes pediram “Fora Ricardo Teixeira” e “Sérgio Cabral covarde”.

Os gastos públicos de R$ 30 milhões para organizar o evento da Fifa geraram muitas críticas, principalmente dos funcionários públicos. “Estamos em greve desde 7 de junho e o governador não negocia conosco, dizendo que não tem dinheiro, mas gasta em megaeventos como este”, disse a professora estadual Raquel Simas. “Cabral gasta R$ 1 bilhão na reforma do Maracanã e não tem dinheiro para os professores?”, questiona o professor de filosofia do Estado André Percino.

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