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Futebol
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Problema com Galeano faz Pierre não querer mais o Palmeiras

Jogador insistiu para ficar até se sentir humilhado. Jogadores dizem que Felipão cai na pilha de auxiliar

Danilo Lavieri, iG São Paulo |

Pierre quer voltar ao Palmeiras , mas não quer mais voltar a ser orientado pela atual comissão técnica. O iG apurou que o volante se sentiu humilhado pelo staff que cuida do futebol, especialmente por Marcos Galeano, ex-jogador e hoje coordenador técnico e homem de confiança de Luiz Felipe Scolari.

Pierre ainda sonha em voltar ao Palestra Itália para retribuir todo o carinho que já teve da torcida, mas isso não acontecerá enquanto o comando do futebol palmeirense não mudar. O problema começou na pré-temporada de 2011.

AE
Pierre, na pré-temporada de janeiro, sentia muitas dores no pé direito


O jogador estava fora dos planos de Felipão, que considerava as opções que tinha para a posição melhores que Pierre. Teve início um processo de negociação do jogador e o Vasco foi o primeiro interessado. Pierre, no entanto, sofria de fascite plantar (degeneração das fibras) no pé direito e tinha muitas dores na região. Após várias tentativas de tratamento alternativo, o jogador chegou à conclusão que nada mais, a não ser uma cirurgia, solucionaria seu problema.

No dia 13 de janeiro de 2011, após um amistoso contra o XV de Piracicaba, Pierre estava no andar de baixo do ônibus voltando para São Paulo e chamou o então gerente administrativo Sérgio do Prado. Sentado ao lado do zagueiro Danilo, Pierre, muito magoado, pediu ajuda para convencer a comissão e os médicos da necessidade de operação. Ao iG, Sérgiou tentou esclarecer a situação.

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“Lembro que estava no ônibus, voltando para São Paulo, e o Pierre me chamou para conversar. Ele queria operar. Ali, percebi que ele já tinha perdido a fé nos tratamentos que ele tinha feito até então. Ele nem conseguia colocar o pé no chão. Por isso, fiquei a 1h30 da manhã com o Doutor Rubens Sampaio na Academia explicando que a operação era uma necessidade”, disse Sérgio do Prado. “Pela manhã, procurei o Galeano para conversar. Ele nem me deixou terminar e disse: ‘Ele vai operar, mas no Palmeiras ele não vai jogar’. Ali, foi meu primeiro desgaste com a comissão técnica, especialmente com o Galeano. Ele achava que o Pierre estava dando migué (fazendo corpo mole) e queria empurrar ele para o Vasco”, afirmou.

“Em dezembro, eu fui chamado pelo Felipão na frente de todo mundo como um dos melhores para se trabalhar, ao lado do funcionário do Cruzeiro Beneci Queiroz. Depois, no dia 13, todos os elogios foram por água abaixo por eu ter bancado a operação e ido contra o Galeano. Não tem problema, eu faria tudo de novo. Era a minha obrigação”, completou.

AE
Depois de operação, Pierre passou a treinar novamente com o time


A conversa entre Sérgio e Rubens foi o suficiente e no dia 14 de janeiro, o Palmeiras convocou a coletiva de imprensa para anunciar que Pierre seria operado. O médico Vinícius Martins disse que a operação era coisa rara e que, em 15 anos, nunca havia visto nenhum atleta operar por aquele tipo de problema.

"Fizemos um intensivo tratamento com palmilhas, infiltrações, PRP, corticóide, fisioterapia, ele também fez trabalho durante as férias, enfim, tentado todos os recursos para não fazer a cirurgia. Tivemos uma melhora, mas não foi satisfatória e estava impedindo que ele jogasse o futebol de sempre", explicou o médico.

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A operação acabou afastando o interesse do Vasco. Foi o suficiente para Galeano ficar ainda mais irritado com a situação. Assim que Pierre começou a correr e dar voltas no gramado, outra negociação já havia sido costurada por Galeano, desta vez com o Atlético-PR. A informação que foi espalhada dava conta de que a contratação era um pedido de Geninho, então técnico atleticano. Dias depois, ele foi demitido. Pierre passou a notar que não era bem visto por Galeano e tentou explicar, em vão, que queria ficar na Academia.

Seu projeto era reconquistar o espaço de titular e mostrar que poderia voltar a ser eleito um dos melhores volantes do país. Recuperado, Pierre foi relacionado por Felipão algumas vezes e chegou a completar o jogo de número 199 com a camisa do Palmeiras. O atleta foi para o
banco de reservas em duas ocasiões com uma camisa comemorativa, com o número 200, mas não realizou seu desejo. Foi a gota d'agua para Pierre, especialmente por toda a sua família ter sido levada ao estádio nessas duas ocasiões.

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Foi então que surgiu o interesse do Atlético-MG. Vendo que não tinha alternativa a não ser deixar o clube, Pierre aceitou o convite e, no dia se sua despedida, chorou muito ao lado dos jogadores. Ele sempre foi muito querido por todos seus companheiros e sua saída foi muito sentida. Parte dos atletas percebeu que Pierre estava indo embora contra a sua vontade e o desgaste entre o time e a comissão técnica, que explodiria no caso Kleber, já começava ali.

Flickr/Clube Atlético Mineiro
Pierre foi destaque da recuperação do Atlético-MG no Brasileirão


Com o contrato de empréstimo vencendo atualmente, Pierre não quer mais voltar ao Palmeiras por causa desses problemas. Arnaldo Tirone, presidente do time paulista, já declarou por várias vezes que buscaria o jogador até no aeroporto, mas parece não saber de toda a confusão. A pessoas próximas, Felipão afirmou que vê em Pierre um jogador paneleiro, que faz grupinhos que racham o grupo.

A versão é duramente contestada por jogadores, que afirmam que o treinador "cai muito na pilha" de Galeano, que não foi com a cara do jogador. Caso parecido aconteceu com Lincoln. O problema do meia era mais forte com o auxiliar, Flávio Murtosa. Sobre a versão dada por Prado, Galeano se defende.

Veja mais: Caos administrativo faz Palmeiras dizer que tem apenas 15% de Pierre


“De jeito nenhum eu e Pierre tivemos problema de relacionamento. A gente queria emprestar o jogador em janeiro para que ele tivesse ritmo de jogo. Ele estava voltando de lesão. E aí teve o interesse do Atlético-MG e ele foi muito bem, foi bom para ele, até ganhou mais dinheiro. Agora que ele estava voltando, a gente já contava com ele, mas aí entrou a parte do jogador e ele que não quis voltar. Fica complicado a gente forçar ele a voltar”, afirmou Galeano.

Oficialmente, Felipão afirmou por meio de sua assessoria apenas que ter ou não Pierre no grupo passa por critérios técnicos. Pierre e seu empresário não atenderam aos telefonemas nem retornaram os recados deixados na caixa posta. Frizzo, que chegou a dizer que o Palmeiras tinha apenas 15% dos direitos do jogador, deixa a decisão nas mãos do treinador e já conversa com o Atlético-MG para tentar efetuar a troca que agrade a todos.

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