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Promessas, traições e mágoas: a cronologia do caso Ronaldinho

Segundo times, Assis deu ¿ok¿ para Palmeiras e Grêmio ao mesmo tempo. Mas foi o Flamengo que o levou

Paulo Passos e Pedro Taveira, iG São Paulo * |

Ingredientes de uma grande trama não faltaram. Promessas, traições, intrigas, mal-entendidos, juras de amor e, é claro, rompimentos e mágoas marcam as tratativas para Ronaldinho Gaúcho voltar a jogar no Brasil. Por meia de mensagens de celular, e-mails, conversas telefônicas e encontros ao vivo, Roberto de Assis Moreira negociou há mais de seis meses o retorno de seu irmão.

O interesse de Ronaldinho surgiu quando Leonardo o colocou no banco de reservas do Milan na última temporada. O substituto, o italiano Massimiliano Allegri, não mostrou a mesma boa vontade do brasileiro para tolerar as escapadas do astro. Sem a mesma condição física da época do Barcelona, ele acabou indo para a reserva, o que aumentou a “saudade” do Brasil.

AE
Quem dá mais? Através de seu irmão, Ronaldinho negociou com Palmeiras, Grêmio e Flamengo

Após 10 anos no exterior, Ronaldinho deu ao irmão Assis a missão de acertar sua volta para casa. Essa era a promessa do ex-jogador e empresário a quem o procurava. O “namoro” aconteceu com três pretendentes ao mesmo tempo – Palmeiras, Grêmio e Flamengo - e teve muitas idas e vindas até acabar em favor do clube carioca. Confira abaixo a cronologia da “novela” Ronaldinho:

Julho – Palmeiras e Flamengo flertam
O agente Roberto Tadeu apresenta ao Palmeiras um projeto para tentar trazer Ronaldinho Gaúcho. O presidente do clube paulista, Luiz Gonzaga Belluzo, gosta da ideia e dá “ok” para o agente negociar com o estafe do jogador . A partir daí, Tadeu, que atua há 16 anos no futebol e tem boas relações com o Palmeiras, iniciou a negociação com Roberto de Assis Moreira, irmão e agente do jogador.

Também no mesmo mês, o Flamengo fez a primeira investida no astro do Milan. Assis conversou com Patrícia Amorim, que se interessou pelo negócio, mas freou as tratativas quando soube que o Milan não abriria mão da multa rescisória, já que tem contrato com Ronaldinho até junho de 2011.

Segundo Roberto Tadeu, Assis teria dito que não queria o irmão jogando no clube carioca. “Ele disse que não tinha interesse em levar Ronaldinho para o Rio de Janeiro por achar que o Flamengo não tinha estrutura financeira para pagar o jogador e temia alguns possíveis problemas na noite de lá”, disse.

Setembro – Grêmio inicia conversas

Gazeta Press
Ainda criança, Ronaldinho começou a jogar no Grêmio
Segundo o Grêmio, o primeiro contato com Assis aconteceu no dia 20 de setembro. O agente teria dito que Ronaldinho queria voltar ao clube gaúcho, para ficar na sua cidade e disputar a Copa de 2014.

Recém eleito presidente do Grêmio e então candidato a deputado estadual – cargo para qual foi eleito em outubro –, Paulo Odone tinha como sonho ser o responsável pela reconciliação de Ronaldinho com o Grêmio. Conhecia Assis desde a década de 80, quando, como dirigente, assinou o primeiro contrato da então promessa.

Novembro – Felipão entra na briga
Em São Paulo, Palmeiras e Assis voltam a se reunir. Segundo Roberto Tadeu, o técnico do time, Luiz Felipe Scolari, participou do encontro. Felipão, que trabalhou com Ronaldinho na seleção brasileira, era tido como uma arma do clube para convencer o jogador.

“Naquele momento começamos a sentir que tínhamos outros adversários. O Assis nos disse que o único clube que poderia nos atrapalhar era o Grêmio, pela estrutura e pela história do clube. Novamente o agente disse que não gostaria de ver o irmão atuando no Rio de Janeiro”, lembra Tadeu.

Dezembro – Grêmio ouve “sim” e Fla reata negociações
Após conversas por telefone e trocas de email, diretoria do Grêmio e Assis voltam a se encontrar. No dia 19, o agente participa de uma reunião com a diretoria do clube na casa do vice-presidente, Ricardo Vontobel.

O empresário gaúcho, presidente da Vonpar, responsável pela fabricação e distribuição da Coca-cola e outras bebidas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, era o homem responsável por conseguir empresas parceiras para financiar o negócio. No encontro, as partes acertam detalhes do contrato. Após quatro horas de conversa, Vontobel propõem um brinde com Assis para celebrar o retorno de Ronaldinho ao Grêmio.

AE
Enquanto Assis negociava, Ronaldinho curtia a folga no Brasil
Dois dias depois, o Flamengo volta a apresentar ao estafe do jogador um projeto para repatriá-lo. Mesmo após o “sim” ao Grêmio, Assis reabre as negociações com o clube carioca, que aproveita a ida do vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, ao Rio de Janeiro para se aproximar do italiano. A empresa de marketing esportivo Traffic, que tem parceria com o Palmeiras e negocia com o Grêmio, oferece ajuda ao Flamengo para levantar recursos para a contratação.

Enquanto o irmão negocia, Ronaldinho curte a folga de natal no Brasil. Em Porto Alegre, vai à casa de shows da família, na companhia da Vagner Love e Adriano. Após uma semana, viaja para Dubai, para treinar com o Milan.

Através do diretor Umberto Gandini, os italianos avisam que o jogador tem contrato com o clube e que, “por enquanto”, permanecerá em Milão. No Rio de Janeiro, Galliani volta a se encontrar com Assis. O agente ouve do cartola que os interessados terão que pagar uma multa ao Milan.
Publicamente, o irmão de Ronaldinho alerta os dirigentes gaúchos. “Claro que seria excitante voltar para casa. Mas o Grêmio tem que se mexer. Tento fazer o meu máximo, mas, se não acontecer, não posso fazer mais nada, a culpa não é minha“, afirmou ao jornal Zero Hora.

Em Dubai, Ronaldinho não treina no dia 31 e é liberado pelo Milan para voltar ao Brasil.

Janeiro – Negociatas em churrascaria, “quase” festa no Olímpico e desistência
No primeiro dia de 2011, Ronaldinho chega ao Brasil para definir seu futuro. No Rio de Janeiro, o astro curte férias, enquanto o seu irmão segue negociando com Grêmio, Palmeiras e Flamengo.

AE
Tadeu abriu as portas do Palmeiras para o Gaúcho
O dia 2 de janeiro é intenso para Assis. Em uma churrascaria, o agente se encontra com Roberto Tadeu, que mostra o projeto final do Palmeiras. Segundo o intermediário do clube paulista, Assis pediu mais dinheiro. “Trabalhamos forte, com mais de 30 ligações, e levantamos a quantia. Conseguimos o valor e ele voltou para a churrascaria. Ele olhou e falou que nos reuniríamos na segunda ou terça em São Paulo para finalizar os detalhes do contrato”, lembra.

A resposta não veio. As ligações feitas ao agente não eram atendidas e as respostas vinham apenas através de mensagens de celular.

No mesmo dia, o irmão de Ronaldinho se encontra com o Flamengo e adianta as tratativas com o clube e a Traffic. No Uruguai, os cartolas gremistas se dizem tranqüilos e confiantes num acerto com o jogador.

Na terça-feira, dia 4, o jornal Gazzetta dello Sport, da Itália, informa que destino do jogador será o Grêmio. As partes negam o acerto, mas um dia depois, o Grêmio dá como certo o negócio. Segundo o presidente Paulo Odone, clube fez a sétima alteração no contrato, por solicitação de Assis.

Enquanto isso, Galliani convoca uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro na quinta-feira, dia 5. No Copacabana Palace, além do cartola do Milan, Ronaldinho e seu irmão aparecem. O clube italiano revela que o jogador não seguirá na equipe, mas diz que os interessados terão que falar com ele. Assis provoca risos da platéia de mais de 200 jornalistas ao afirmar: "Agora estamos liberados para começar a conversar com outros clubes".

AE
Funcionários do Grêmio tiveram que retirar as caixas de som colocadas para festa da "quase" chegada de Ronaldinho
Do lado de fora do hotel, centenas de flamenguistas pedem para o meia-atacante acertar com o time. Clima semelhante ao encontrado no Olímpico, em Porto Alegre, um dia depois. Até a direção do clube se preparou para a festa, que não ocorreu. Caixas de som foram colocadas – e depois retiradas - no gramado do estádio. Ronaldinho não chegou e a festa foi adiata.

No sábado, sem Assis, o Flamengo se encontra com o vice-presidente do Milan. Na saída da reunião, Galliani diz que Ronaldinho era 99,9% jogador do clube carioca. Horas depois, Paulo Odone se pronuncia e afirma que o Grêmio desiste do negócio.

Na manhã de domingo, o Palmeiras toma a mesma decisão, abrindo ainda mais o caminho para Ronaldinho acertar com o Flamengo.

Na segunda-feira, Roberto Assis e a diretoria do Flamengo se reuniram no Hotel Windsor, no Rio de Janeiro, para discutir os termos do contrato de Ronaldinho Gaúcho com o clube, com duração de três anos e meio.

No fim da tarde, o negócio é confirmado pelas partes e única coisa que separa jogador do clube carioca são algumas cláusulas do contrato que foram acertadas e serão analisadas pelos advogados das duas partes.

Na noite de segunda-feira, no mesmo Hotel Windsor, o contrato que sela a contratação do meia pelo Flamengo é assinado. Ronaldinho Gaúcho é oficialmente jogador do Flamengo.

* colaboraram Danilo Lavieri, Hector Werlang e Vicente Seda

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